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Entrevista

"Foi um ano perfeito", diz Luciano Hang

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Estela
Por Estela Benetti
20/12/2019 - 06h37 - Atualizada em: 20/12/2019 - 06h58
Foto: Estela Benetti
Luciano Hang comemora os resultados de 2019

A rede de lojas Havan, de Brusque, está fechando o ano de 2019 com 141 lojas, faturamento próximo de R$ 11 bilhões e lucro líquido da ordem de R$ 1,2 bilhão. O presidente da rede e praticamente único sócio, Luciano Hang, disse que está muito feliz com os resultados. Questionado se essa expansão melhor está ligada ao seu ativismo político nas redes sociais, disse que não iniciou essa exposição com tal objetivo, mas foi para evitar a vitória do PT que levaria ele a vender a empresa porque o Brasil se tornaria uma Venezuela. Ele falou com a coluna segunda-feira, na ampla sede da empresa em Brusque, quando também dedicou tempo para enviar mensagem no Twitter criticando a ameaça de greve dos caminhoneiros, o que chamou de iniciativa errada da CUT e recebeu o jogador Túlio Maravilha, que foi estrela do Botafogo, e esteve na Havan para buscar apoio a um projeto esportivo que desenvolve.

Nesta entrevista, Hang falou sobre expansão da empresa, defendeu a privatização de todas universidades federais e falou sobre esportes. Disse que espera fechar o patrocínio ao Vasco até o final do ano.  

Como a Havan está fechando 2019?

Devemos passar de 45% de crescimento do faturamento sobre 2018. O primeiro semestre para nós foi excelente. Com o decorrer do final do ano a gente caiu um pouquinho. Mas deve ser acima de 45% este ano.

O que motivou esse ritmo menor no segundo semestre?

Nós nos dedicamos um pouco mais a verificar nosso crédito. Mas tudo sob nosso controle. Nós aceleramos, reduzimos, vamos para frente, para trás, mas 2019 a gente entrou com tudo achando que iria ser um ótimo ano, aceleramos e acertamos. Nos dedicamos, fomos muito otimistas e acertamos. Será o maior faturamento da nossa história e o maior lucro líquido também. Vamos faturar próximo de R$ 11 bilhões e o lucro vai superar R$ 1 bilhão. Ou seja, a Havan passa a casa de R$ 1 bilhão de lucro em 2019.

Quantas lojas vocês abriram neste ano?

Vamos abrir este ano 21 lojas, chegaremos a 141 no país. O total de empregos, a gente saiu de 16 mil e vai acabar o ano com 22 mil colaboradores. Geramos seis mil novos empregos. Este foi um ano perfeito. Superamos todas as metas. Investimos em lojas cerca de R$ 700 milhões.  

Mesmo com o baixo crescimento do PIB, perto de 1% no ano?

Imagina a hora em que o PIB crescer 2%, 3%. A gente criou uma empresa de R$ 3 bilhões este ano. Saímos de R$ 7,3 bilhões de faturamento para R$ 10,5 bilhões ou mais. Criamos uma empresa de 6 mil colaboradores e mais de R$ 3 bilhões de receita em 12 meses. Estamos muito felizes.

E para o ano que vem qual é a expansão prevista?

A nossa intenção é acabar o ano com 165 lojas, sendo que queremos fazer 15 lojas no primeiro semestre. Vamos acabar o ano com 25 mil a 27 mil colaboradores e um faturamento de R$ 15 bilhões. Serão abertas de 20 a 25 novas lojas.

Quais são suas expectativas para a economia em 2020?

Estou muito otimista para 2020. Temos baixa inflação, as taxas de juros mais baixas da história, as pessoas terão que trabalhar, investir para ganhar dinheiro. Não poderão mais ser rentistas, aplicando dinheiro no banco. Aliás, tem uma frase portuguesa que eu gosto. Aplicar dinheiro no banco é empobrecer alegremente. As pessoas precisam investir e arriscar seu dinheiro agora, para que possam gera mais empregos e riquezas no nosso país. Eu, Luciano, estou sempre endividado. Eu só não invisto tudo o que eu ganho e pego mais dinheiro para investir porque acredito no país. Todo o nosso lucro é reinvestido na empresa e, quando não dá, a gente pega mais dinheiro para investir. Então, em 2020, invista o seu dinheiro e pegue mais dinheiro para investir porque esse país dos próximos anos vai ter um crescimento.... Aliás, um amigo meu voltou dos EUA e lá estão dizendo que o Brasil é a bola da vez dos investimentos. É tão difícil para o estrangeiro investir no Brasil e o brasileiro sabe o caminho das pedras.

