Após iniciar carreiras em setores diferentes, dois engenheiros graduados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amir Hamad e Eduardo Luz decidiram se associar para investir em biorefinaria de moléculas para o agro e fundaram a Nutralis, que já desenvolve produtos com resultados promissores. Um dos bioativos amplia a produtividade em até cinco sacas a mais de grãos por hectare. Na lista de bioinsumos da agritech fundada em 2024 estão produtos como fitorhormônios, polissacarídeos, peptídeos, aminoácidos, quitina e astaxantina.

Continua depois da publicidade

Amir Hamad, CEO da Nutralis, é engenheiro de Produção Mecânica. Antes de ser empreendedor do agro foi executivo do governo de SC, período em que colaborou para a atração da fábrica da montadora BMW ao estado. Depois foi convidado para ser gestor de Relações Institucionais da montadora em Araquari (SC) e mais tarde mudou para o setor do agronegócio. Foi diretor da paranaense Polli Fertilizantes.

Veja mais imagens sobre a Nutrali, seus cofundadores e efeitos positivos dos produtos:

Continua depois da publicidade

Eduardo Luz, diretor de Operações (COO) da Nutralis, é engenheiro de Aquicultura. Seu primeiro emprego foi na produção de sementes de ostras na região de Florianópolis. Atuou em fazendas marinhas de ostras liderando todas as etapas produtivas. Depois, começou a trabalhar com algas marinhas da espécie Kappaphycus alvarezii em Penha, no litoral Norte de SC. Foi essa atividade que aproximou os dois engenheiros.

Continua depois da publicidade

Eles uniram conhecimentos e decidiram criar um negócio que oferece ao mercado produtos que regeneram plantas, aumentam a produtividade com custo mais competitivo que os fertilizantes tradicionais e protegem a natureza ao evitar o envio de resíduos para aterros sanitários. Foi assim que nasceu a biorefinaria Nutralis, que tem sede em São José, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina. Ela faz produtos que também são classificados como fertilizantes orgânicos.

Os produtos são inovadores, usados como biofertilizantes e estimulantes vendidos tanto para indústrias de fertilizantes quanto para agricultores diretamente. São bioativos feitos a partir de algas marinhas ou de sobras de peixes e frutos do mar.

Continua depois da publicidade

A startup também ativa uma rede de pequenos produtos do litoral que fornecem insumos, tem forte ação sustentável por usar produtos que iriam para aterro sanitário e por acelerar a produtividade no campo para alimentar o mundo com menos impacto ambiental.

– Nos dois anos dessa caminhada já desenvolvemos alguns produtos. Todos com viés de impacto muito grande. A alga é muito usada na agricultura. O Brasil usava uma alga importada do Canadá ou do Norte da Europa, a Ascophyllum nodosum, que vem de regiões geladas. Aí nossos produtores no litoral de SC começaram a cultivar no mar a macroalga Kappaphycus alvarezii. E o litoral de SC já se tornou o maior produtor de algas do Brasil. Essa alga tem um impacto importante na agricultura. Conseguimos entregar um acréscimo superior a cinco sacas por hectare em cada aplicação. Ela melhora a estabilização das plantas – explica Amir Hamad.

Continua depois da publicidade

Agricultura regenerativa

O empresário destaca o grande poder da alga de mitigar o stress da planta. Segundo ele, as plantas enfrentam stress por basicamente tudo: excesso de chuvas, falta de chuvas, calor ou frio extremo e tudo isso reduz a produtividade. Então, o uso de produto derivado de alga ajuda a reverter isso.  

Amir Hamad detalha também que a quitina é uma substância do exoesqueleto dos insetos. Ao ser colocada em plantas, ela aciona os mecanismos de defesa delas, libera feromônios. Assim de uma forma natural, a planta se fortalece e consegue se proteger de fungos.

Continua depois da publicidade

-Isso é chamado de agricultura regenerativa. É o próprio bioma que começa a fortalecer as trocas entre bactérias, fungos, plantas, tipos diferentes de plantas que executam coisas diferentes para que a planta se proteja melhor. Então a gente não vê mais esses ataques tão complexos de devastação de uma floresta, uma plantação por causa de inseto específico – explicou também Amir Hamad.

De acordo com o empresário, esse produto, que pela Nutralis é feito a partir da casca de camarão, está sendo aprimorado numa parceria com a Embrapa Meio Ambiente, de São Paulo. O objetivo é alcançar mais evoluções tecnológicas.

Continua depois da publicidade

Parcerias para matérias-primas

Além da produção própria da macroalga Kappaphycus alvarezii, a Nutralis conta com uma rede de aproximadamente 60 produtores no Litoral de SC que também são seus fornecedores.

Entre os produtos da Nutralis está o primeiro bioestimulande granulado do Brasil. A empresa usou seus compostos para fazer um grano que permita a liberação gradativa dos insumos e, assim, as plantas possam se desenvolver gradativamente melhor.

Continua depois da publicidade

A Nutralis é registrada no Ministério da Agricultura como uma empresa de fertilizantes, mas ela entrega ao mercado mais moléculas do que só fertilizantes. São produtos que requerem menos uso de defensivos químicos. Isso reduz problemas de saúde na aplicação e também o custo de produção.

De acordo com o CEO, é possível usar biofertilizantes em todas as culturas, mas é preciso ter orientação técnica sobre quanto utilizar porque são quantidades pequenas por hectare.

Continua depois da publicidade

Sustentabilidade é ponto forte

Um destaque da empresa Nutralis foi o lançamento do primeiro bioestimulante granulado. Ele é um NPK 595 (sigla de Nitrogêncio (N), Fósforo (P) e Potássio (K) de base mineral que tem junto bioestimulante natural. Enquanto a maioria aplica bioestimulador foliar, o da empresa de SC está aplicando na raiz, junto com o NPK.

– Outra informação que acho importante é que o projeto da Nutralis, se evoluir como estamos planejando, em cinco anos, teremos retirado 350 toneladas de resíduos orgânicos de aterros. E mais de 2 mil toneladas de algas marinhas compradas de pequenas propriedades familiares do litoral. Além disso, vamos ajudar a produzir 650 mil toneladas de alimentos a mais sem cortar uma árvore, pelo contrário regenerando o sistema como um todo – destaca Amir Hamad.

Continua depois da publicidade

Apesar de ter apenas dois anos de atividades, a startup do agro está crescendo em todo o Brasil. Desde que foi fundada já atende mais de 400 clientes no país. Eles estão desde o Rio Grande do Sul até o Acre. Em propriedades de gaúchos, por exemplo, os bioinsumos ajudam a recuperar a produção em áreas que foram prejudicadas pela enchente de maio de 2024.