Entidade estadual mais atuante em negócios internacionais, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) informa que acompanha com atenção o desenrolar da situação na Venezuela e considera que ainda é prematuro apontar potenciais impactos na indústria catarinense. Observa que o comércio bilateral com o país é pequeno, mas está preocupada com eventuais efeitos na vinda de trabalhadores e nas negociações Brasil-EUA pelo fim do tarifaço.

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De acordo com o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a expectativa da federação é que o posicionamento brasileiro não afete as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos para pôr fim ao tarifaço. A expectativa é de que as conversas nesse sentido se mantenham baseadas em critérios técnicos, observou o presidente.

Outro ponto que preocupa a Fiesc é a situação migratória, que tem favorecido a vinda de trabalhadores, necessários para a atividade de diversas empresas porque SC tem pleno emprego. Segundo a entidade, relatório da Operação Acolhida mostra que 27,2 mil venezuelanos foram interiorizados para Santa Catarina entre abril de 2018 e janeiro de 2024.

– Hoje, a indústria de SC conta com a força de trabalho de venezuelanos para preencher vagas e atender a demanda crescente por mão de obra. Dependendo do que veremos para frente, existe a possibilidade de o país se tornar novamente atrativo para esses imigrantes – afirma Gilberto Seleme.

Levantamento feito pela federação mostra que o comércio bilateral entre SC e a Venezuela é pequeno. No ano de 2025, respondeu por apenas 0,24% das exportações e 0,12% das importações do estado.

O produto de SC mais exportado para a Venezuela é um tipo de máquina agrícola, que somou vendas de US$ 15 milhões de janeiro a novembro de 2025. E os produtos mais importados de lá são adubos e fertilizantes, que representaram 3% das compras externas catarinenses desse setor, totalizando US$ 126 milhões. Depois, na sequência, vem a importação de um tipo de alumínio bruto, cujos negócios somaram US$ 93 milhões. A Venezuela é o terceiro maior fornecedor desse produto ao estado.

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