No aniversário de 353 anos de Florianópolis, em 23 de março, o Grupo Habitasul entrega para a cidade um parque natural gigante no coração do bairro Jurerê Internacional. O Parque Péricles de Freitas Druck tem área total de 150 mil metros quadrados, o equivalente a 15 estádios de futebol. Em entrevista exclusiva para a coluna, a empresária Andréa Druck, filha do idealizador do bairro que dá nome ao parque, fala da origem desse espaço, no planejamento estratégico de um bairro internacional, que agora se torna realidade.
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A inauguração será dia 23 deste mês, a partir das 10h30min, em celebração com a participação de autoridades e apresentação da Orquestra Brasileira. O novo parque é cercado pelas avenidas das Lagostas, dos Dourados, dos Salmões e a SC-400, que dá acesso à Praia da Daniela.
Veja mais imagens sobre o Parque Péricles de Freitas Druck e da visita da enpresária ao espaço:
O nome do parque foi sugestão da comunidade, aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito Topazio Neto. É uma homenagem ao empresário, jornalista e advogado Péricles de Freitas Druck, que fundou o Grupo Habitasul em 1967, iniciou a construção do bairro Jurerê Internacional em 1980 e faleceu em junho de 2024, aos 83 anos.
Nesta entrevista, Andréa Druck fala da história do bairro e do seu masterplan diferenciado, voltado à preservação da natureza, que resultou em um dos bairros mais sustentáveis, com maior valorização imobiliária do Brasil, com projeção internacional.
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Uma das revelações da empresária é que o pai dizia que o metro quadrado não construído deveria valer mais do que o construído.
Então, nesses 150 mil metros quadrados mais valorizados, os visitantes vão encontrar trilhas com fauna local, 4,5 quilômetros de passeios e ciclovias, bancos e mesas para piqueniques, bebedouros, espreguiçadeiras, paraciclos, um lago e áreas que receberam há pouco tempo o plantio de mais de 1.500 árvores de 64 espécies nativas. Saiba mais na entrevista de Andréa Druck, a seguir.
No aniversário de 353 anos de Florianópolis, a Habitasul vai fazer uma entrega muito especial para a cidade, um parque com cerca de 15 hectares em Jurerê Internacional. Na sua opinião, o que vai surpreender as pessoas quando chegarem ao Parque Péricles de Freitas Druck?
– A primeira reação provavelmente será sobre a a beleza. O parque está realmente muito bonito. Mesmo antes da abertura oficial, muitas pessoas já tentavam acessar a área para caminhar e passear. É um espaço muito agradável, e a chegada ao lago, por exemplo, é surpreendente. Mais do que uma surpresa conceitual, o que as pessoas vão perceber é a materialização de algo que sempre esteve previsto no projeto de Jurerê Internacional. O parque já estava desenhado desde 1980, no masterplan (planejamento estratégico) original, como a grande “alma verde” do bairro.
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Quem desenhou esse parque originalmente?
– O primeiro desenho global foi feito pelo arquiteto e urbanista Sérgio Sclovsky. Mas o parque sempre fez parte da concepção urbanística do projeto de Jurerê Internacional. Ao longo do tempo, esse conceito foi revisitado, como acontece em qualquer cidade. A forma de pensar urbanismo evolui, e as demandas de convivência e de vida urbana também.
Em um estudo posterior, revisamos o planejamento considerando essas novas perspectivas de urbanidade, ou seja, de convivência e uso coletivo dos espaços. Há um conceito muito interessante que conhecemos em Copenhague, onde o planejamento urbano busca criar uma “cidade para gerar abraços”, estimulando encontros e conexões entre as pessoas. Essa ideia sempre fez muito sentido para nós.
Então podemos dizer que esse parque também será um lugar para gerar abraços?
– Sem dúvida. Abraços e conexões. O parque terá um papel importante de integração dentro de Jurerê Internacional. Ele conecta as diferentes áreas do bairro.
Além disso, estará próximo de outros equipamentos importantes, como o Jurerê Sports Center e a continuidade do Open Shopping, que vem se expandindo com novas centralidades e serviços. Tudo isso cria um ambiente de convivência, de vida comunitária, saúde e desenvolvimento humano. Dentro do desenho urbano de Jurerê, o parque funciona como um grande pulmão verde e também como uma centralidade cívica.
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O parque leva o nome do seu pai, Péricles de Freitas Druck. Qual foi o papel dele nesse projeto?
