*Por Larissa Linder

Uma parte do noticiário sobre a inflação de 2017, divulgada na semana passada, passou quase despercebida: os planos de saúde tiveram a segunda maior alta entre as categorias analisadas pelo IBGE, um aumento de 13,53%, perdeu apenas para combustíveis domésticos (gás e eletricidade), que alcançou 15,59%. Embora o IPCA do último ano tenha sido o menor em duas décadas – apenas 2,95% -, graças à boa safra, enquanto pagou-se menos por comida, pagou-se muito mais por plano de saúde.
Desde 2012, aliás, a inflação do setor fica acima do índice geral. Nos últimos cinco anos, pagar um plano de saúde ficou 85,5% mais caro. O maior IPCA foi observado em 2016, quando houve aumento de 13,55%. Não foi à toa que pelo menos 29 mil catarinenses largaram planos naquele ano. No entanto, a maior diferença entre inflação geral e dos planos ocorreu no ano passado. 
Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que puxa os preços para cima são, principalmente, os contratos coletivos. Para os individuais, a ANS estipula um teto anual de reajuste, que em 2017 foi de 13,55%. É um máximo, sendo que as operadoras podem praticar reajustes menores ou nem mesmo alterar o preço cobrado. Mas nos casos coletivos tudo depende de acordo entre operadora e empresa, que, conforme a agência reguladora, teria maior poder de barganha por estar negociando uma quantidade considerável de contratos.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirma que a inflação médica ser maior que a inflação geral dos países é “um fenômeno mundial”, e que os reajustes dos planos de pessoas físicas seguem índices intermediários entre a inflação geral e os reajustes praticados nos planos coletivos, “gerando uma defasagem financeira, ano a ano, que provoca perdas irreparáveis”. Pelo menos desde 2012, diz a Abramge, a saúde suplementar opera com margens operacionais inferiores a 1% no país. 

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Errata

Ontem a coluna noticiou que 61% dos consumidores catarinenses consideram que 2018 será um ano melhor que 2017. No entanto, a Fecomércio-SC retificou a informação: o percentual correto é de 55,6% de consumidores otimistas.

A realidade

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Para além da propaganda, o mundo real se impõe. É o que revela pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas/Serviço de Proteção ao Crédito: 41% dos brasileiros estão pessimistas com o futuro da economia. Os otimistas com o país somam 20%. Entre os que estão pessimistas, o principal motivo apontado é a corrupção e a impunidade dos políticos (45%), seguido daqueles que discordam das medidas econômicas adotadas pelo atual governo (15%) e a percepção de que o desemprego continuará aumentando (14%). Já considerando os otimistas, a maior parte (41%) não sabe explicar as razões de acreditarem na melhora.
Tão ou mais grave é que 84% dos consumidores avaliam de forma negativa o atual momento da economia. E apenas 2% a consideram favoravelmente. Quando o assunto é a sua própria vida financeira, a avaliação positiva atinge 12% dos entrevistados, contra 43% de pessimistas.

Faca de dois gumes
A produção de veículos no Brasil inverteu a curva e cresceu 25,2% em 2017, com cerca de 2,7 milhões de novas unidades, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Sim, a indústria automotiva costuma ser um termômetro da economia, sua cadeia produtiva emprega milhões de pessoas e as vendas em alta demonstram aumento do poder de compra do consumidor. Mas mais veículos na rua comprometem ainda mais a já delicada mobilidade em grandes centros urbanos, o que também é ruim para o desenvolvimento e a qualidade de vida.

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