A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reconheceram sexta-feira (19) o protagonismo de industriais de SC com a comenda Ordem do Mérito Industrial. A homenagem principal, da CNI, foi conferida ao industrial Mario Cezar de Aguiar, ex-presidente da Fiesc. Em entrevista exclusiva à coluna, o empresário fala pela primeira vez com mais detalhes sobre a própria trajetória na indústria à frente das empresas Axia (Vectra) e Tecnofibras, sobre atuação como professor de engenharia, no associativismo, e expressa sua admiração pelo protagonismo dos industriais de SC.  

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O empresário revelou que ficou surpreso ao ser indicado pelo presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, e demais lideranças da entidade para receber a maior honraria da indústria nacional, evento que contou com  a participação do presidente da CNI, Ricardo Alban.

Veja mais imagens sobre a homenagem da CNI e Fiesc a Aguiar e outras fotos da trajetória dele:

Em duas gestões à frente da Fiesc, Aguiar liderou projeto com o maior investimento da entidade no avanço da educação técnica e fundamental ao setor industrial do estado, R$ 1,5 bilhão. Mas o empresário sempre foi muito discreto para falar dos próprios negócios na indústria, onde também tem trajetória relevante.

Aguiar é o fundador da Axia, incorporadora de Joinville que iniciou atividades como Vectra (está migrando de nome) e já construiu mais de 100 edifícios, a maioria na maior cidade do estado, sempre com ênfase em qualidade. Uma das novidades, agora, são dois projetos para a Praia Brava, de Itajaí, região de imóveis de altíssimo padrão de SC.

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Além disso, em 2015, Aguiar adquiriu a Tecnofibras, indústria de autopeças feitas com compósitos, voltada a grandes veículos. Juntas, as empresas oferecem mais de 800 empregos diretos e têm na gestão executiva os dois filhos do empresário, Mário e Marcelo.

Engenheiro civil graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Aguiar realizou o sonho de ser industrial da construção civil. Ao mesmo tempo, teve forte atuação no associativismo em SC e foi professor engenharia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Leia a entrevista a seguir:  

O que significa ser reconhecido com a medalha da Ordem do Mérito Industrial da CNI, principal homenagem da indústria brasileira?

– Para mim, essa homenagemfoi uma grande surpresa, mas recebi com muita gratidão e também com um senso de responsabilidade muito forte. Isso porque quando olho para o rol dos empresários, dos industriais catarinenses que tiveram essa mesma honraria recebida, a responsabilidade cresce muito, porque são todas pessoas de muito destaque na sociedade catarinense. São pessoas que tiveram uma importância muito grande para o desenvolvimento do Estado. Eu não esperava receber, evidentemente, mas fiquei muito feliz.

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O senhor é um engenheiro civil que iniciou atuação industrial em função da carreira que abraçou. Como foi o começo?

– Eu sou formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na época, a universidade oferecia três engenharias: civil, elétrica e mecânica. Optei por engenharia civil e, durante o curso, fiz todas as disciplinas que o curso ofertou. Então, fiz a parte de construção civil, de estradas, portos, vias navegáveis e aeroportos. Mas o meu desejo sempre foi trabalhar com construção civil.

Eu fui estagiário da Eletrosul que, na época poderia resultar no emprego mais desejado do mercado. Éramos em quatro estagiários e os quatro foram convidados para trabalhar na empresa. Eu abri mão para trabalhar com construção civil. E como tinha muitos colegas em Florianópolis, achei que não teria chance de empreender na cidade. Então, fui para outro local.

Me formei numa sexta-feira, na segunda-feira eu peguei o carro, fui a Rio do Sul e arrumei um emprego lá. Fui a Timbó e consegui um emprego na prefeitura de Timbó. Fui a Joinville e também arrumei um emprego em Joinville. Então, decidi ficar em Joinville, porque senti que era uma cidade que tinha mais potencial. Eu nasci em Joinville, saí de lá com meus pais aos quatro anos e voltei formado, para trabalhar numa construtora. Fiquei dois anos e meio nesse emprego e logo comecei minha própria experiência empreendedora na construção civil.

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Como foi a sua primeira experiência como empresário da construção civil?

– Comecei em 1981. Eu e mais dois sócios fundamos a construtora Terraço, em Joinville. Era um período de crise econômica, de pacotes econômicos. Tínhamos surpresas agradáveis e surpresas desagradáveis. Tivemos momentos muito bons e momentos muito difíceis.

Foram anos de muito aprendizado, com altos e baixos. Os pacotes econômicos com desvalorizações cambiais alteravam muito a economia. Eu com pouco capital, pouca experiência empreendedora enfrentei muitos desafios, mas também tive muito sucesso.

