Santa Catarina encerrou 2025 com resultado recorde nas exportações, que cresceram 4,4% no ano e totalizaram receita de US$ 12,2 bilhões, mesmo em cenário adverso com o tarifaço dos Estados Unidos e barreira sanitária da China. O tarifaço reduziu em 15,7% as exportações aos EUA, gerando perda de US$ 275 milhões e a restrição da China ao caso da gripe aviária no Rio Grande do Sul reduziu em 6,74% as vendas ao país, com perda de US$ 87 milhões. Mas o crescimento de vendas em outros mercados compensou o resultado final, destaca a Federação das Indústrias do Estado por meio do Observatório Fiesc.

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– Mesmo num ambiente bem adverso, Santa Catarina obteve recorde nas exportações. Isso é explicado pela diversificação de destinos, com aumento significativo de vendas para a União Europeia, que inclusive passou a ser o segundo principal mercado de exportação do estado, superando a China em dezembro. E outro elemento superimportante é a recuperação da economia da Argentina, que é integrada com a catarinense e isso permitiu um retorno das exportações de diversos produtos – explica Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc.

O mercado argentino respondeu por US$ 889 milhões das vendas de SC lá fora, com crescimento de 18,6% frente a 2024. Entre os destaques, de acordo com o economista, estão o crescimento das exportações de papel kraft, laminados de ferro e cobre, revestimentos cerâmicos além de refrigeradores e freezers.

Saiba mais detalhes em quadros do Boletim de Comércio Exterior da Fiesc:

As exportações para a Europa cresceram 10,7% no ano, com estaque para motores e geradores elétricos, produtos da WEG que avança por oferecer tecnologia diferenciada. Outro destaque foram as exportações para o Chile com elevadas vendas de carnes, mas também avanço acelerado de “quadros elétricos”, com alta de 834%, indo de US$ 4 milhões em 2023 para US$ 87 milhões em 2025.

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– É importante destacar que muitos segmentos tiveram perda com o tarifaço dos Estados Unidos. Especialmente a produção de madeira teve grandes perdas. Isso resultou, inclusive, em saldo negativo de emprego até agora no setor. Um estudo da Fiesc mostra que o tarifaço vem causando repercussões graves para Santa Catarina, especialmente para as regiões mais deprimidas do estado, que são o Planalto Norte e a Região Serrana – enfatiza Bittencourt.

Ele observa que outras regiões de SC grandes exportadoras para os EUA conseguiram alguma compensação nas vendas de outros produtos. Mas o setor de madeira e móveis é o mais impactado.  

Produtos mais exportados

A balança comercial de SC seguiu liderada pela pauta do agro. O produto mais exportado em 2025 foi carne de ave, com faturamento lá fora de US$ 2,3 bilhões e crescimento de 7,7% no ano. Isso foi possível com a diversificação de mercados para compensar restrição da China. SC vendeu mais para a Arábia Saudita, outros países do Oriente Médio, Coreia do Sul, Chile e Reino Unido.

Em segundo lugar ficou a carne suína, com crescimento de 9% e receita de US$ 1,7 bilhão. As maiores altas nas vendas foram para México e Japão. A soja teve venda estável, alta de 1% e receita de US$ 660 milhões.

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Afetadas pelo tarifaço, as exportações de motores elétricos caíram 7,9%, para US$ 621 milhões e as partes de motor recuaram 22,7%, para US$ 383 milhões. Segundo o Boletim de Exportações da Fiesc, produtos de madeira tiveram queda de 9,5% em vendas lá fora no ano. Obras de carpintaria (de madeira) tiveram recuo de 23,2% e madeira perfilada, teve queda de 35%.

Câmbio desvalorizado ajuda

Além da diversificação de mercados e de produtos, o resultado positivo da balança comercial catarinense foi também favorecido pelo câmbio. De acordo com o economista-chefe da Fiesc, a taxa de câmbio do Brasil está um pouco desvalorizada frente aos fundamentos do comercio internacional, ao que deveria ser o normal.

– Uma breve análise exploratória que fizemos, confirmou parcialmente essa hipótese, ao identificar um conjunto relevante de produtos relativamente novos na pauta exportadora, cujos valores exportados em 2025 não são desprezíveis — variando entre US$ 15 milhões e US$ 160 milhões — e cujo crescimento no período pós-pandemia superou com folga a média de expansão das exportações – observou Bittencourt.

Importações avançam 0,7%

O ritmo das importações de SC em 2025 foi menor, ficou com alta de 0,7% frente a 2024. Mesmo assim, teve movimento relevante, somando US$ 34 bilhões. Esse menor ritmo, segundo o economista-chefe da Fiesc, foi em função a desaceleração da atividade econômica do Brasil, em especial indústrias que dependem de insumos importados.

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Os produtos mais importados por SC em 2025, segundo o Observatório Fiesc, foram cobre refinado (-9,4%), partes e acessórios para veículos, (+12,9%), polímeros de etileno (-15%), pneus de borracha (-16,2%) e fertilizantes nitrogenados(+37,2%).