Quando o empresário italiano Fábio Perini inaugurou um parque industrial para facilitar a instalação de empresas no Norte de Joinville, em 8 de março de 2001, não imaginava que o Perini Business Park, duas décadas depois, superaria as melhores expectativas. O empreendimento, que aniversaria nesta segunda-feira, nasceu com 15 mil metros quadrados de área construída, hoje são 312 mil que abrigam 240 empresas de 13 nacionalidades. Antes da pandemia, recebia público diário superior a 10 mil.
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O último balanço, de 2019, apurou que empresas sediadas no empreendimento faturaram juntas mais de R$ 5,2 bilhões. Se fosse um PIB municipal, seria o 12º de Santa Catarina. O valor de mercado do Perini é de R$ 1,05 bilhão e, hoje, o dono é o fundo imobiliário BIIB11, que está na bolsa B3 e tem cerca de 15 mil cotistas.
De acordo com o CEO do empreendimento, o engenheiro civil catarinense Marcelo Hack, entre os setores que avançam mais, atualmente, estão os de tecnologia, por meio do Ágora Tech Park – que está ganhando dois novos projetos -, e o de logística. Na entrevista a seguir, ele fala mais sobre o perfil, trajetória e rumos do empreendimento que é considerado o maior parque empresarial multissetorial da América do Sul.

Quanto o Perini foi fundado, a expectativa era de que chegaria ao tamanho atual?
Não, não, seguramente não. O projeto Global do Perini, quando nasceu, era de que chegaria a 80 mil metros quadrados de área construída em terreno com 2,8 milhões de metros quadrados. Hoje, estamos com 312 mil metros quadrados construídos e podemos crescer mais.
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Como está o empreendimento hoje?
Temos dentro do parque 240 empresas, de 13 nacionalidades, dos setores mais variados. Obviamente, a gente tem uma vocação muito grande nos setores metalmecânico e plástico, que é uma vocação intrínseca de Joinville. Mas o setor de logística vem crescendo. Sediamos algumas multinacionais de logística. Também cresce o setor de tecnologia de informação e de inovação com o Ágora Teck Park. A gente ainda tem muita manufatura dentro do parque, mas a área de serviços está se desenvolvendo a passos largos.
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Quem é o público dessa “cidade” empresarial?
Nós fizemos um senso bianual. O último é o de 2018 porque ano passado não deu para fazer em função da Covid-19. Antes da pandemia tínhamos um público diário de mais de 10 mil pessoas. Dessas, 8,5 mil eram trabalhadores de empresas e estudantes da UFSC, e mais 1,5 mil prestadores de serviços. Em 2018, tínhamos 29% de público feminino. Acredito que aumentou. Uma das empresas que mais empregam mulheres é a Allflex, que atua com tecnologia para identificação e monitoramento de animais. Do total de empregados dela, 75% são mulheres. Um dos projetos nossos é a instalação de uma creche. É sugestão dos nossos clientes.
Qual foi a maior empresa, em tamanho, que se instalou no parque?
A maior empresa, indiscutivelmente foi a Universal Leaf Tabacos. Eles chegaram a ter 60 mil metros quadrados de área conosco e geravam 1.300 empregos. Era de mão-de- obra intensiva, mas sazonal. Eles trabalhavam sete meses por ano, ciclo da indústria fumageira.
Como foi a passagem da BMW no Perini?
A BMW foi uma escola para nós porque é uma grande empresa multinacional, uma marca espetacular. Eles fizeram toda parte de centro de treinamento e centro de distribuição no Perini, ficaram conosco quase cinco anos. Foi uma experiência muito bacana porque a gente aprendeu muito. É uma empresa que tem processos, profissionais com muita capacidade e a gente teve uma integração muito grande, até porque tivemos o privilégio, por meio da Perville (empresa de construção), de fazer a fábrica da BMW em Araquari. Isso permitiu estarmos muito ligados a eles por alguns anos. Depois, a partir da entrega da fábrica, eles ainda mantiveram conosco por um período o centro de distribuição de veículos para o Brasil, mas naturalmente tudo acabou migrando para a fábrica.
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Vocês têm uma universidade dentro do Perini, que é o campus da UFSC. Qual é o impacto da instituição para o parque e vice-versa?