Quanto a Havan vai investir no ano que vem?

Neste ano, investimos cerca de R$ 700 milhões. Como fizemos uma empresa de R$ 3 bilhões, os investimentos considerando capital de giro (contas a pagar e contas a receber) foi um investimento de R$ 1,5 bilhão.

E para o futuro, vocês pretendem continuar investindo assim?

Pretendemos chegar em 2022 com 200 lojas. Se continuarmos a crescer nesse ritmo, vamos chegar a 200 lojas no primeiro semestre de 2022.

Como a Havan está grande no Brasil, o senhor pensa em internacionalizar. Abrir na América Latina, Estados Unidos?

Não. Eu acho que cabe 500 lojas, no mínimo, no Brasil. Estamos com 140. Então, temos mais 360 lojas para fazer. Nos próximos 30 anos teremos serviços e no Brasil. Não na Argentina, no Uruguai, Paraguai. Será dedicação total ao Brasil, geração de empregos, comprando de indústrias daqui. Na nossa empresa, os produtos importados representam de 5% a 10% do total. 90% a 95% do que nós vendemos é nacional.

Onde é produzido?

Os têxteis são fabricados aqui no Vale do Itajaí principalmente. Os demais produtos, compramos de fornecedores de todo o Brasil. A Havan é o maior parceiro das indústrias nacionais de consumo.

O perfil do seu projeto é com lojas físicas. Mas a gente está vendo o mundo mudando, com mais compras virtuais. Nos EUA, há shoppings fechando devido ao avanço de vendas online. Vocês vão ter mais lojas virtuais?

Nós temos um pé no e-commerce. É uma loja para a gente. Mas achamos que a tecnologia e a inovação ajuda a Havan a se desenvolver cada vez mais em atender cada vez melhor seus clientes. Temos uma área de tecnologia da informação com mais de 200 colaboradores, preocupados com tecnologia, inovação, no digital como forma de atender cada vez melhor o nosso cliente. Mas entendemos que as lojas físicas vão continuar, desde que encantem o cliente. Então, estamos fazendo lojas cada vez mais bonitas, mais modernas para encantar os clientes. Temos uma meta assim: pessoas encantando pessoas e tecnologia encantando a todos. A tecnologia vem para somar com o mundo físico. Não vai funcionar só comprar no mundo digital. Então a gente apresenta para os nossos clientes uma área grande com estacionamento e lojas lindas com mais de 100 mil itens. A Havan vai continuar fazendo o trabalho dela. Lá fora, quebraram empresas que não tinham condições de se manter no mundo atual. Eu visito muitas lojas fora e olhando a loja eu vejo que não bate o produto com o cliente da loja. As coisas são desconexas.

Pode explicar mais isso?

A Havan chega cada vez mais próxima do cliente, com produtos cada vez mais modernos, com moda, tendência e o melhor preço para atender todas as classes sociais. O que falta para o brasileiro é dinheiro no bolso. A hora que nós colocarmos poder de compra para os brasileiros, isso vai ser uma grande festa. Eu estive recentemente na Coreia do Sul, onde o mundo é digital, mas os shoppings estavam lotados, as lojas estavam lotadas e as pessoas comprando. O que falta para o brasileiro é dinheiro no bolso. A hora que tiver pleno emprego, o Brasil será outro país.

Por que o seu negócio tem sintonia com os clientes?

Digo isso porque eu vivo a nossa empresa 24 horas por dia. Temos sintonia com os clientes. Quando vi essa notícia de lojas fechando nos EUA, eu mandei uma mensagem para o meu filho queestuda lá e ele disse que quem fechou lá foi por incompetência, porque não estavam mais atendendo as necessidades dos clientes. A Havan tem uma dedicação ao cliente. Tanto é verdade que a gente cresce este ano 45%. Não existe no país uma empresa de comércio que vai crescer isso. Nenhuma.

O fluxo de público nas lojas também é crescente?

Sim. Nós crescemos, no primeiro semestre, 35% nas mesmas lojas. Crescemos 60% no período.