– Meu pai participou do plano geral de desenvolvimento de Jurerê Internacional, que incluiu pensar esse parque. Evidentemente, ele trabalhou com urbanistas e arquitetos, mas a inspiração do tipo de lugar que se queria construir aqui veio dele e do meu padrinho, o irmão dele, Eurito de Freitas Druck.
Meu pai tinha duas referências muito fortes. A primeira era a ideia de escolher um lugar onde a natureza já tivesse feito o essencial e, a partir disso, desenvolver o projeto interferindo o mínimo possível no que a natureza criou. A segunda era uma visão urbanística muito clara: ele dizia que o metro quadrado não construído valia mais do que o metro quadrado construído. Essa lógica explica várias decisões do projeto.
Como essa visão aparece no planejamento de Jurerê?
– Um exemplo claro é a orla. Aqui não há uma avenida atlântica com prédios na beira-mar, algo que era muito comum na época. Isso causou estranhamento quando o projeto foi concebido, mas a ideia era preservar a permeabilidade e garantir que todas as pessoas pudessem usufruir da praia. Essa faixa de transição entre a cidade e o mar permite um convívio mais democrático com a natureza.
Os beach clubs, por exemplo, funcionam como pontos de apoio para o público usar a orla com estrutura, sem perder o caráter público e ambientalmente sensível do espaço. Tudo isso já estava previsto no planejamento original de 1980. O mundo depois passou a adotar conceitos semelhantes, mas muitos desses princípios já estavam presentes desde o início do projeto de Jurerê Internacional.
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Pode contar um pouco mais sobre a trajetória do seu pai, o empreendedor visionário que idealizou Jurerê Internacional?
– A história de Jurerê explica muito sobre ele. Quem trouxe o meu pai para conhecer essa área foi o meu tio Eurito, que sempre foi apaixonado pelo mar. Ele era velejador, navegador, e se encantou muito cedo por Santa Catarina. Quando meu pai conheceu a região, ficou deslumbrado com a paisagem, com o mar e com a natureza. A visão dele era muito clara: Florianópolis tinha uma natureza rara e bela, capaz de interessar ao mundo inteiro, além de uma cultura local muito forte.
A ideia, então, foi criar aqui um espaço urbano estruturado, com infraestrutura em nível internacional, algo que não era comum no Brasil naquele período, especialmente áreas com saneamento e gestão ambiental. Ao mesmo tempo, o projeto deveria preservar ao máximo a natureza. É daí que vem o nome Jurerê Internacional: a intenção era construir um lugar com padrões internacionais de urbanização, infraestrutura e cuidado ambiental.
Como foi o começo da carreira dele e os desafios até chegar ao projeto de Jurerê?
– Meu pai começou como jornalista, em uma época em que não era necessário ter diploma específico para exercer a profissão. Enquanto concluía a faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também trabalhava como professor de português e literatura. Ele se formou em primeiro lugar na turma. Depois de formado, passou a atuar como advogado e começou a trabalhar com empresas do setor imobiliário.
Foi nesse momento que se aproximou do mercado e percebeu oportunidades de desenvolvimento nesse campo. Quando o Sistema Financeiro da Habitação entrou em crise e muitos projetos imobiliários ficaram paralisados, ele precisou reinventar o negócio. A partir dessa situação, passou a desenvolver um conceito de comunidades planejadas, algo ainda pouco explorado no Brasil naquele período.
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A área de Jurerê foi adquirida pela empresa já com a ideia de desenvolver um projeto estruturado. Meu pai gostava muito do mar e também tinha um forte espírito empreendedor. Mais do que um empreendimento imobiliário, ele queria criar um modelo de desenvolvimento urbano. Em determinado momento, surgiu a proposta de transformar o projeto em um condomínio fechado, mas ele não concordou. A visão dele era de uma comunidade aberta, integrada à cidade e capaz de estimular o desenvolvimento ao redor.
Na época em que Jurerê começou a ser implantado, a região ainda era muito isolada. Meu pai costumava dizer que, com o tempo, todo o entorno se desenvolveria e que o bairro ajudaria a inspirar esse crescimento. Para ele, o desenvolvimento precisava ser compartilhado: ninguém prospera em um ambiente onde o restante da sociedade não evolui. Ele acreditava muito no papel das empresas como instrumentos de desenvolvimento econômico e social, e esse pensamento guiou a criação de Jurerê Internacional.
