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    Pandemia piora resultado comercial do Brasil com a Argentina; a China avança

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    Por Estela Benetti
    31/08/2020 - 08h25
    Aduana de Dionísio Cerqueira, no Oeste de SC
    Aduana de Dionísio Cerqueira, no Oeste de SC (Foto: Sirli Freitas, DC, BD)

    Por ser o maior e o mais próximo vizinho, tradicionalmente o Brasil era o principal parceiro comercial da Argentina. Mas com as crises, o relacionamento difícil entre os governos dos dois países e, agora, com a pandemia, a situação ficou pior. A China alcançou a liderança como principal destino das exportações argentinas em setembro do ano passado com um saldo comercial de US$ 74 milhões. E agora, na pandemia, segue liderando principalmente com compras de carne bovina e soja, comando vendas mensais superiores a US$ 500 milhões. 

    Enquanto isso, com o Brasil, os negócios estão em queda. De janeiro a julho, as exportações do país para a Argentina somaram US$ 4,394 bilhões, com queda de 26,8% frente ao mesmo período do ano passado. As importações ficaram em US$ 4,227 bilhões, com recuo de 32% frente ao ano anterior.

    Apesar de a Argentina ser o único vizinho internacional de Santa Catarina e de ambos terem intensa relação comercial, a situação é semelhante a do Brasil. As exportações do Estado ao país vizinho até julho deste ano somaram US$ 202,4 milhões, 20,5% abaixo do total do mesmo período do ano passado, quando registraram US$ 254,8 milhões. As importações da Argentina atingiram US$ 531,9 milhões ano passado, com queda de 39,9% em relação ao mesmo período de 2019.

    A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Teresa Bustamante, explica que algumas razões pesam para essa nova situação comercial. Uma é que desde os governos Kirchner, apesar do acordo do Mercosul, a Argentina tem colocado restrições a compras de produtos brasileiros, demorando para liberações de licenças.

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    Outra razão é que, nos últimos 10 anos, o governo chinês se aproximou da Argentina de várias formas. Fez financiamentos importantes de longo prazo, inclusive para a construção de uma nova usina nuclear na Argentina. Há também o fato de a Argentina ser um grande exportador de alimentos e, a China, um grande comprador. Mas o grande problema, no momento, é a pandemia, situação que deve voltar ao normal quando essa crise sanitária for superada. A pandemia reduziu os negócios entre Brasil e Argentina de um modo geral, mas o peso maior é no setor de automóveis, que responde por cerca de 40% das transações entre os dois países.

    Além de todos esses fatores econômicos, pesa o fato de o presidente Jair Bolsonaro não ter ido à posse do presidente argentino Alberto Fernandez e de ainda não ter falado com ele. Além disso, integrantes da equipe econômica do Brasil, logo que Bolsonaro assumiu, chegaram a dar declarações de que o Mercosul não era importante e que a prioridade seria o acordo comercial com a União Europeia. Mas o governo brasileiro tem sido entrave na negociação desse acordo com a União Europeia por não estar conseguindo conter o desmatamento da Amazônia por falta de prevenção adequada. Soma-se a isso, os problemas gerados pela pandemia e outros de interesses específicos dos mercados.

    Para Maria Teresa Bustamante, a nomeação do novo embaixador argentino no Brasil, recentemente recebido pelo presidente Bolsonaro, melhorou a relação entre os dois países. Ela tem alertado sempre sobre a importância comercial do Mercosul e, apesar dos problemas políticos recentes, lembra que os negócios acontecem mesmo no âmbito privado, por isso as restrições às licenças de importação da Argentina são lamentadas.

    No que depender de Santa Catarina, o objetivo é comprar mais do país vizinho, porém com entrada de produtos na fronteira do Estado, pela aduana de Dionísio Cerqueira a partir de agosto do ano que vem. Para o governo de SC, essa mudança vai gerar um novo polo logístico no Oeste catarinense, com geração de emprego e renda. Pode-se esperar o mesmo no lado argentino. Incentivo para essa mudança entraria em vigor neste mês, mas em função da pandemia, foi postergada para agosto do ano que vem.

    Considerando os cenários econômico e político mundiais, a tendência é que a China siga como um grande parceiro comercial da Argentina, como também do Brasil, justamente pela importação de commodities. Mas como Brasil e Argentina são grandes parceiros comerciais e também grandes vizinhos, o importante seria que tivessem uma relação sem rusgas políticas, com respeito às respectivas democracias, com menos limitações nas compras de produtos brasileiros e mais intercâmbio de serviços, especialmente no turismo porque ambos os países têm atrações espetaculares. Nesse setor, SC tem vantagem especial.

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