Quanto por cento das vendas da Havan são virtuais ou nas lojas físicas?

Temos dois tipos de vendas virtuais. A do e-commerce para entregar nos endereços das pessoas e outro tipo em que a pessoa compra pela internet e só vem na loja buscar os produtos. Cada vez que você melhora a sua tecnologia, estamos fazendo isso com o nosso RFID (CPF da roupa). As pessoas, no futuro, vão poder passar com o seu carrinho pelos caixas, tudo é lido, passa o cartão e vai embora. Estamos buscando tecnologia para que não haja atrito entre cliente e loja. Hoje, na compra de eletrônico já temos um sistema que lê o rosto e identifica o cartão da pessoa. Vamos seguir encantando o cliente, mas o mundo digital não vai ser a única forma de vender produtos.

Esse crescimento da sua empresa acima da média tem algo a ver com o seu ativismo político? Qual é o impacto disso no negócio?

Eu não sei se ajuda ou atrapalha. Mas eu não entrei na política para me beneficiar. Quando eu entrei, em janeiro do ano passado, eu disse que seria um ativista político, não teria candidato, não tinha partido político, eu ia me dedicar ao país. Eu até acho que, talvez, se eu ficasse atrás do muro eu não perderia nem A nem B. Mas eu acho que empresário bom é o empresário que tem a coragem de mostrar a cara, sair de trás do muro e lutar pelo país. Ser um ativista, ser um voluntário, fazer com que o nosso país possa melhorar. Não adianta eu ser um bilionário e, em volta, ter miseráveis. Por isso que eu sempre preguei que os nossos colaboradores comprassem produtos do Brasil. Comprar de fora só se for 30% a 40% mais caro aqui. Isso é para gerar emprego na indústria porque nenhum país vive só do varejo, dos serviços. Tem que viver da indústria, temos que fortalecer a indústria. Se no ano passado, se eu não tivesse me dedicado à política e nós tivéssemos perdido a eleição para o PT eu, particularmente, ia desistir, ia vender a minha empresa, porque o Brasil viraria uma Venezuela. Ou nós temos a coragem de falar a verdade, nos expressar e mostrar aquilo que é certo ou errado ou, quem não entende de nada toma o poder e faz com que todos nós viremos pó, quebramos nossas empresas e o desemprego toma conta do país.

O senhor saiu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes, com dados relativos a 2018...

A nossa empresa não está na bolsa de valores. Aí as pessoas tinham dificuldades em acessar nossos números. Mas desde os últimos três anos passamos a divulgar nossos dados e aí eles estão valorizando a nossa empresa com base nas empresas dos outros, fazendo comparações. Aí eu passei a figurar na lista da Forbes.

Pretende abrir o capital da Havan na bolsa?

Estou começando a pensar. Eu nunca pensei porque eu tenho um estilo próprio de tocar negócios. Por que a maioria das pessoas abre na bolsa? Porque tem sócio ou precisa de capital. A Havan é uma empresa de um único dono e não precisa de capital. Eu preciso de capital, mas pego de banco. Acho que talvez a Havan seja a maior empresa brasileira de um único dono porque todas têm sócios.

Nem sua esposa e filhos são sócios?

Não. Sou sozinho. Eu tenho 99,9% do capital e aí tem zero e alguma coisa de outra empresa, mas é empresa nossa também. Então é uma empresa de um único dono. Aí ela tem mais velocidade para correr. Você não tem ninguém nas costas. Corre sozinho.

Quem inspira o senhor?

Vários. Estou lendo o livro Titãs da história. Mas eu leio biografias e outros. O livro que mais me encantou ultimamente é o Originais. Eu acho fantástico ter ideias originais, ser original, não ligar para o ridículo. Isso tudo é comigo. Não dou bola para nada. Eu tenho o meu mundo. No meu mundo não entra notícia ruim, não me deixo influenciar, não vejo coisa que eu não quero, não leio o que eu não quero. Você se blinda de coisas ruins.

O senhor sempre foi assim?

Acho que cada vez mais eu sou assim. Acho que você não pode ser influenciado. Se tem força de vontade, autoestima, não pode se deixar influenciar por outras pessoas.

O senhor é disléxico. A dislexia ajuda ter essa posição nos negócios?

