Como era esperado, os efeitos do juro de 15% ao ano da taxa básica Selic para conter a inflação foram sentidos mais nos financiamentos. Em Santa Catarina, no mês de dezembro, o percentual de consumidores com financiamentos imobiliários ativos ficou em 8,8%, abaixo dos 12,4% do mesmo mês do ano anterior, 2024. O financiamento de veículos recuou para 14% em dezembro do ano passado enquanto no mesmo mês de 2024 estava em 16,8%.
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Esses dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada pela Fecomércio SC em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC). O impacto dos juros altos ficou claro porque as vendas gerais do varejo restrito de Santa Catarina (quando se exclui materiais de construção e veículos) cresceram 5,7% até novembro de 2025, segundo o IBGE. Mas quando inclui esses setores mais dependentes de crédito, o varejo ampliado, o crescimento ficou em 2,6% no período.
O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destacou o impacto dos juros altos nas vendas a prazo, mas mostrou otimismo para 2026.
– A aquisição de bens duráveis, como casas e carros, quase sempre envolve financiamentos ou outras modalidades de crédito, como consórcios. Por isso, os juros elevados são especialmente nocivos para esse setor. Para 2026, pode haver uma recuperação, já que analistas estimam uma leve queda da Selic, impulsionada pela redução da inflação futura –afirmou Hélio Dagnoni.
A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio, que entrevista cerca de 18 mil consumidores nas capitais brasileiras.
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Endividamento e inadimplência
Em Santa Catarina, no mês de dezembro, segundo a pesquisa da Fecomércio e CNC, 73,1% dos entrevistados tinham dívidas a pagar. Esse dado era 1,5 ponto percentual menor frente ao mesmo mês do ano anterior.
De acordo com economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, o cenário de juros elevados alterou hábitos de consumo de parte da população catarinense. As pessoas começaram a usar mais pagamentos via Pix ou débito, reduzindo a opção por crédito.
Segundo ela, isso não significa retração de consumo. As pessoas se adaptaram às condições da economia porque as vendas cresceram até novembro, segundo o IBGE. Apesar disso, o cartão de crédito continua como principal fonte de endividamento, correspondendo a 84,5% dos casos. A economista recomenda manter em dia essa fatura porque o cartão tem o juro mais alto do mercado.
Outro dado mostrado pela pesquisa ao longo de 2025 foi o crescimento da inadimplência no estado. O recorde foi em outubro, com 33,1% de contas em atraso. Nos dois últimos meses do ano a taxa recuou, e encerrou dezembro com 31,4%. Mesmo assim, esse resultado ficou acima da média histórica de SC que é de 22,3% de contas em atraso. O Brasil fechou 2025 com taxa de inadimplência de 29,4%.
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– O cenário é preocupante. Esperamos que a tendência de queda observada nos últimos meses se mantenha ao longo de 2026. É fundamental acompanhar esse indicador, pois níveis elevados de inadimplência impactam toda a economia – destacou a economista.

