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Fiesc abre diálogo com governo federal para evitar abertura abrupta do mercado

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Por Estela Benetti
05/01/2020 - 15h59 - Atualizada em: 05/01/2020 - 16h07
Industriais de SC em uma das reuniões que tiveram com o ministro Paulo Guedes Fo
Industriais de SC em uma das reuniões que tiveram com o ministro Paulo Guedes Foto: Fiesc Divulgação

Um dos desafios do setor empresarial catarinense, este ano, é explicar em números, para técnicos do Ministério da Economia, os impactos que a redução em 50% ou mais da Tarifa Externa Comum (TEC) de importação do Mercosul causaria em cada setor econômico. Isto porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe dizem desde antes de assumir que o Brasil precisa abrir sua economia (reduzir tarifas para importar mais) para elevar o PIB. Eles propuseram corte de 50% na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) para importações ao bloco. Na teoria, isso funciona, mas na prática, diante do custo Brasil, boa parte dos setores perderia competitividade.

Industriais catarinenses, que não esqueceram os problemas da abertura desenfreada realizada pelo então presidente Fernando Collor no início dos anos 90, estão alertas. Por meio da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), conseguiram em audiência com o ministro Guedes a promessa dele de que nada será alterado sem conversar com cada setor. Segundo o presidente da Federação, Mario Cezar de Aguiar, o ministro está aberto a receber setores para entender como cada um será afetado com a redução de tarifas.

- Ele acha que tem que reduzir os encargos sobre a folha salarial. Esse é o imposto mais crucial para a geração de empregos- afirma Aguiar.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, lembra que quando as entidades empresariais começaram a alertar sobre os riscos da medida, o governo não queria ouvir sob o argumento de que o setor produtivo do Brasil precisa de um choque de competitividade. Mas a pressão e a apresentação de dados permitiram abrir caminho para que os setores sejam ouvidos. Além disso, ela diz que é preciso, paralelamente, fazer a reforma tributária no país para melhorar as condições de empresas brasileiras competirem no próprio país.

Custo Brasil Os estudos contratados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades junto a consultorias internacionais, com análises comparativas de custo Brasil versus custo de outros países, apuraram que o Brasil corre riscos, observou a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante. - As conclusões são de que o custo Brasil chega a 50% da tarifa. Então, se você não resolve o custo Brasil e abre o mercado brasileiro de maneira unilateral para qualquer um importar, vai ter uma perda de competitividade no Brasil – explicou.

Com a reforma Para Maria Teresa Bustamante, o Brasil pode reduzir tarifas de importação desde que seja feita uma reforma tributária junto. Esse erro de abrir a economia de qualquer jeito já foi cometido no governo de Fernando Collor. - Naquela época, eu trabalhava na Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Três meses depois de Collor assinar o decreto, 25 empresas de porte pequeno que tinham se organizado para produzir no Brasil chips eletrônicos fecharam as portas porque a Ásia tomou conta do mercado – destaca Maitê. A abertura de Collor no início dos anos 90 também fechou milhares de empregos do setor têxtil catarinense.

Mais pressão ao governo Moisés

Servidores fazem protesto pacífico na ponte
Servidores fazem protesto pacífico na ponte
(Foto: )

Após dar um ano de trégua para o governo de Carlos Moisés da Silva se organizar e pagar dívidas mais preocupantes, servidores estaduais começam a fazer pressão de forma mais dura para ter antigos e novos pleitos atendidos. Os policiais militares e bombeiros cobram pagamento de defasagem salarial de 40% dos últimos seis anos.

Segundo o presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), João Carlos Pawlick, essa defasagem está afetando a vida desses profissionais que têm como missão a árdua tarefa de fazer a segurança nas ruas. Um salário de pouco mais de R$ 4 mil deveria estar, hoje, com valor superior a R$ 6 mil. Na reabertura da ponte, dia 30 de dezembro, um grupo aproveitou para fazer um protesto em silêncio. O setor também defende direitos na proposta da reforma da Previdência estadual. A mudança nas cobranças vai impor pagamento de contribuição mensal sobre todo do vencimento do aposentado. Isso vai causar perda ao setor e a Aprasc defende correção do problema. Auditores cobram Outra categoria importante do governo catarinense que está cobrando direitos na reforma da Previdência é a dos auditores fiscais da Fazenda. O presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco), José Farenzena, diz que concorda com a definição de idade mínima porque as pessoas estão vivendo mais. Mas alerta que a categoria não concorda com pensão de 50%.

- A pessoa contribui por 30 anos para receber aposentadoria e a pensão será de 50%? Isso é enriquecimento ilícito do Estado – observa ele. A Assembleia de SC vai votar a proposta da Previdência em fevereiro. O presidente da Casa, Júlio Garcia, disse que os servidores serão ouvidos. Carreiras em alta No início do ano, num país ainda com elevado desemprego, muitos querem saber quais profissões estarão em alta. Para o diretor de Inovação da Fiesc e superintendente da Fundação Certi, José Eduardo Fiates, carreiras que estão em alta no setor de tecnologia são as de desenvolvimento de software, outras voltadas a Big Data, Blockchain e antalytics. Como se preparar? Fazendo cursos de pequena duração.

Internet das coisas

A aplicação extensiva de inteligência artificial e internet das coisas (IoT), também chamada de Indústria 4.0 seguem em alta no setor de tecnologia. Mas a economia também tem demanda por engenheiros de computação e outros. Para ingressar nesses setores, é preciso fazer cursos de engenharia da computação ou outras engenharias.

Economia criativa Não é só o mundo complexo do desenvolvimento de sistemas que interessa. É crescente a demanda por soluções e programas na economia criativa. Segundo José Eduardo Fiates, essa área envolve design, cinema, audiovisual, jornalismo, gastronomia e cultura. Entre as demandas estão o desenvolvimento de Apps para essas áreas.

*Este post contém as notas da minha coluna da Revista DC, veículo impresso do dia 04/01/2020

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Estela Benetti

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Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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