As pessoas precisam saber mais sobre dislexia. Precisamos fazer outro simpósio aqui em Brusque. Fizemos dois. Foram enormes. O primeiro foi com 1,2 mil pessoas. Transformei a vida de muita gente. O disléxico é uma pessoa com alta capacidade, criativo e que só tem dificuldade de aprender a ler quando jovem e, depois na vida adulta ainda tem dificuldades. Se você falar algo curto para mim, eu tenho dificuldade para entender. Eu sou visual, eu tenho que escrever e ver para captar. Se eu só escuto ou só leio em voz baixa eu não consigo absorver. Mas não foram essas dificuldades que me fizeram ficar para trás. Elas fazem eu ir para frente. Várias pessoas famosas são disléxicas. O Richard Branson (empresário inglês dono da Virgin) começa o segundo livro dele dizendo: Eu sou disléxico. Outros famosos também são, como Walt Disney e Albert Einstein. Nós só temos que aprender de que forma nós aprendemos, e depois pega.

Como reduzir a pobreza no Brasil?

A pobreza, no Brasil, é porque o empreendedor não consegue montar a sua empresa. Então, como se mantém o poder no Brasil? Mantendo todo mundo na miséria. Quando todo mundo depende do Estado, de bolsas para sobreviver, a esquerda ganha eleição. Por que que a esquerda odeia a classe média e mais ainda os empreendedores? Porque são essas duas classes que conseguem bater de frente com ela. Eu quero um país onde haja excesso de empresas, de empregos e as pessoas possam escolher onde querem trabalhar e que salário querem ganhar. A partir desse momento, vamos exterminar a esquerda no Brasil. Países onde a esquerda é forte, o povo é pobre. Países onde os políticos são fracos, o país é rico. Não chegamos aqui de graça. Políticas erradas e educação errada quebraram esse país. Só vivemos essa tristeza porque quebraram o país em 2015.

Se fala muito que o caminho para reduzir a pobreza é a educação. De que forma é possível melhorar a qualidade do ensino no Brasil?

Primeiro, precisamos mudar os livros. Estamos estudando pelos livros errados há muito tempo. Você vê advogado comunista, repórter comunista, até empreendedor. Empreendedor não porque logo depois ele quebra a cara. Todo esse pessoal da área de humanas, vejo muitas pessoas de história, sociologia... Esse pessoal que estuda ciências humanas e fica estudando a mesma tese durante 100 ou 200 anos, pode ser de esquerda. Agora, se você vai montar um negócio que depende de lógica e não tem lógica, normalmente você quebra a cara e perde a empresa. Normalmente, esse pessoal ou é de direita ou de esquerda. No Brasil, se montou faculdades, faculdades e faculdades para doutrinar os jovens pelo livro errado. Não adianta você estudar pelo livro errado. Quanto mais você estuda, mais idiota você fica. Mas o cara fez faculdade? Não adianta ter feito faculdade se estudou os livros errados.

E quais são os livros certos, na sua opinião?

São livros que mostram que um mais 1+1 é igual a 2. Eu estudei tecnologia da informação. Para você fazer um programa (sistema de computação) precisa ter lógica. Se não fizer com lógica não funciona. Então, eu acredito nos bons livros de matemática, ciências e inovação e não em faculdades que ensinam ideologias erradas como o socialismo, comunismo, gramscismo, globalismo, progressismo. O Brasil tem a pior qualidade de comunista do mundo. Se você for para alguns países socialistas tem ordem, tem progresso, os valores familiares funcionam. O Brasil tem os piores comunistas. Dizem que a China é comunista. A China é um país capitalista ao extremo. Se diz comunista, mas de comunista não tem nada. Eu vivo lá há 30 anos. Vai ver a limpeza das cidades, das ruas. Não tem nada pichado, a educação é séria. Aqui, é terra da mãe Joana, pode pichar. Aqui, o ladrão tem mais voz do que o policial, o Exército foi subjugado e quem foi idolatrado foram os guerrilheiros. É uma inversão total de valores pregada por malucos e idolatrado pela grande mídia.

O senhor importa da China? Diz que está há 30 anos lá.

Importo da China, da Índia, Europa, da República Tcheca, mas é ínfimo perto do que nós compramos de indústrias nacionais.

O senhor vai ter participação política nas eleições municipais do ano que vem?

