Santa Catarina faturou no primeiro semestre de 2026 um total de US$ 6,13 bilhões com exportações, o que representa crescimento de 4,3% frente ao mesmo período de 2025, apesar das dificuldades do tarifaço dos EUA e da guerra no Oriente Médio. Essa alta foi obtida com reorientação de mercados e maior diversificação de destinos, apurou a Federação das Indústrias de Santa Catarina. Diante do tarifaço dos EUA que derrubou as exportações em 31,3%, a União Europeia passou a ser o maior destino, com crescimento de 11,5% das vendas, puxadas pelo acordo com o Mercosul.
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Considerando as variações de mercado, as vendas para os Estados Unidos caíram 31,3%, no primeiro semestre ainda em função do tarifaço de 50%. Em contrapartida, além do avanço na Europa, as vendas de SC também tiveram altas expressivas no semestre ao Japão (+41,2%), México (+15,2%), Paraguai (+13,3%) e China (+10,4%).
Para o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a reorientação de vendas mostrou que empresas do estado têm capacidade de superação de dificuldades no mercado internacional.
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– A reconfiguração dos nossos destinos comerciais demonstra a resiliência e a agilidade da indústria catarinense, que conseguiu expandir sua atuação em mercados estratégicos e compensar perdas expressivas com as vendas aos Estados Unidos – afirmou Gilberto Seleme.
Sobe e desce de vendas pelo mundo
Boletim sobre o comércio exterior de SC no primeiro semestre, elaborado com a coordenação do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, apurou que os produtos de SC campeões em resiliência no exterior são as proteínas. As carnes de aves faturaram US$ 1,13 bilhão lá fora no período.
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Entre os países que registraram as maiores altas nas compras dessas carnes de SC no primeiro semestre estão a China China (43%), México (83,4%), Chile (108%), Coreia do Sul (69%) e Japão (18,3%). E os maiores recuos devido à guerra foram registrados nos Emirados Árabes Unidos (-21%) e Arábia Saudita (12,6%)
A carne suína também teve uma realidade de sobe e desce. Faturou lá fora US$ 873,9 milhões, com expansão de vendas ao Japão, que comprou 117,69% mais, seguido pela Georgia com alta de 18,56% e Coreia do Sul, 9,51%. Mas outros países compraram menos o produto, entre os quais as Filipinas (-20%), China (-23%) e Chile (-25%).
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Impacto negativo das tarifas dos EUA
O balanço do semestre deixou claro o efeito negativo do tarifaço dos EUA para SC, impactando o setor madeireiro e sem um cenário promissor.
– O resultado negativo foi concentrado no setor madeireiro catarinense, cujas vendas para os EUA despencaram 40,8%, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões no primeiro semestre – afirmou o presidente da Fiesc.
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O economista-chefe da federação apurou que o setor madeireiro começou a elevar vendas em março, após o tarifaço de 50% ter sido derrubado pela Suprema Côrte dos EUA em fevereiro. Mas o cenário segue difícil porque está em vigor o enquadramento da Seção 232 desde o ano passado, que taxa madeiras e móveis.
– A resiliência das exportações não se estendeu de forma equivalente a todos os setores: a cadeia madeireira e moveleira segue mais exposta à concentração no mercado americano, sem ainda ter encontrado destinos alternativos na mesma proporção, o que mantém a região Serrana e o Planalto Norte sob maior pressão, especialmente frente a possibilidade do segundo tarifaço – avalia Pablo Bittencourt.
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Cenário para o segundo semestre
– Olhando à frente, a entrada em vigor do acordo União Europeia-Mercosul e a possível continuidade das tensões tarifárias com os Estados Unidos devem seguir moldando essa reorientação da pauta exportadora catarinense nos próximos meses – afirma o economista Pablo Bittencourt.
Entre os obstáculos ainda indefinidos estão a intenção do governo dos EUA de taxar o Brasil em 25% em função da Seção 301 e também a restrição da União Europeia para carnes do Brasil pela falta de informações sobre uso de antimicrobianos.
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Importações crescem mais
A balança comercial de SC no primeiro semestre confirmou, mais uma vez, o ritmo de importações maior que o de exportações. As compras externas do estado cresceram 7,9% no período, totalizando US$ 18,15 bilhões.
Os destaques foram importações de matérias-primas, veículos, máquinas, equipamentos. A compra de cobre totalizou US$ 819,5 milhões (+24,6%) e as de pneus totalizaram US$ 496,5 milhões e alta de 86,5%. Entraram por SC também autopeças no valor de US$ 533,1 milhões, com crescimento de 17,31%. Também foram altas as importações de automóveis, chegando ao valor de US$ 416,3 milhões, 22% mais.
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Com o impacto da guerra no Oriente Médio, SC teve queda de -0,59% nas importações de fertilizantes. Além disso, a lista de itens importados via SC foi grande, confirmando que a diversificação de compras no exterior continua.

