O mundo do agronegócio é acostumado com o sobe e desce da inevitável “lei da oferta e da procura”. Mas, neste ano de 2026, o setor já enfrenta uma série de entraves que deverá ganhar outros no segundo semestre, formando uma “tempestade perfeita”. Quem faz este alerta é o presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo.
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O líder rural destaca que o setor enfrenta queda de preços das commodities, incluindo grãos e carnes, alta de custos em função do preço de combustíveis e fertilizantes e retrações de mercados. Isso em função da queda do poder de compra do consumidor no Brasil e das exportações devido a problemas geopolíticos.
Na série de obstáculos estão também juros altos com restrição de financiamentos e de oferta de seguro rural. Além disso, propriedades estão endividadas devido aos altos juros e queda no faturamento.
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E para o segundo semestre, existe o alerta do El Niño mais intenso, com enchentes no Sul do país e secas nas demais regiões. Além disso, por enquanto, o Brasil perdeu o mercado europeu de carne a partir de setembro por não cumprir normas sobre uso de antibióticos na produção animal. Na lista está ainda a possiblidade de maior custo de pessoa com o fim da escala 6X1.
– Não se trata de dificuldade episódica: é uma tempestade perfeita sobre a atividade que sustenta a segurança alimentar, a balança comercial e o emprego no interior. O produtor tem demonstrado competência técnica e capacidade de adaptação. Entretanto, nenhuma eficiência privada basta quando o ambiente econômico, climático e internacional se torna errático – ressalta Pedrozo.
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Na avaliação do presidente do Senar e da Faesc, é improdutivo buscar culpados. A pergunta correta é como estabilizar uma atividade estratégica antes que a descapitalização se transforme em perda estrutural de produção.
Para ele, o socorro aos produtores endividados, aprovado no Senado e ainda dependente de efetivação pelo governo, é necessário, mas não pode comprometer o Plano Safra nem substituir políticas permanentes de mitigação de risco como o seguro rural.
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– A agricultura não pede privilégio; requer condições mínimas para continuar produzindo com eficiência, responsabilidade e compromisso com o Brasil. O momento exige coordenação entre governo, Congresso, sistema financeiro, seguradoras, cooperativas, pesquisa agropecuária e defesa civil – explica Pedrozo em artigo sobre o tema.
O líder rural alerta que o campo não pode ser deixado sozinho diante de tantos choques. Isso porque oferta de alimento garante resultado econômico, soberania nacional e paz social.
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Preços baixos chegam ao mercado
A queda de preços de alimentos chega aos consumidores brasileiros. Mostra disso está nos números do IPCA (inflação oficial do Brasil no primeiro semestre). A inflação acumulada no período foi alta de 3,36%, enquanto o grupo de alimentos e bebidas teve queda de -0,24%.
É claro que é bom para o consumidor a redução de preços, mas o governo e o setor financeiro devem prover as condições para que os agropecuaristas sigam produzindo. Se não, cai a oferta e os preços sobem no ano seguinte, impactando a inflação e todos os custos do país.
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