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A política econômica mais liberal prometida pelo novo governo mudou as expectativas da indústria catarinense, que já começa a anunciar investimentos bilionários. Ao conceder entrevista sobre o balanço do setor em 2018 e expectativas para 2019, o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar chegou a falar que há “uma situação até de euforia” no setor.

O industrial citou seis empresas, cujos projetos anunciados somam R$ 6,6 bilhões: WestRock, General Motors (Chevrolet), BMW, ArcelorMittal, Schulz e Gomes da Costa. O que também levou Aguiar a falar em euforia foi o resultado do Índice de Confiança da Indústria do mês passado, que chegou ao maior patamar desde que passou a ser apurado, 66,6 pontos. Acima de 50 pontos significa que o industrial está disposto a investir. O setor, em SC, ficou um pouco acima da média nacional, que atingiu 63,2 pontos.

Imposto de renda: mais de 21 mil declarações estão na malha fina em SC

Esse maior otimismo da indústria catarinense está materializado em indicadores econômicos. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), calculado pelo Banco Central, mostra que SC está crescendo mais do que a média brasileira desde a retomada do crescimento em janeiro de 2017.

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Por isso, questionado por mim se no ano que vem o PIB do Estado terá crescimento mais próximo da estimativa da Secretaria de Planejamento do governo estadual, que é de 4%, ou se ficará mais perto das projeções do mercado para o país, que variam de 2% a 3%, Aguiar disse que a alta será mais próxima da projeção da pasta de Planejamento.

A indústria de SC está utilizando 77,8% da capacidade instalada e a do Brasil, 77,1%. Apesar de ser um pouco acima do ideal, mesmo assim os industriais vão investir mais ao invés de apenas ocupar mais essa folga produtiva, mostram os indicadores.

Incentivos e a indústria

Diante da falta de recursos e pressão de poderes, os políticos eleitos em outubro apostam na redução de incentivos fiscais para elevar a receita. Mas o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, alerta que praticamente todos incentivos de SC tem razão de ser, ou seja, foram adotados para manter a competitividade econômica visando isonomia com outros estados (guerra fiscal), atração de investimentos e movimentação dos portos. Ele argumenta que, se esses incentivos não fossem positivos a SC, com certeza o Estado não estaria crescendo acima da média nacional.

Pelo menos a BR-470

A localização das indústrias que já anunciaram os investimentos novos de R$ 6,6 bilhões está, basicamente, no Norte do Estado. Para o presidente da Fiesc, Mario Aguiar, essa concentração tem a ver, principalmente, com a melhor logística da região. Segundo ele, a falta de rodovias duplicadas é um dos grandes obstáculos ao crescimento econômico melhor distribuído.

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Questionado sobre o futuro das duplicações em andamento com recursos federais, mas com atraso – as BRs 470 e 280 – Aguiar acredita que o governo federal deveria fazer um esforço para concluir pelo menos a BR-470.

Segundo ele, Santa Catarina tem alta arrecadação, pouco retorno de recursos federais e uma obra dessas vai aquecer rápido a economia, gerando mais impostos. Como Bolsonaro teve ampla votação em SC e o Estado é o principal com um governador do PSL, seria importante para os catarinenses contarem com esse investimento público.

Lixo gera energia em Mafra

As empresas Serrana Engenharia e Energia Limpa Brasil estão colocando em operação uma usina que gera energia a partir do lixo. A unidade, que está em teste no município de Mafra, consiste num gaseificador de resíduos que pode gerar um gás rico em combustível, insumo que é convertido em energia elétrica.

O investimento das duas empresas chegará a R$ 70 milhões. A unidade está junto ao aterro regional onde é levado o lixo de 22 municípios. O presidente da Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina e diretor do SC+Energia, Gerson Berti (E) foi conferir o projeto, onde foi recebido pelo engenheiro Bernardo Lopes Mannrich (D). Conforme Berti, o projeto é pioneiro no Brasil e pode substituir, gradativamente, os aterros sanitários.

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– Essa unidade tem a capacidade de realizar a destruição térmica do material de uma forma correta e entra no mercado de energia como uma nova forma de destinar o resíduo sólido, além de proporcionar ganhos ambientais e econômicos ao Estado – avalia Berti.

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