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    Frigoríficos do Brasil podem adotar suspensão voluntária de exportações à China

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    Por Estela Benetti
    17/08/2020 - 16h45 - Atualizada em: 17/08/2020 - 17h48
    O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra
    O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra (Foto: ÉdiPereira, ABPA, Divulgação)

    As agroindústrias brasileiras de carnes poderão atender pleito do governo chinês de suspender voluntariamente os embarques de plantas que tiverem trabalhadores que testarem positivo para a Covid-19. A Associção Brasileira de Proteína Animal (ABPA) está fazendo uma sondagem sobre isso na tarde desta segunda-feira e deverá informar a decisão nesta terça-feira, informou para a coluna o presidente da entidade, Francisco Turra. Segundo ele, a tendência é seguir a sugestão da Administração-Geral de Alfandegas da China (GACC) porque plantas de diversos países, inclusive uma do Brasil, que atenderam essa sugestão conseguiram retomar mais rápido as exportações ao gigante asiático.

    - Nos países onde os frigoríficos fazem a auto-suspensão, eles estão conseguindo um retorno mais breve das vendas. Até no Brasil teve uma unidade de bovino de Rondonópolis, Mato Grosso, que pediu auto-suspensão e já voltou a exportar enquanto os que a autoridade sanitária chinesa pediu suspensão ainda não voltaram – explica o presidente da ABPA.

    Francisco Turra lembra que o Brasil tem quatro unidades no Rio Grande do Sul, da BRF e JBS, que tiveram a produção suspensa pela Justiça e, com base nisso, as autoridades sanitárias chinesas pediram a suspensão das vendas. Contudo, ainda não conseguiram reabrir as exportações aos chineses mesmo negociando há um mês e meio com apoio do Ministério da Agricultura. Seguem sem poder exportar para a China uma planta de frango e outra de suíno de Lajeado, uma de suíno de Três Passos e uma de aves de Passo Fundo.

    De acordo com o presidente da ABPA, as agroindústrias brasileiras não aceitaram a sugestão do GACC feita há cerca de 15 dias porque estão bastante seguras dos cuidados que vêm tomando para evitar que trabalhadores com Covid-19 entrem nas unidades. Essa segurança vem do uso de equipamentos e da série de medidas como testagem de temperatura e afastamento de pessoas com sintomas ou com familiares que apresentam sintomas. Mas diante das facilidades maiores de retomar no caso de suspensão pela própria China, a tendência é de que sigam essa alternativa apresentada pelo país há 15 dias.

    Até porque, como as unidades gaúchas foram fechadas pela Justiça, o Ministério da Agricultura sugeriu à China suspender compras no caso de plantas fechadas por essa autoridade brasileira, reabrindo logo que sejam autorizadas a retomar a produção. Contudo, até agora a autoridade chinesa não deu resposta a esse pleito. Então, a opção melhor é a da GACC. Vale lembrar que o mercado chinês está comprando 17% das exportações de carne de ave e 40% das exportações de carne suína do Brasil. 

    Sobre a polêmica em torno de traços de coronavírus encontrados na China em embalagem de carne de ave da Aurora Alimentos, unidade de Xaxim, Turra falou que foi uma informação de imprensa, de vírus inativo numa superfície do produto, sem esclarecer onde ocorreu a contaminação. Diante dessas informações, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) falou que não tinha risco de contaminação e a empresa pôde seguir sua atividade, inclusive exportando para a China.

    A ABPA também ficou preocupada com a decisão da Tailândia de suspender compra de frango do Brasil em função dessa informação chinesa. Conforme Francisco Turra, a notícia saiu numa rede social. O Ministério da Agricultura solicitou uma informação oficial do governo tailandês, a partir da qual entraria com uma representação contra o país na Organização Mundial do Comércio. Até a tarde dessa segunda-feira o ministério não havia recebido a informação oficial do governo do país asiático.

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