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Multinacionais têm projetos de US$ 700 mi para gás em SC

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Por Estela Benetti
16/04/2018 - 05h00 - Atualizada em: 16/04/2018 - 12h40
Foto: Rodrigo Philipps / A Notícia
Foto: Rodrigo Philipps / A Notícia

Duas multinacionais, a norueguesa Golar Power Latam e a francesa Engie Brasil Energia, planejam investimentos em gás natural em Santa Catarina que somam US$ 700 milhões (perto de R$ 3 bilhões). A Golar, que também tem entre os sócios o fundo americano Stonepeak, está licenciando um terminal de gás natural liquefeito (GNL) para a Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, orçado em cerca de US$ 100 milhões.

O futuro Terminal de Gás Sul (TGS) terá capacidade para aumentar em 50% a oferta de gás natural do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) nos três Estados do Sul e permitirá a instalação de sistemas de gás natural no interior, onde o insumo pode chegar liquefeito, em contêineres. E a Engie será parceira com a instalação de uma âncora do projeto, uma térmica a gás natural em Garuva para gerar 600 MW, orçada em US$ 600 milhões.

Enquanto a usina já tem licença ambiental prévia, o grupo Golar está licenciando o terminal de GNL e estima que em cerca de dois meses o IMA, Instituto do Meio Ambiente do Estado (ex-Fatma), vai conceder essa primeira licença, informa o diretor de Desenvolvimento de Negócios da companhia no Brasil, Edson Real. Segundo ele, se o cronograma previsto for cumprido, o terminal poderá iniciar operações em janeiro de 2021. Conforme o presidente da Engie, Eduardo Sattamini, a negociação entre os dois grupos prevê uma parceria cruzada, ou seja, as duas empresas serão sócias do terminal e da usina.

_ A gente escolheu esse ponto na Baia da Babitonga, em SC, porque é o que permite injetar gás natural no TBG (Gasoduto Bolívia-Brasil) de uma forma mais econômica. Ele está a 30 quilômetros do gasoduto e a TBG poderá aumentar a capacidade sem modificação nenhuma _ explica Edson Real.

O presidente da SCGás, Cósme Polese, observa que há anos a empresa está em busca de uma alternativa para ampliar a oferta de gás natural no Estado além do Gasbol porque o contrato atual com a Bolívia se encerra em março de 2020 e o país vizinho não tem garantia de que poderá continuar fornecendo 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia ao Brasil. Segundo ele, o TGS garantirá expansão da oferta com tranquilidade para SC.

Térmica de US$ 600 mi

A Engie iniciou o projeto da usina térmica a gás natural em Garuva há três anos. Segundo o presidente Eduardo Sattamini, o plano é participar do próximo leilão de energia nova A-6 da Aneel em 31 de agosto. Se não der, a empresa disputará os próximos leilões.

_ O Brasil não pode prescindir de alguma capacidade de geração términa, se não fica muito dependente de chuva. A maneira de trazer térmica com menor impacto ambiental é a geração a gás com ciclo combinado – explica Sattamini, ao destacar que o plano, no futuro, é instalar outra unidade próxima dessa.

A empresa tentou instalar unidade de regaseificação junto ao Porto de Imbituba, mas os estudos apontaram que em São Francisco é mais viável tecnicamente. Uma térmica pode ser construída em 32 meses e gera 65 empregos diretos na operação.

Mais insumo

Caso o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) seja implantado, os três Estados do Sul terão mais oferta de gás natural para investimentos. A SCGás, que hoje conta com 2,4 milhões de metros cúbicos por dia e já enfrentou falta de gás para atender indústrias, poderá ter 7 milhões. O Paraná, que tem 5 milhões, ampliará para 7 milhões e o Rio Grande do Sul passará dos atuais 2,5 milhões para 3,5 milhões. Essas limitação no Sul é devido ao gasoduto.

Perto do oleoduto

O trajeto escolhido pela Golar para instalar o gasoduto da Baía da Babitonga até o Gasbol é o mesmo do oleoduto que leva petróleo da base de São Francisco para a refinaria Repar, do Paraná, há 45 anos. As normas do país recomendam usar o mesmo trajeto.

A futura unidade de GNL vai receber o insumo líquido à temperatura de -162 graus centígrados e transformá-lo em gás. Vai empregar 35 pessoas no navio flutuante.

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Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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