Em 1996, entre tantos altos e baixos, falei para os meus sócios para fazermos investimentos em imóveis para locação para garantir outra fonte de receita. Eles preferiram não fazer e, então, eu fundei a empresa Vectra com esse objetivo. Nessa fase, achei também melhor encerrar a sociedade na Terraço. Ofereci, como alternativa, comprar a participação dos demais sócios. Mas um preferiu seguir com a empresa e comprou as outras partes. Então segui com a Vectra.

Foi nessa fase que vocês entraram também no segmento de incorporação?

– Sim. Além de continuar fazendo imóveis para locação, passei também a atuar com incorporação, para a venda de imóveis. Nessa fase, também tentamos registrar a marca Vectra, mas como tinha uma empresa com esse nome em Londrina, Paraná, a Vectra Construções, não conseguimos registrar. Daí optamos pela marca Axia. Ainda temos o CNPJ Vectra Participações e Construções. Estamos fazendo a migração para Axia, todos os contratos saem em nome da Axia. A empresa, atualmente, é liderada pelos meus filhos, o Mário e o Marcelo.

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Um destaque da sua trajetória é ter construído mais de 100 edifícios, a maioria em Joinville. O que sempre priorizou nas construções?

– Os imóveis são os bens de maior valor que as famílias adquirem. Então, eu sempre procurei surpreender meus clientes entregando mais do que estava previsto em contrato. Quando você vende um apartamento em construção, você entrega um memorial descritivo. Mas quando eu concluo um edifício, sempre entrego mais do que está nesse memorial descritivo. Para mim, é uma satisfação surpreender meu cliente.

Vejo lucro não só como resultado financeiro, mas também na qualidade dos produtos. Não estou dizendo que somos melhores do que outras empresas. A atividade da construção civil tem uma característica muito diferente dos outros produtos. A produção não é em série. Cada produto é único, por isso pode ter algum problema oculto devido a falha em processo. Sempre fazemos manutenção. Mas nossa ênfase é na qualidade do produto em respeito ao cliente. Isso nos trouxe resultados com valorização.  

Projetos de altíssimo padrão na Brava de Itajaí

A Axia vai fazer dois lançamentos num endereço de altíssimo padrão, a Praia Brava, de Itajaí. Pode adiantar um pouco sobre esses projetos?

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– Nós vamos fazer dois lançamentos significativos na Praia Brava de Itajaí. Os dois projetos devem somar 30 mil metros quadrados de construção. É altíssimo padrão, o metro quadrado mais valorizado de Santa Catarina, de frente para o mar. Recebemos, agora, a primeira licença ambiental. Então poderemos fazer um lançamento.  

Vamos fazer primeiro o processo de incorporação e, depois, preparar o material de venda. Temos uma política de não vender antes de ter a incorporação. E para ter a incorporação, é preciso ter todo o processo de licenciamento. Como é uma área verde, o licenciamento foi bastante demorado.

Acreditamos que faremos o lançamento desse projeto ainda este ano. Nosso segundo projeto da Praia Brava está em processo de licenciamento e, quando a licença sair, cumpriremos as mesmas etapas para efetuar o lançamento. Como eu falei, focamos muito na qualidade do produto.

Paralelamente, o senhor também foi professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) na Faculdade de Engenharia de Joinville. Como foi a trajetória de professor?

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– Quando eu comecei a trabalhar na Terraço, em 1981, paralelamente também me inscrevi para o concurso para ser professor da Udesc e fui aprovado. Como os primeiros anos da empresa foram difíceis, por muito tempo minha principal renda era a de professor. Mas ser professor da Faculdade de Engenharia de Joinville me deu muito prazer, muita satisfação. Aprendi muito.

Poder compartilhar conhecimento comas pessoas é importante, mas você também adquire muito conhecimento porque ser professor obriga você a ir com mais profundidade em questões técnicas da engenharia.

Fui professor por 27 anos consecutivos. Em boa parte, já não era mais um complemento de renda, mas eu gostava e me deu muita satisfação. Só parei de dar aulas 2010 porque, como primeiro vice-presidente da Fiesc eu vinha todas as semanas para Florianópolis, aí não dava para conciliar. Então, pedi um afastamento sem remuneração.

Os alunos valorizavam muito ter um professor com conhecimento teórico e prático. Eu valorizo muito os professores com dedicação exclusiva, mas trazer experiência prática aos estudantes também é importante. Fui professor de várias disciplinas, principalmente de Instalações Prediais e Tecnologias das Construções. Participei da formação de mais de mil engenheiros da Udesc. Tenho a satisfação de encontrar vários ex-alunos, alguns são meus concorrentes, outros abriram negócios ou seguiram carreiras em outras áreas.

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Atuação na indústria de autopeças

Além da construção, na última década o senhor também partiu para diversificação de negócios na indústria, com a aquisição da Tecnofibras, uma fábrica de autopeças da Busscar, em Joinville. Em que área essa indústria atua?