Eu posso falar muito pelo nosso lado e um pouquinho pelo lado da UFSC. Pelo nosso lado, a UFSC vem servir como uma âncora para o parque tecnológico e como um celeiro de mão-de-obra para as indústrias. Como a UFSC em Joinville é dedicada exclusivamente para as engenharias e nós temos muitas indústrias, ter a mão-de-obra de engenheiros é sempre muito importante e necessário. Ela colabora com profissionais para áreas técnicas, especializadas, seja para as indústrias, seja para as empresas de tecnologia que estão dentro do parque. Para o nosso parque tecnológico, ela colabora com conhecimento não só dos estudantes, mas também dos professores.
Eu considero que a integração do mundo empresarial e do mundo acadêmico é muito complexa de ser feita. Então, a universidade dentro do Perini consegue aproximar esses dois lados. Por parte dos alunos, é importante porque ele podem fazer estágio no parque. É um processo ganha-ganha bastante interessante. Muitos fazem estágios já nos primeiros anos.
A UFSC veio para o Perini a convite nosso. Vimos uma informação no jornal A Notícia, de que estava insatisfeita por ter cinco unidades em Joinville por falta de instalações próprias. O convencimento foi bem difícil, durou 17 meses, mas estamos muito satisfeitos. Se tornou um case nacional, muitos vêm conhecer. A UFSC quer replicar o modelo em Blumenau.
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Uma nova âncora é o setor de tecnologia, com o Ágora Tech Park. Qual é o impacto do polo para o Perini?
O Ágora Tech Park foi inaugurado há dois anos. É um projeto que a gente gostaria de ter feito desde 2008. Naquele ano, nosso time foi para Barcelona porque o modelo de lá é reconhecido internacionalmente. Só que naquele momento a gente tinha dificuldade de se aproximar da academia e do poder público. Qualquer parque tecnológico, para funcionar, necessita da tríplice hélice, isto é, tem que ter academia, poder público e a iniciativa privada. Então como faltavam as pás para completar a nossa hélice a gente acabou postergando o projeto.
A partir da vinda da Universidade Federal, tudo aquilo que estava engavetado em termos de parque tecnológico a gente trouxe para a mesa de novo e, em 2018, a gente decidiu fazer o parque tecnológico de uma maneira bem colaborativa.
Como é esse modelo colaborativo?
Esse parque tecnológico não tem uma finalidade única. A gente viu a oportunidade de ter o conhecimento, a academia perto da gente e, com isso, colocar para caminhar de verdade o projeto. Mas ele tem um segundo viés, porque como nós temos muitas empresas, indústrias, prestadores de serviço dentro do parque, a nossa leitura é que com esse dinamismo que a economia hoje impõe para qualquer tipo de negócio, a inovação tem que estar muito próxima e presente nesses negócios, para mantê-los vivos. Então o Ágora também é um ponto de apoio para as empresas do parque se manterem inovadoras.
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O Ágora vai ganhar dois prédios. O que eles vão abrigar?
Vamos inaugurar agora, dia 18, o Ágora MOB e o Ágora DAT. O Ágora DAT é um Data Center TIER III. E o Ágora MOB é um prédio com 6.200 metros quadrados de área construída. A gente acredita que terá umas 600 pessoas trabalhando nele e, antes da inauguração, já tem 65% da área locada. Vai abrigar empresas das áreas de saúde e outras. O primeiro prédio, o Ágora Hub, que sedia o centro de inovação e participa da rede estadual de centros de inovação, abriga também empresas e instituições. Atualmente, conta com cerca de 250 trabalhadores.
A pandemia chegou a afetar muito os negócios no parque?
Não temos o balanço de 2020 ainda, mas pelo ritmo dos negócios, especialmente da indústria, os resultados não devem ter sido muito afetados.
Qual é o cenário futuro para o Perini?
Acredito que nós vamos continuar com esse mix de indústrias, tecnologia e serviços. Hoje, a gente visualiza que nós temos um potencial para chegarmos a 550 mil metros de área construída. Obviamente que isso tudo vai depender de demanda, de mercado, mas a gente imagina que o parque ainda vai continuar crescendo por mais 20 anos sem dúvidas. É o que o tempo que eu preciso para me aposentar (risos)!
Como é a participação do empreendimento na bolsa de valores?
O parque está na bolsa do Brasil, a B3, desde 2011 por meio do fundo imobiliário com código BIIB11. Começou com venda de cotas por R$ 300 cada e hoje está em cerca de R$ 530. Tem um dividend yield (rendimento) de 6% ao ano.
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