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    Empoderamento feminino

    "Nosso papel é inspirar mulheres para que assumam funções de liderança", diz Poliana, do Conselho de Empresárias

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    Por Estela Benetti
    08/03/2020 - 15h37 - Atualizada em: 08/03/2020 - 16h46
    A jovem Poliana de Oliveira, presidente do Conselho Estadual da Mulher Empresária (Foto: Angela Maria Divulgação)
    A jovem Poliana de Oliveira, presidente do Conselho Estadual da Mulher Empresária (Foto: Angela Maria Divulgação)

    Estado com um dos mais dinâmicos setores empresariais do Brasil, Santa Catarina tem milhares de empresárias e empreendedoras que fazem a sua parte para esse desenvolvimento acontecer. Para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a coluna ouviu Poliana de Oliveira, 34 anos, líder da maior entidade de empresárias de SC.

    Ela acaba de assumir a presidência do Conselho Estadual da Mulher Empresária (Ceme), entidade da Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc). O conselho é formado por 66 núcleos que reúnem mais de 1,1 mil associadas em todas as regiões de SC.

    Trabalho e foco é com Poliana, que presidiu a Associação Empresarial de Maravilha e agora assumiu o Ceme, conciliando com a função de diretora do Grupo Oliveira, da sua família (do setor de infraestrutura e construção) e com o momento pessoal de ser mãe do pequeno Arthur, de cinco meses.

    A empresária informa que fará uma gestão no Ceme voltada ao fortalecimento do associativismo. Confira a entrevista a seguir:

    Como estamos comemorando o Dia Internacional da Mulher, como avalia a importância desta data e o avanço do empoderamento feminino?

    A data é por conta de uma série de fatos históricos. Eu acredito que as mulheres tiveram muitas conquistas nas últimas décadas. Eu acredito que entidades como o Conselho Estadual da Mulher Empresária, o Grupo Mulheres do Brasil e outros têm se fortalecido e feito esse papel de empoderar as mulheres para elas terem mais coragem e audácia para assumir papéis diferentes.

    O Dia Internacional da Mulher é uma data boa para alertar que ainda não temos uma situação de igualdade.

    Pesquisas do IBGE indicam que as mulheres têm salários mais baixos do que os dos homens no Brasil. Acredita que é possível superar essa diferença um dia?

    Eu acredito, sim, que é possível. Não sei exatamente como o IBGE chega a esse número porque, às vezes, a forma de tabulação da pesquisa pode resultar numa média baixa. Acredito que uma das razões da diferença é que mais homens estão em cargos de liderança. Há também o aspecto de carga horária de um e de outro. As mulheres, muitas vezes, optam por uma carga horária menor para conciliar o tempo que dedica aos cuidados com a família.

    Hoje, se você for comparar, o nosso tempo de licença maternidade é extremamente curto frente aos de alguns países da Europa, por exemplo. As mulheres, muitas vezes, têm que deixar os filhos em casa com um familiar ou aos cuidados de outra pessoa por falta de creches. Seria ideal que tivéssemos creches para todas as crianças, com educação de alta qualidade. As professoras dessas instituições deveriam ter oportunidade de se qualificar constantemente porque eu acredito que a educação é o norte de tudo. É só pela educação que a gente vai transformar esse país.

    Ainda sobre os salários, acredito que se as mulheres assumirem desafios maiores, a média salarial vai subir. Acredito que muitas não assumem por não ter essa rede de apoio como creches de qualidade e alguém em casa para ajudar nas outras tarefas porque, infelizmente, acaba sobrando a maior parte para a mulher.

    Você acaba de ser mãe pela primeira vez. Como está conciliando os cuidados do pequeno Arthur com o trabalho e o associativismo?

    Eu tenho incluído ele na minha rotina. Eventualmente, duas vezes por semana, eu trago ele junto, no trabalho, umas duas horinhas. Pensei muito para assumir a presidência do Conselho da Mulher Empresária porque, normalmente, as mulheres assumem cargos importantes somente antes de terem filhos ou depois que eles cresceram. Não durante. De certa forma, elas se anulam em alguns aspectos.

    Eu pensei: quero fazer diferente! Isso porque, para mim, os meus anseios também são importantes para me manter viva e eu quero que o meu filho olhe isso com orgulho, por essa contribuição que estou dando para que o mundo que ele vive ficar melhor. É um trabalho voluntário no conselho, eu poderia deixar para outra oportunidade. Mas ele tem propósito, tem fundamento, tem uma missão de encorajar outras mulheres a fazerem o mesmo.

    É um desafio, com certeza, mas é possível. Meu filho está com cinco meses e eu, em momento algum, deixei de fazer alguma coisa por conta disso. Eu não deixei de curtir ele. Não fiquei de licença maternidade, em três ou quatro dias depois do nascimento dele eu já estava trabalhando normal. Eu tenho alguém para cuidar do Arthur e o meu marido ajuda bastante, principalmente à noite. É importante as mulheres darem esse espaço para os maridos participarem.

    Quem o Conselho Estadual da Mulher Empresária representa?