-Em 2015, meu filho Marcelo estava procurando oportunidades de investimentos e surgiu a possibilidade de comprarmos uma empresa de Joinville, a Tecnofibras, que tinha sido parte da Busscar (fabricante de ônibus). Adquirimos essa empresa num leilão. Ela estava com 70 colaboradores na época.

Fomos fazendo investimentos e recuperando mercados. Ela chegou a ter 800 colaboradores e agora, recentemente, nós baixamos para cerca de 650 em função de retração do mercado. Ela produz autopeças sob encomenda para caminhões e tratores.

Que tipo de produtos ela faz para esses veículos?

– A Tecnofibras faz peças de compósitos, que são plásticos de engenharia. São fibras usadas em parte de carrocerias de caminhões, portas e itens para tratores. Os compósitos são materiais mais leves e mais resistentes do que metais, características positivas para veículos. Existem aviões feitos totalmente com compósitos.

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Nessa empresa, nós somos demandados pela indústria. Não vendemos, somos comprados. Então, por exemplo, se a John Deere tem redução na venda de tratores, ela não vai comprar capô de tratores que fabricamos para eles.

Atualmente, o agro sofre impacto da alta taxa de juros do Brasil associada à redução de preços das commodities no mundo. A soja perdeu muito valor. Então, os agricultores, dada essa dificuldade do juro e da redução do preço da soja e do milho, eles não têm trocado a sua frota.

Para se ter ideia, há dois anos os produtores venderam soja a R$ 170 por saca. Hoje, está em R$ 110. Isso pode impactar também a venda de imóveis no litoral catarinense porque parte dos clientes dessa região é do agro brasileiro.

Quem são os principais clientes da Tecnofibras?

– Temos cinco grandes clientes que são a John Deer, a Caterpillar, a Volkswagen Caminhões, a DAF Caminhões e, agora, a Volvo Caminhões. Nós exportamos em torno de 8% do que produzimos, mas não em exportação direta. É exportação indireta. A John Deer exporta tratores com as nossas peças. Isso acontece da mesma forma com a Caterpillar, que vende para os Estados Unidos e outros países produtos com peças da Tecnofibras de Joinville.

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Associativismo relevante na trajetória

Paralelamente à atividade industrial, o senhor sempre priorizou muito o associativismo, a força das entidades, o trabalho conjunto, que culminou com a presidência da Fiesc. Por que essa atenção ao coletivo?

– Eu sempre valorizei muito o trabalho em equipe. Então, quando eu era estudante de engenharia da UFSC integrei o diretório acadêmico e criei a nossa associação de turma de engenheiro civis que segue ativa até hoje. Somos amigos, nos encontramos de vez em quando, promovemos eventos e fazemos viagens em conjunto. Mas quando eu fui para Joinville trabalhar, embora eu tivesse nascido lá eu não tinha nenhum envolvimento com a sociedade local.

Para me integrar, a primeira entidade que procurei foi o Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville, que integro até hoje. Em paralelo, quando abri minha empresa, me associei ao Sindicato das Indústrias de Construção Civil da Região (Sinduscon Joinville) que, depois, presidi por dois mandatos. Também passei a fazer parte da Associação Empresarial de Joinville (Acij), que também presidi por dois mandatos.  

E dentro da constituição civil, pelo Sinduscon, eu sempre participava de reuniões da Câmara da Construção Civil da Fiesc. Presidi essa câmara e fui convidado para ser diretor da federação. Depois, fui secretário, primeiro vice-presidente na gestão do empresário Glauco José Côrte e presidente por dois mandatos.  Então, tive sempre a atividade associativista que ensina muito.

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Da minha trajetória de estudante, durante 17 anos estudando até concluir a graduação, somente por três anos estudei em escola privada, no científico (atual ensino médio). Além disso, toda minha formação educacional foi em escola pública. A participação como voluntário em entidades é uma forma de retribuir para a sociedade aquilo que ela me deu porque quem paga a escola pública é a sociedade através de impostos.  

Conselhos para ter sucesso nos negócios

Então, considerando a série de aprendizados da sua trajetória, eu gostaria de perguntar: na sua avaliação, o que é necessário para um negócio ter sucesso?

– Primeiro, você tem que ter espírito empreendedor. Tem pessoas que nascem para serem pesquisadoras, dedicam a vida para fazer pesquisas avançadas. Tem outras que se submetem a atividade empresarial como gestoras, são presidentes, CEOs. Mas tem as que preferem empreender, abrir um negócio, o que é uma atividade bastante desafiadora.

No Brasil, não é fácil empreender. E, muitas vezes, o empreendedor não é visto pela classe política como uma pessoa importante para o país. É apontado como alguém que tem lucro fácil, que explora, mas não é nada disso. Empreender impõe muitos desafios, corre-se muitos riscos. Uma parte tem bons resultados e outra parte não consegue.