Não! Eu quero não me meter. Serão muitos municípios. Eu brinco! Digo que eu jogo o campeonato nacional. Não no estadual e no municipal. É claro que, na minha cidade, talvez eu queira que não ganhe o PT porque onde esse partido entra é como água de bateria. Ele destrói tudo.

Acha que o PT poderá ganhar a eleição em Brusque?

Não, não! As pessoas abriram os olhos, estão com a cabeça aberta. Eu digo que a esquerda começa como presidente de bairro, vai para vereança, vai para prefeito, vai para deputado e chega à Presidência. Nós fomos os culpados de votar errado lá no princípio.  Eu nunca acreditei no discurso da esquerda. Sabe por que? Porque eles sempre eles pregaram que eles eram diferentes de todo mundo. Quando eles chamavam todo mundo de sacana, de corrupto e diziam que eles eram os únicos certos eu concluí que esses caras eram sacanas, eram errados. E depois todo mundo viu que eles são os mais corruptos, os mais incompetentes, os mais comunistas e com isso nada funciona. Se desse certo, todo mundo iria para Cuba e para a Venezuela. Aliás, quando os ditadores são obrigados a deixar o poder nos seus países vão para os Estados Unidos, para outros locais. Ninguém vai para Cuba ou Venezuela. Nem os amigos dos ditadores. Porque o Lula não vai pra lá, o Zé Dirceu não vai pra lá. Eles ficam aqui enchendo o saco.

O senhor não é filiado a partido...

Não sou filiado a partido, não vou me filiar e não vou me candidatar.

Em 2022 temos eleição presidencial. O senhor vai apoiar Bolsonaro caso ele seja candidato à reeleição?

Do jeito que está, eu apoio o Bolsonaro.

Qual é a sua opinião sobre a política econômica do governo de Jair Bolsonaro? O que está bom e o que não está?

Olha, o Bolsonaro tem a melhor equipe de ministros da nossa história. Hoje a gente sabe o nome do Paulo Guedes, do Sérgio Moro, do Tarcísio (o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas), da Damaris Alves, nós sabemos praticamente o nome de quase todos os ministros. Que coisa boa isso! E do nosso melhor ministro de Educação da nossa história, dos últimos anos, o meu amigo Abraham (Abraham Weintraub). Esse Abraham eu conversei com ele horas por telefone. Você não imagina a capacidade dele.

 Mas ele é muito criticado...

É criticado por esse pessoal que acabou com o país. Se a esquerda critica um ministro, ele está no caminho certo. Se eles batem palma, troca porque está no caminho errado. O ministro da Educação pegou o maior abacaxi do governo. Ele tem 300 mil funcionários trabalhando, doutrinando os nossos jovens para serem esquerdopatas, para serem zumbis. Trocar isso tudo não vai ser fácil. As faculdades federais brasileiras poderiam ser fechadas, são uma vergonha. As universidades federais brasileiras dão os melhores cursos para as pessoas mais ricas do país. Eu sou a favor de alunos pobres, inteligentes e esforçados ganharem bolsas de estudo. Agora, rico tem que pagar a sua universidade. O meu filho tem que estudar de graça? Não! Tem que pagar. Pega aí os melhores cursos das universidades federais. Quem estuda são os ricos.

Por isso que o senhor critica as universidades federais? Mas elas têm suas virtudes...

Não têm virtude nenhuma.

Há muita inovação desenvolvida nas universidades federais

Os Estados Unidos não têm uma universidade federal.

Eles têm sim. A da Califórnia é federal.

Mas a Califórnia é o berço da esquerda americana. A Califórnia é democrata. O estado quebrou uma vez. O Arnold Schwarzenegger (do partido republicano) foi lá e resolveu o problema financeiro deles. Eu estou falando que eu sou a favor de bolsa de estudo para pobre, inteligente, esforçado, dedicado, que não falta as aulas. Hoje eu vejo universidades brasileiras pichadas, pessoas consumindo drogas, onde as pessoas podem demorar 10 anos, 12 anos para concluir um curso. Muitos vão lá para serem militantes de esquerda, no DCE (Diretório Central de Estudantes). Em que país nós vivemos? Aí deixam de colocar o dinheiro nas escolas de base. Olha a nossa posição no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Somos um dos últimos países colocados. A nossa educação básica é ruim. Se você dá base para as pessoas elas podem fazer cursos profissionalizantes, escolher outros caminhos. Parece que aqui no Brasil todo mundo tem que ter uma universidade. Eu não vejo isso. Nos EUA você paga a universidade ou ganha bolsa de estudo. Agora, as universidades federais estão mais paradas que andando. Os cursos de humanas não melhoram nada a nossa economia. Sou contra as universidades federais do Brasil. São um antro de esquerdopatas.

