A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã há menos de duas semanas em região produtora de petróleo gerou alta de preços do produto e derivados já na primeira semana, com impactos no mercado brasileiro. Nesta quinta-feira (12), diante do agravamento da situação, o governo federal baixou um pacote com entrada em vigor imediato para reduzir pressões de preços. Medidas assim já foram tomadas outras vezes no Brasil. O governo espera uma redução de R$ 0,64 no litro do diesel ao consumidor, mas preços seguem voláteis e mercado internacional é soberano, destaca a CEO da Agricopel e distribuidora Mime/Raízen (Shell) em SC, Ana Clara Franzner Chiodini.
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A equipe econômica do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, após receber nos últimos dias série de queixas sobre alta do preço do diesel ao consumidor em até R$ 3 por litro em alguns estados, falta do combustível para fazer a colheita em pleno período de safra, e risco de alta da inflação, decidiu baixar um pacote para ajudar a conter preços. As medidas já foram publicadas ontem no Diário Oficial da União.
As medidas incluem isenção total dos impostos federais PIS/Cofins sobre o diesel, que representa R$ 0,32 por litro, cobrança de subvenção a produtores e importadores de diesel no valor de R$ 0,32 por litro e tributação via medida provisória da exportação de petróleo.
Esta não é a primeira vez que o governo federal corta impostos para reduzir preços de combustíveis devido a conflitos internacionais. Em 2022, em função de impactos da guerra na Ucrânia, o governo de Jair Bolsonaro isentou temporariamente a cobrança de PIS/Cofins, medida que ajudou conter a inflação.
Na avaliação da empresária Ana Chiodini, o governo federal teve boa vontade e está fazendo o que pode para tentar reduzir o impacto da guerra no preço do diesel e consequentemente nos outros bens de consumo e no transporte. Mas o mercado internacional é soberano. Segundo ela, principalmente no Sul (do Brasil) os índices de mercado como o preço do barril impactam muito o custo do produto e se os preços continuarem a subir no exterior, isso pode neutralizar gradualmente essa redução promovida pelo governo, que será repassada aos preços.
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– A redução dos preços nos postos em função do corte do PIS e Cofins deve acontecer, porém o imposto foi cobrado e a cadeia inteira tem estoque. Então leva uns dias para acomodar essa redução. Mas, a princípio se o cenário ficar estável deve aparecer, sim nos preços para o consumidor – afirma Ana Chiodini.
Também para atender o mercado nesse momento, a Petrobras tem feito leilão de cotas adicionais. De acordo com a empresária, teve um leilão no Rio Grande do Sul, tem um programado para a Paulina, mas o preço do leilão está saindo 1,50 acima do preço de tabela. Em Paulina a expectativa é 1,70. Para ela, esses preços mais altos nos produtos importados e nacionais estão ocorrendo pela escassez do produto. O mercado internacional continua incerto.
E na noite desta quinta-feira, ministros da área econômica se reuniram com representantes de distribuidoras para discutir o cenário e soluções. Após a reunião, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin disse que a preocupação primeira é garantir a oferta necessária de diesel. As distribuidoras sugeriram ao governo também importar diesel porque elas têm uma limitação para essas compras no exterior.

