Santa Catarina registrou no mês de novembro o fechamento de 5.687 vagas formais de trabalho no setor industrial, das quais 3.522 foram encerradas na indústria geral e 2.165, no setor de construção civil. As perdas foram quase o dobro maiores do que no mês anterior, outubro, quando somaram o fechamento de 2,9 mil postos de trabalho no setor. Mas como os outros setores econômicos tiveram resultado positivo na criação de vagas o saldo total no mês ficou em 5.188 novos postos de trabalho, inferior aos 8.466 do mesmo mês de 2024. Os dados são do Caged, do Ministério do Trabalho.

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Em novembro, o comércio criou no estado 5.197 novas vagas, os serviços abriram mais 3.227 e a agropecuária teve salto positivo de 2.452 vagas.

Esse resultado da indústria foi puxado pelos impactos negativos dos juros básicos altos para conter a inflação – 15% ao ano – e pelo tarifaço de 50% dos Estados Unidos desde agosto sobre produtos brasileiros.

A construção civil, que tem uma contabilidade separada pela sua relevância, perdeu 2.265 postos de trabalho em novembro no estado e teve o maior resultado negativo.

Além disso, o Caged acompanhou 24 setores da indústria de transformação em SC em novembro e 19 tiveram perdas formais de vagas no mês, somando menos 3.676 empregos. Os maiores fechamento de empregos foram nos setores de confecções (-1.322 vagas), seguido por fabricação de produtos têxteis (-512), produtos de borracha e plástico (-299), produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-234), fabricação de produtos de metal exceto máquinas e equipamentos (-233), preparação de couros e caçados (-191) e produtos de minerais não metálicos (-174).  

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Entre os setores mais impactados diretamente pelo tarifaço dos EUA o fechamento de vagas continuou em novembro. O setor de madeiras fechou 352 postos de trabalho em novembro e o de móveis encerrou 154. Indústrias têxteis, de confecções e autopeças também são afetadas pelo tarifaço, além de sofrer impactos dos juros no mercado interno.

De janeiro a novembro, SC abriu 106.873 novos postos de trabalho formais. O mês de dezembro normalmente tem elevado número de desligamentos porque muitas empresas ajustam suas equipes e demitem trabalhadores temporários. Como esses fatores que estão inibindo a demanda – juros altos e tarifaço – seguem no começo deste ano, a expectativa é de menor criação de novos empregos em SC no primeiro semestre, especialmente pelo setor industrial.