E como surgiu o projeto de saneamento em Jurerê Internacional?
– Quando o projeto foi apresentado para aprovação, a Casan informou que não tinha condições de levar a rede de saneamento até aqui, porque Jurerê ficava muito distante da cidade naquela época. Assim, recebemos a exigência da prefeitura e da Casan de que, para desenvolver o bairro, teríamos que implantar nosso próprio sistema de água e esgoto. No início parecia um desafio grande, mas acabou se tornando algo positivo. Percebemos que, ao assumir essa responsabilidade, poderíamos garantir um sistema de alta qualidade e proteger o ambiente, especialmente a balneabilidade do mar.
Com o tempo, isso se transformou quase em uma obsessão pela qualidade. O sistema passou a operar com padrões elevados e recebeu certificações importantes, como ISO 9000 e ISO 14000, relacionadas à qualidade e à gestão ambiental. Desde então, o sistema funciona com níveis de desempenho acima da média brasileira de saneamento, muito próximo dos padrões internacionais. A equipe também mantém pesquisas constantes para incorporar novas tecnologias.
Outra curiosidade do bairro e que a Habitasul fez renúncias expressivas de potencial construtivo. O que a senhora destaca sobre isso?
– O primeiro exemplo dessa renúncia está na própria orla. A prática comum no Brasil sempre foi construir uma avenida beira-mar com prédios de frente para a praia. Aqui optamos por não fazer isso. A orla foi preservada como espaço público, com áreas verdes, acessos livres e estruturas como os beach clubs e o Passeio dos Namorados. Isso garantiu maior integração entre as pessoas e a praia.
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Além disso, o recuo das construções foi pensado para preservar a vegetação e proteger a área costeira. Em episódios de avanço do mar que afetaram outras regiões da cidade, Jurerê não sofreu impactos relevantes justamente por causa desse planejamento. Essas decisões representam renúncias importantes de área edificável, mas foram fundamentais para preservar a paisagem, a qualidade ambiental e o conceito urbanístico do bairro.
Um dos elementos centrais do projeto inicial foi construir apenas casas mais próximo do mar. E a primeira faixa de urbanização foi implantada próxima ao Jurerê Sports Center. Em seguida, criamos o próprio clube como espaço de convivência para quem vinha passar o verão. Também foi construído o Jurerê Praia Hotel, que na época funcionava com cabanas e ajudava a atrair visitantes, permitindo que as pessoas conhecessem o lugar e entendessem o conceito do projeto.
Nos anos 1980, surgiu inclusive uma demanda dos jovens cujas famílias já tinham terrenos aqui e queriam mais opções de lazer. Foi nesse contexto que nasceu a primeira Ibiza, criada no clube por Júlio Rigotto. A festa acabou se tornando emblemática e ajudou a consolidar Jurerê como destino de entretenimento e convivência.
Hoje se percebe claramente a valorização do espaço não construído…
– Esse foi um conceito econômico e urbanístico defendido pelo meu pai desde o início: o metro quadrado não construído tem mais valor do que o construído. Ou seja, vale mais preservar o espaço verde, o contato com a natureza e o planejamento horizontal. Daí surgiram decisões como as casas sem muros, que incentivam a integração com o entorno, ampliam a sensação de abertura e estimulam o convívio entre as pessoas. Esse modelo também contribui para a segurança, porque as casas e a rua se observam mutuamente, criando uma espécie de vigilância natural da comunidade.
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Jurerê Internacional foi eleito recentemente um dos dez bairros mais valorizados do Brasil e o único fora do eixo Rio-São Paulo nessa lista. A que você atribui esse desempenho?
– Na verdade, já estamos entre os metros quadrados mais valorizados do país há bastante tempo, desde pelo menos 2009 ou 2010. Acredito que isso acontece porque, desde o início, o projeto vendeu mais do que imóveis: vendeu uma ideia de vida. Meu pai costumava dizer que em Jurerê vendíamos uma ideia de cidadania, e, por acaso, junto vinha um terreno, uma casa ou um apartamento.
Com o tempo, especialmente quando o trabalho passou a permitir mais mobilidade, muitas famílias começaram a escolher morar em lugares que oferecessem qualidade de vida no cotidiano. A possibilidade de caminhar na praia, circular de bicicleta, conhecer os vizinhos e viver em um ambiente integrado à natureza passou a ser muito valorizada. Esse movimento também atraiu moradores de outras regiões do Brasil e do exterior.