Acha que deveriam ser todas privatizadas?

Deveriam ser todas vendidas. Eu fiz o cálculo. Numa universidade federal, o custo de um aluno por ano é R$ 50 mil, enquanto nas privadas é R$ 5 mil, R$ 12 mil. Ou seja, nós estamos pagando cinco vezes mais para um aluno. É caríssimo. O brasileiro não vê isso. Foi doutrinado para achar que isso está certo. Vende tudo e dá bolsa de estudo para pobre, inteligente e esforçado. Deu! O resto que vão pagar. A nossa primeira universidade em nível mundial está na posição 157. É uma vergonha.

O senhor está negociando com a diretoria do Vasco um patrocínio causou polêmica de torcedores nas redes sociais? Como estão as negociações?

Estamos vendo a possibilidade. Me interessa muito patrocinar o Vasco porque é uma grande torcida. Os vascaínos caíram em peso em cima das nossas redes sócias. Eu vejo que alguns que têm uma ideologia que não combina com a minha de repente não gostariam que a Havan fosse a patrocinadora. Mas a esmagadora maioria dos torcedores quer o Vasco cada vez mais forte e, para isso, ele precisa de parceiros que apoiem o time. Eu recebi aqui na semana passada o presidente do clube, Alexandre Campello. Fiquei muito feliz com a visita e estamos negociando. Quem sabe a gente tem uma boa notícia para o Natal ainda.

O senhor torce para que time de futebol?

Quando eu era jovem, eu era vascaíno. A gente não troca de time, mas acabei me dedicando, nos últimos anos, ao projeto do Brusque. E como somos uma empresa nacional, estamos sempre escutando propostas de times de futebol. Hoje, nós estamos (com patrocínio) na Chapecoense, no Atlético Paranaense, no Cascavel e no Brusque. Estamos patrocinando desde esporte paraolímpico, até voleibol e basquetebol. Patrocinamos muitos esportes nacionais. Então o Vasco pode ter a Havan como parceira. Estamos negociando.

Então o senhor torce só para o Brusque?

Quando eu patrocino um time, passo a ser um admirador e torcedor daquele time também. Visto a camisa e vou aos jogos.  

Pode antecipar valor da proposta do Vasco?

Nós estamos vendo propostas no Brasil todo. Como estamos analisando propostas do Vasco, temos outras no país.

Quais são os outros clubes?

Estamos sempre abertos a propostas no Brasil todo.

Os resultados com os patrocínios ao esporte têm sido satisfatórios para a Havan?

Acho que a Havan tem clientes de todas as classes sociais, que praticam ou acompanham todos os esportes. Patrocinar é gerar empregos. Quanto mais nós vamos crescer, mais vamos patrocinar. Eu acho que daqui a alguns anos vamos apoiar ainda mais esportes porque seremos uma empresa ainda maior.

A empresa já patrocinou o Internacional e o Grêmio uma vez. Gostaria de investir nesses times de novo?

Fizemos um patrocínio para

um período curto, no final da Copa Brasil de 2016. O Rio Grande do Sul respira futebol. Queremos estar novamente lá.

Que esportes o senhor pratica?

Esqui na neve. É um esporte que você pode praticar até os 80 anos.

Não tem medo de acidente?

Não. Eu gosto de desafios. Desço pista que parece uma parede.

Que tipo de atividade física o senhor faz para cuidar da saúde?

Eu faço academia todos os dias quando estou em Brusque, inclusive nos fins de semana. Faço uma hora por dia.

O senhor encarou com humor o apelido de Velho da Havan, mas não é tão velho assim.

Eu tenho 57 anos. Comecei a vida agora. Eu acho que a maior juventude está na cabeça. Semana passada eu me dediquei a ir dormir apenas quatro a cinco horas por noite. Concluí que a minha cabeça é muito jovem e, talvez, quem sofre é o meu corpo, que fica estressado. Nos fins de semana durmo um pouco mais e compensa. Mas estou sempre a mil por hora. A cabeça é que nos move para qualquer desafio. 

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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