Empresas e consumidores estão em contagem regressiva para a entrada em vigor do acordo Mercosul e União Europeia, que começa dia 01 de maio, próxima sexta-feira. Em Santa Catarina, tanto exportadores quanto importadores se mobilizam para ampliar negócios com o mercado europeu, que cresceu 10,7% nas vendas externas estaduais de 2025 e ficou em segundo lugar em faturamento no ano. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Gilberto Seleme, lidera nestes dias missão empresarial na Espanha visando mais vendas externas.
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A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Maria Teresa Bustamante, destaca que a entrada em vigor do acordo requer atenção sobre oportunidades, novas taxas e regras a serem seguidas. A empresária Aline Faraco, fundadora e gestora da empresa Faracomex, que assessora comércio exterior, diz que indústrias de SC estão prospectando mercados na Europa enquanto importadores aceleram compras de itens europeus com taxas menores.

– Como os acordos estão formalizados no ordenamento jurídico, as exportações brasileiras e importações com origem na União Europeia tramitam de forma prática no âmbito aduaneiro (não existe a necessidade de novas providências). Apenas os operadores de comércio exterior têm que indicar nos formulários que se trata de embarques ao amparo do acordo Mercosul-UE. E os produtos, ao chegarem em portos ou aeroportos, devem ser desembaraçados com a aplicação das novas tarifas – explica Maria Teresa Bustamante.
Na lista com alíquota zero desde o início estão carnes de aves, motores elétricos, móveis, lenha, partes de madeira, compressores de ar e outros. Para ver exatamente quais têm vantagens e regras necessárias, Maitê recomenda pesquisar no TARIC (Integrated Tariff of the European Communities).
– As regras a serem aplicadas a partir de 01/05/2026 são as que constam no acordo assinado e internalizados no Brasil e na União Europeia. Além disso, as empresas que exportam precisam cumprir as regulações técnicas e aduaneiras de cada produto.
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Aline Faraco informa que empresários estão buscando oportunidades de exportação para a Europa. Uma das empresas que solicitaram estudo é de beneficiamento de arroz.
Mas Aline Faraco observa que o maior movimento em torno do novo acordo vem de importações porque diversos produtos europeus ficaram mais baratos no Brasil. Então, empresas que importam da Europa estão comprando mais. Nesse grupo, estão empresas que atuam com equipamentos de saúde e geração de energia limpa.
O acordo está entrando em vigor de forma provisória porque o parlamentou europeu pediu para a Justiça analisar o acordo. Mesmo assim, já começa a impulsionar negócios em ambos os lados do Atlântico porque o mercado internacional ficou mais difícil diante das tarifas americanas e guerras.
Fiesc realiza missão empresarial na Espanha
Grupo de empresários catarinenses participa de missão empresarial à Espanha, liderada pelo presidente da Fiesc, Gilberto Seleme. O objetivo é ampliar negócios, já aproveitando o novo contexto do acordo Mercosul e União Europeia. O primeiro vice-presidente da Fiesc, Carlos Odebrecht, também participa da viagem que inclui uma série de encontros com lideranças do país europeu.
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De acordo com Seleme, a Espanha é importante porque ela tem porta de acesso para a Europa e para a África. A perspectiva para o setor é bastante positiva, com interesse em investimentos em setores-chave como manufatura, agroindústria, energia e tecnologia, observa o industrial.
A programação teve o Encontro de Negócios Espanha x SC – Aliança Estratégica Global: Conectando o Mercado Europeu ao Mercosul que reúne instituições e empresas multissetoriais, com foco no setor de máquinas e equipamentos. A programação também teve visita ao porto de Las Palmas. A programação se encerra neste domingo (26).

