O governo dos Estados Unidos esperou a última hora do dia 15 de julho para confirmar a taxação de 25% contra o Brasil. A medida vai entrar em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho. Ficou a sensação de que faltou empenho do governo brasileiro para negociar tudo o que poderia para não perder o maior mercado do mundo e o que melhor paga. E Santa Catarina será um dos estados mais prejudicados.
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É claro que as críticas e pleitos dos Estados Unidos pareciam exagerados, como impactos do PIX em empresas de cartões de crédito americanas, taxa do etanol e desmatamentos. São temas difíceis, mas o governo poderia negociar com ênfase na manutenção do mercado.
Segundo fontes próximas dos negociadores, a prioridade dos EUA são as terras raras. Como é um negócio incipiente no Brasil, seria possível avançar num acordo.
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Desde o início do problema, parece que a questão política sempre pesou mais do que o pragmatismo de um mercado de 202 anos. Um político foi aos EUA pedir tarifaço em 2025 enquanto o governo pouco valorizou a importância da negociação para evitar nova taxação porque também ganhou dividendos de popularidade.
Um governo não pode desprezar o mercado americano dizendo que o impacto será pequeno no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O movimento da economia muitas vezes é imperceptível, mas acontece de forma relevante.
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Para Santa Catarina, estudo da Federação das Indústrias (Fiesc), liderado pelo economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, apurou que de mais de 1.300 produtos exportados aos EUA, 81% serão afetados pela nova tarifa.
Apurou também que as exportações do estado ao país caíram 38% no primeiro tarifaço, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026.
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São muitos setores industriais de valor agregado impactados pelas tarifas, Entre as empresas estão WEG, Nidec, Tupy, Portobello, Schaefer Yachts e muitas outras.
Mas, segundo o economista Pablo Bittencourt, o setor que fica mais vulnerável é o de madeiras. Isso porque fábricas de diversas regiões de SC produzem exclusivamente aos EUA itens que só eles consomem. Para isso, também têm máquinas específicas.
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Sem o mercado americano, não poderão produzir. Muitas poderão fechar porque não terão máquinas adequadas para fornecer a novos mercados. Talvez, algumas poderão se reinventar.
E essas empresas impactadas estão em regiões do estado onde a indústria é menos diversificada, o que significa perda de emprego e de renda por falta de alternativas.
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No caso dos móveis, é possível tentar conquistar novos mercados, embora a concorrência global seja acirrada. Na opinião do economista, um caminho pode ser a escolha por fabricar produtos de maior valor agregado para fugir da comoditização. Uma empresa de SC já conseguiu esse patamar, a do designer Jader Almeida.
Aprimorar produtos é um caminho difícil, mas não impossível. Mas olhando para a história e tudo mais, o Brasil não poderia perder um mercado gigante, que compra de tudo um pouco, como os EUA. Será que o governo brasileiro vai tentar alguma negociação ou vai esperar o fim do mandato de Donald Trump? Faltam mais de dois anos ainda para ele deixar o endereço da Casa Branca.
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