A exposição internacional “Dislexia: Quando Arte” com obras de 33 artistas disléxicos do Brasil e mais 11 países, realizada no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis, no mês de outubro de 2025, virou tema central de filme. O curta “Engenhocas“, que projeta a exposição e ações paralelas a ela, teve estreia quinta-feira (16), às 19h, com exibição virtual global para os participantes da mostra e outros interessados, seguida de uma live com debate emocionante sobre essa iniciativa inédita e seus impactos.
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Cada artista pôde acompanhar o filme da sua casa, no seu país, vendo uma projeção inédita do seu trabalho. Eles são da África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Espanha, Inglaterra, Irlanda, México, Nigéria, Noruega e Portugal. O filme “Engenhocas” já pode ser visto neste link no YouTube com legendas na maioria dos idiomas.
Veja mais imagens sobre o filme “Engenhocas”:
– Nós fizemos entrevistas com artistas e pessoas que visitaram a mostra. Isso resultou num curta, um documentário de 14 minutos que projeta o poder da arte como mediadora e meio de sensibilização para mostrar a potência criativa de quem tem dislexia – afirma Nadine Heisler, diretora do filme e fundadora da exposição a partir do Instituto Domlexia.
Dislexia: inteligência, mas dificuldade para ler
O filme e a exposição chamam a atenção sobre a dislexia porque ela é um transtorno específico de aprendizagem que se caracteriza por dificuldades para aprender a ler e escrever. No mundo, em torno de 10% nascem com essa característica neurológica. Quase sempre são pessoas muito mais inteligentes do que a média, mas a maioria das escolas não sabe ensinar essas crianças a ler.
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Elas aprendem a escrever e ler de forma diferente, mais pelo método fônico, observa Nadine Heisler. Entre as áreas que se destacam está a criação e liderança de negócios. Pesquisa no Reino Unido mostrou que de cada 10 disléxicos, quatro lideram negócios de sucesso e, considerando as pessoas normais, de cada 10, uma lidera negócio de sucesso.
Uma live com muita emoção
Para o lançamento do curta “Engenhocas” – nome com base em criações diferenciadas fora da caixa – as diretora geral do filme Nadine Heisler e a diretora de Produção Karen Wassmer escolheram um horário que ficasse bom para a maioria dos artistas de vários países, por isso foi às 19h, o que ajudou a participação de pessoas da Austrália, Coreia do Sul, Nigéria e México. Ficou um pouco mais difícil só para os europeus. O filme foi produzido por Brendon Mota e Camila Gelbcke.
– Exibimos o filme numa live, que foi seguida por uma conversa histórica para nós. Foi um momento para as pessoas disléxicas se reconhecerem umas às outras, se entenderem como pessoas viáveis. Foi tão emocionante! Eu chorei muito com os depoimentos dos artistas, quase todo mundo chorou, foi uma catarse. Estávamos em umas 40 pessoas no link, de vários cantos do mundo, contando trajetórias e chorando – revelou a diretora-geral do curta.
Nadine Heisler é engenheira e alimentos graduada pela Universidade de Campinas (Unicamp), fez vários cursos de gestão empresarial no exterior e, atualmente, faz mestrado à distância pela Universidade Tampere, da Finlândia. Sempre trabalhou com treinamento. Entrou no mundo da dislexia e é cofundadora do Instituto Domlexia porque sua terceira filha é disléxica. Conseguiu identificar a dificuldade cedo e a Ana aprendeu a ler e escrever no segundo ano do ensino fundamental.
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Se descobrir disléxico
– Não tem uma mostra que a gente faça onde não tem pessoas que vão olhando ali, vão conhecendo as histórias, vão entendendo as características e vão se descobrindo disléxicas. Isso porque elas nunca tiveram acesso a saber o que era isso. Só passaram pela vida o sofrimento dentro da escola sem saber o que tinham, mas que enfrentavam dificuldades maiores do que os colegas para aprender – explica a fundadora da mostra “Dislexia: Quando Arte”, que chegou à quinta edição.
De acordo com a especialista, um dos grandes desafios é a falta de laudos para crianças disléxicas nas escolas. Em média, 10% ou mais de pessoas têm dislexia, mas nas escolas brasileiras somente 1% dos alunos apresenta laudo de disléxico. Já as ocorrências de Transtorno de Espectro Autista (Autismo) e de TDH é de 4%, mas são feitos mais laudos.
Essa falta de laudos ocorre porque a maioria das escolas não identifica o transtorno e não faz laudos. O setor público não tem equipes especializadas para fazer esse diagnóstico e muitas famílias também não percebem o problema cedo ou não têm condições de fazer um laudo particular.