Algumas pessoas passaram a dividir o tempo de residência entre Jurerê e outras cidades ou países, aproveitando essa qualidade de vida. No fundo, acredito que o valor de Jurerê Internacional está na força do conceito original: um projeto urbano centrado nas pessoas, que valoriza o meio ambiente não apenas por exigência legal, mas porque entende que ele é essencial para a qualidade de vida humana. Além disso, sempre buscamos atualizar o projeto, acompanhando novas ideias e novas demandas da sociedade.
A Habitasul também investe em áreas públicas além de Jurerê Internacional. Houve a revitalização da praça no Centro da cidade, próxima ao Beiramar Shopping, e agora a entrega deste grande parque aberto ao público. O que representa esse tipo de investimento para o grupo?
– No caso da praça no Centro, existe uma história longa da cidade com aquele espaço. Durante muitos anos, houve uma mobilização de lideranças políticas e da sociedade para que a área fosse incorporada ao município. Lembro que essa era uma pauta antiga defendida pelo então deputado Esperidião Amin. Depois, a iniciativa privada assumiu o projeto. O empresário Waltinho Koerich tentou fazer e enfrentou muita burocracia.
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Quando a Habitasul assumiu a continuidade do projeto, entendemos que era importante dar sequência a esse esforço coletivo. Foi uma forma de contribuir com um projeto, uma conquista que a cidade vinha buscando há muito tempo. Mais do que um investimento isolado, foi um gesto de parceria com Florianópolis e com as pessoas que pensam e querem uma cidade melhor.
Quanto a esse parque, elesempre fez parte do planejamento urbano de Jurerê. Desde o masterplan original, essa área estava destinada a ser um grande espaço de natureza no centro do bairro. Jurerê nasceu a partir de um elemento natural muito forte, que é o mar. Ao mesmo tempo, sempre houve uma área natural importante na parte posterior do bairro. O parque surge justamente como um ponto de equilíbrio entre esses dois ambientes, conectando cidade e natureza.
O parque fica ao lado do Jurerê Sports Center. O que destaca hoje esse empreendimento esportivo?
– O Jurerê Sports Center passou por diferentes fases ao longo dos anos. Começou como um clube social e cultural para quem frequentava Jurerê. Depois também abrigou eventos e algumas iniciativas esportivas. A partir de 2019, transformamos a área em uma associação esportiva privada sem fins lucrativos, com o objetivo de criar um hub dedicado ao esporte.
A proposta é estruturar um ecossistema que priorize a formação de atletas, o trabalho de técnicos e educadores físicos e o desenvolvimento esportivo de longo prazo. Hoje o centro já integra o Sistema Nacional do Esporte e participa de discussões sobre políticas e formação esportiva no país. Isso permite também acessar recursos para projetos de desenvolvimento e aperfeiçoamento.
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Quais modalidades esportivas são desenvolvidas hoje no centro?
– No alto rendimento, trabalhamos principalmente com duas modalidades: ginástica artística e natação. A equipe de ginástica artística já se consolidou como uma das mais fortes de Santa Catarina, com resultados consistentes especialmente nas categorias de base. Na natação, em poucos anos de projeto já alcançamos destaque no cenário do Sul do Brasil.
Além disso, oferecemos formação esportiva em diversas modalidades, como tênis, tiro com arco, boxe, muay thai, jiu-jitsu, beach tennis e futebol. A ideia é ampliar as oportunidades para crianças e jovens e também fortalecer o esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento humano. Mais recentemente, passamos a trabalhar também com o atletismo. Um exemplo é a atleta catarinense Mari Martello, que surgiu em projetos esportivos locais e hoje treina conosco com foco na preparação olímpica.
Para finalizar, o que as pessoas vão encontrar no Parque Péricles de Freitas Druck?
– O parque foi pensado como um grande espaço de convivência com a natureza. Ele reúne áreas de vegetação preservada, trilhas para caminhada, um lago e espaços de lazer integrados à paisagem. Também haverá bancos e pontos de descanso para que as pessoas possam aproveitar o ambiente com tranquilidade.
A ideia é que o parque tenha iluminação e possa ser utilizado também no período noturno em algumas áreas. As trilhas naturais devem ser mais voltadas para o uso diurno, mas os espaços principais permitirão circulação com segurança, ampliando as opções de lazer para moradores e visitantes.
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