    Hoje a gente conta com 66 núcleos nas diversas regiões do Estado. O número de associadas supera 1.100. O conselho é multissetorial, reúne empresárias da indústria, comércio, prestação de serviços e agronegócio. Temos mulheres de todos os perfis.
    O que a sua gestão vai priorizar à frente do Conselho?

    O maior desafio do conselho é realizar atividades e produzir conteúdos que sejam de interesse de todas, independente da área de atuação. Cada empresária é de uma região, tem a sua cultura local. Mas o que a gente percebe é que todas buscam a mesma coisa, que é melhorar a sua liderança e o seu posicionamento. Por isso, o principal papel do conselho é inspirar mulheres para que assumam funções de liderança. A mulher não precisa ser a prefeita da sua cidade para ser líder. Ela pode ser a presidente da APP (Associação de Pais e Professores) da escola do filho, do grupo de escoteiros ou de outras entidades.

    Nós temos, nas associações empresariais, um maior número de mulheres liderando. Em Maravilha, a associação vai fazer 50 anos este ano e tinha tido apenas duas mulheres na presidência: a minha mãe, Angela Rosane de Oliveira, há 20 anos, e eu. Agora consegui fazer uma sucessora mulher, Eliana Estefano. Eu tenho certeza que a gente percebe aqui como o pensar coletivo faz diferença para o município e a região. Para mim, foi bem valioso dispender esse tempo para a associação. Eu cresci muito como pessoa. Vamos incentivar as mulheres a participar mais para que elas façam a diferença. Elas precisam ser encorajadas.

    O CEME realiza eventos voltados à qualificação. Um deles é o Empreende Mulher Catarinense. Farão novamente este ano?

    Sim. O Empreende Mulher Conference será em agosto. A gente formou uma comissão na última sexta-feira e vamos começar a organizar. Tornamos ele um evento itinerante porque o nosso Estado é muito grande e a gente quer oportunizar que conheçam mais Santa Catarina. Um exemplo: poucos conhecem Maravilha, o nosso município. Por isso foi um desafio para mais de 20 empresárias virem para a cidade, na minha posse. Eu ouvi delas, depois, que gostaram de sair das suas zonas de conforto para participar de um evento numa cidade diferente.

    O desenvolvimento acontece muito através do exemplo. E a nossa região aqui, apesar de distante da Capital, é muito rica, muito próspera. Temos produtos feitos aqui que vão para o mundo inteiro. Então estamos organizando o Empreende. Não decidimos ainda onde será realizado. Vai ser na semana de 17 de agosto, Dia Estadual da Mulher Empresária.

    Uma das prioridades do conselho é incentivar mais o negócio entre empresas. Qual é o plano?

    A gente está pensando em promover mais rodadas de negócios para que a gente tenha uma corrente que incentive mais a realização de negócios entre as associadas. Pretendemos realizar essa rodada num formato novo, que estamos estudando. Além disso, a gente tem o Onda, que consiste em contar cases. O que a gente pretende fazer este ano é envolver a diretoria em projetos de capacitação, que a gente não utilize a base do Onda apenas uma vez por ano. Que a gente faça um projeto contínuo de capacitação.

    Qual é a importância do associativismo empresarial, na sua avaliação?

    Olha, eu estudei bastante, fiz graduação (em Direito na Unoesc) e pós-graduação (Gestão Empresarial pela FGV), me preparei para ser empresária. Mas o associativismo proporciona experiências com outras pessoas que, se você estivesse dentro da sua empresa não teria essa visão. É um aprendizado muito valioso. Seria importante que todos tivessem uma experiência assim. Na associação, eu tinha uma diretoria de 18 pessoas. Todos eram líderes e formadores de opinião. Enquanto na empresa você pode decidir algo de forma individual, ser impositivo, na associação não. É uma troca. Hoje eu trago a experiência de troca vivenciada na associação para as decisões com meus colaboradores, para resolver problemas, criar projetos.

    Como é o seu trabalho no Grupo Oliveira, empresa da sua família, do setor de construção?

    Hoje sou diretora Administrativa e Financeira do grupo. Atuo com com olhar estratégico em todos os setores. Depois que eu tive o Arthur e mesmo antes eu me preparei para sair um pouco da parte burocrática da empresa e me dedicar mais às estratégias. Eu gosto bastante da área comercial, de atender clientes. Como entre os nossos negócios estão incorporações de prédios e loteamentos, aos domingos eu gosto de fazer alguns atendimentos a pessoas que procuram nosso escritório para comprar imóveis.

    Como diretora Administrativa e financeira os “abacaxis” de cada setor vêm para mim. Mas o fato de eu ter executado muitas funções do grupo, de ter trabalhado em todas as áreas, isso fica mais fácil. O grupo é composto por três empresas (Construtora Oliveira, Concreoeste e Britagem e Pavimentação) e várias filiais. Temos quase 400 colaboradores. Trabalhamos bastante fora de Santa Catarina. Pela Construtora Oliveira, a gente faz edifícios, indústrias, PCHs, usinas hidrelétricas, estradas e pavimentação asfáltica.

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