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Então, para se conseguir o sucesso como empreendedor é preciso ter confiar na sua capacidade, não desistir nunca, fazer boas parcerias, ser muito resiliente, ser inovador, ter protagonismo e fazer coisas diferentes. Acredito que tudo isso é necessário para se ter sucesso como empreendedor.

Reconhecimento ao industrial de SC

Como o senhor avalia a atuação da maioria dos industriais de Santa Catarina?

– Como presidente da Fiesc eu viajei muito pelo estado. E quando você vai para o Oeste Catarinense – isso não é só no Oeste – mas fica muito evidente naquela região como empresas que nasceram do nada se tornaram, atualmente, extremamente importantes para o estado, o Brasil e também ganharam projeção mundial.

No Oeste, elas têm grandes dificuldades para receber os insumos e entregar produtos por conta de uma infraestrutura precária, falta de rodovias e de energia de qualidade. Agora, felizmente, a gente está vendo uma correção disso no estado, com melhoria de rodovias estaduais e entrega de energia com mais qualidade para que as empresas possam produzir.

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Até cinco ou seis anos atrás, empresas do Oeste de SC queriam aumentar suas fábricas, mas não tinham energia para fazer essa expansão. A região sofreu muito com isso. Então lá você aprende muito que a resiliência, o protagonismo e a inovação são fatores determinantes para que haja sucesso no empreendedorismo.

No Sul e no Norte do estado não é diferente, mas as empresas têm uma condição bem melhor do que no Oeste para empreender. Só indo lá para você ter ideia das dificuldades, mas também da garra, da persistência e da resiliência deles, que resulta no sucesso que alcançam.

Temos uma série de exemplos de indústrias do Oeste, como a Aurora, a Perdigão, a Torfresma, a Zagonel e a Rotoplast, que se destacam até no exterior. Também temos grandes exemplos de resiliência e sucesso na região do litoral. Mas essas nasceram em regiões com infraestrutura melhor.

Eu respeito muito todos os industriais catarinenses. Recentemente, quando eu falava a um podcast, fui perguntado se eu tinha um ídolo mundial. Pensei e disse; o meu ídolo é o industrial catarinense. Isso porque ele não tem barreiras, ele vence os obstáculos. Mas para afirmar isso, me inspirei muito no empresário do Oeste catarinense. Para mim, o industrial catarinense é uma liderança e eu me espelho muito nessas pessoas que são um exemplo para o Brasil.

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O senhor sempre afirmou que a indústria puxa o crescimento catarinense. Por que esse reconhecimento?

– Santa Catarina sedestaca economicamente muito por conta da indústria. A indústria é o setor que mais emprega no estado (mais de 930 mil empregos diretos), que tem maior participação no Produto Interno Bruto (PIB) e movimenta os outros setores.

O transporte depende muito da atividade industrial, que traz insumos e leva produtos. o estado se destaca pela movimentação portuária, muito por conta dos insumos que recebemos dos produtos que exportamos então a indústria é um grande impulsionador de setores. O software também é uma atividade industrial. A indústria adquire sistemas para produzir. Ela movimenta a parte de tecnologia.

Santa Catarina conta, principalmente, com empresas familiares. É uma referência a ser seguida?

– A participação de empresas familiares é mais forte em Santa Catarina do que em outros estados. Se você olhar no estado vizinho, o Paraná. Na Grande Curitiba, onde está o maior parque industrial estadual, estão as grandes montadoras como Renault, Volkwagen, Audi e DAF. Essa não é a característica de Santa Catarina.

Se você olhar para grandes empresas do estado, todas nasceram e cresceram baseadas em SC. E todas nasceram empresas familiares. Entre os exemplos, temos a Tupy, WEG, Schulz, Portobello, Cecrisa e Eliane. Uma exceção, hoje, é a unidade da montadora BMW, que veio de fora. Não recebemos grandes investimentos estatais, como refinarias, a exemplo do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

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Toda a riqueza de Santa Catarina nasceu do empreendedorismo visionário do povo catarinense, da família catarinense e isso é um exemplo que temos que dar um valor enorme. Por isso, esses empresários são meus ídolos.

Que atividades o senhor desenvolve atualmente, após duas gestões à frente da Fiesc, período finalizado em agosto passado do ano passado?

– Quando eu estava na presidência da Fiesc me dediquei 100% para a federação. Fiquei sete anos como presidente ‘full time’. Nesse período, passei a gestão executiva das empresas para os meus filhos e segui no conselho familiar. Isso continua, mas eu não estou parado.

Estou investindo em algumas startups, inclusive de Florianópolis, para onde venho praticamente uma vez por semana. Além disso, sigo no associativismo empresarial como vice-presidente da CNI, que requer a participação de reuniões em Brasília com uma certa frequência.  

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