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    Pesquisa da Abrasel-SC mostra queda da renda do consumidor e insegurança para ir a restaurantes  

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    Por Estela Benetti
    20/05/2020 - 16h27
    Raphael Dabdab, presidente da Abrasel, diz que para sair da crise será preciso correr uma maratona. Foto: Guito Rossi NSC TV
    Raphael Dabdab, presidente da Abrasel, diz que para sair da crise será preciso correr uma maratona. Foto: Guito Rossi NSC TV

    A baixa frequência de pessoas fazendo refeições fora de casa desde que bares e restaurantes foram reabertos em Santa Catarina, dia 22 de abril, motivou a seccional catarinense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SC) a fazer uma pesquisa para identificar as principais causas. Entre os números que mostram o impacto da pandemia, chamam a atenção o fato de que 73% dos entrevistados tiveram queda de renda e que 53% ainda se sentem inseguros para voltar a frequentar restaurantes em função dos riscos do coronavírus.

    A pesquisa ouviu 1.372 pessoas de diversas regiões do Estado entre os dias 11 e 17 de maio. De acordo com o presidente da Abrasel-SC, Raphael Dabdab, o que mais preocupa é a queda de renda dos consumidores.

    - O hábito e a preferência do consumidor mudaram bastante. Mas o que nos surpreendeu mais foi o impacto financeiro. A gente não imaginava um percentual tão elevado na perda de renda familiar. A sondagem mostrou que 21% tiveram uma queda maior do que 50% na renda. É muito! E o setor de alimentação fora do lar tem uma relação direta com renda. Sempre que temos aumento, o setor prospera – analisa o empresário.

    Segundo o presidente da Abrasel, a queda de renda mostra que o setor necessitará de um tempo maior para retomar atividade no ritmo de antes da pandemia. Além disso, o dano econômico continua acontecendo. Se não chegar financiamento para as empresas, mais demissões serão realizadas.

    Para Dabdab, as prefeituras e o Estado têm se omitido de dar suporte econômico para preservar o emprego e reduzir impacto da crise. Ele cita o exemplo de uma distribuidora de alimentos. Ela teve uma queda expressiva de faturamento porque os principais canais dela, food service e restaurantes - foram muito atingidos. Mesmo assim, ela continua pagando o IPVA de caminhões parados. Os restaurantes precisam continuar pagando taxa de lixo e e de luz, mesmo fechados. Não houve um incentivo à produção, observa ele.

    A insegurança do consumidor em frequentar restaurantes não surpreendeu. As pessoas estão com medo de contrair o coronavírus. O setor já tinha essa informação porque os estabelecimentos que abriram estão com cerca de 30% do público que tinham anteriormente. Para o empresário, esse medo vai passar no momento que as pessoas tiverem mais informações sobre a segurança dos protocolos que estão sendo cumpridos. Ele observa que são normas rígidas e não há informação de contágio por alimento. A pesquisa apontou que 49% dos consumidores se sentirão 100% seguros para frequentar restaurantes quando existir uma vacina contra a Covid-19.

    - Se num primeiro momento a gente tinha dúvidas de que essa crise seria uma corrida de 100 metros ou 200 metros, agora ficou claro que estamos falando de uma maratona. O empresário precisa se preparar porque é muito pouco provável que dentro de 2020 o volume de negócios vai voltar a ser o mesmo do pré-Covid-19. É muito provável que a gente vai atingir isso somente no ano que vem – prevê.

    No levantamento, a Abrasel também quis saber como os consumidores estão consumindo alimentos de restaurantes via delivery. Entre os que responderam, 63% informaram que aumentaram a frequência de compras online e 57% aumentaram o gasto total nesse tipo de aquisição.

    Nesta quinta-feira, a Abrasel-SC vai realizar um webinar com seus públicos para avaliar os resultados da pesquisa e definir estratégias para enfrentar as dificuldades indicadas pelo levantamento.

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