A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) realizou nesta quinta-feira (16) o Radar Tech, um evento para pensar o futuro do setor com ênfase em tecnologias e competitividade. Nesta fase em que a inteligência artificial generativa tomou conta do setor de tecnologia no mundo todo, os gestores e especialistas que participaram dos debates na Fiesc alertaram que a indústria catarinense precisa investir mais em robôs e outras tecnologias para alcançar maior produtividade.

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O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, que abriu o evento, fez uma abordagem tranquilizadora, a de que a automatização e a robotização não vão gerar desemprego. Ele afirmou que os robôs são aliados essenciais contra o atual apagão de mão de obra.

– Essas tecnologias são uma realidade que precisa estar em nossas fábricas. Na experiência da minha empresa, os robôs não geraram demissões; o aumento da produtividade criou novas demandas – afirmou Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

Um dado que mostra claramente como a concorrência da indústria enfrentada pelo estado avança no mundo foi o apresentado pelo diretor regional do Senai Santa Catarina, Fabrizio Pereira: enquanto a China conta com 400 robôs para cada 10 mil trabalhadores, no Brasil são apenas 17 robôs na mesma comparação, para cada 10 mil trabalhadores.

Ele também informou que a China elevou em 488% em cinco anos o uso de tecnologias. O Brasil, nesse mesmo período, teve avanço de apenas 33%.

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O especialista Gil Giardelli, que também palestrou no Radar Tech, promovido pela Fiesc, destacou que algumas tarefas repetitivas, que consomem muito tempo ou são arriscadas, não precisam mais ser feitas por trabalhadores humanos. A robotização e soluções de IA podem ser as alternativas nesses casos. Mas os trabalhadores terão que se preparar para serem os operadores dessas tecnologias.

O coordenador de Engenharia de Tecnologias Avançadas da WEG, Henrique Bresolin, afirmou no evento que, na empresa, inovação pilar estratégico. Por isso, todos estão engajados em melhorias, do porteiro ao presidente.

Na DR Aromas e Ingredientes, a transformação com tecnologias e inteligência artificial foi por um olhar para dentro, destacou o gerente de tecnologia da companhia, Rafael Dall’Anese. A empresa centenária foca em três pilares: analytics (orientação por dados), IA e uma “torre de controle” para monitoramento total da jornada produtiva.

O diretor de Desenvolvimento Industrial e Inovação da Fiesc, José Eduardo Fiates, alertou que a indústria que não der uma virada radical rumo à tecnologia deverá ter dificuldades.

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– É uma virada em diversos sentidos: vira para os lados para identificar a solução, vira de ponta cabeça para rever os conceitos; vira fora, derrama práticas, processos que não servem mais; é o vira de ‘se vira e resolve o problema’. Vira de se orientar na direção correta, é um vira de se transformar. Essa é a única alternativa para nós – ressaltou José Eduardo Fiates.

A conclusão do evento é que a adoção dessas novas tecnologias não é mais uma opção, mas uma condição necessária para que a indústria catarinense sobreviva e cresça tanto no mercado interno, quanto no mercado externo.