Uma das maiores instituições de investimento do mundo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) enfrenta uma retração de pedidos de financiamentos, especialmente da indústria. Ontem, em palestra ao Conselho Estratégico da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o presidente da instituição, o economista Paulo Rabello de Castro, desafiou os empresários do Estado a procurar mais a instituição para investimentos. Segundo ele, os financiamentos industriais caíram junto ao BNDES, isso não é bom para o banco e também não deve ser bom para a indústria.
Continua depois da publicidade
— Meu périplo tem a ver com a necessidade que o banco tem de se aproximar mais dos clientes industriais, passar informação de que o banco dispõe de recursos para a indústria e saber onde está o cliente potencial de médio e pequeno porte – afirmou Rabello.
Nos dois primeiros meses deste ano o BNDES enfrenta uma expressiva queda de 32% de fechamento de novos contratos. Segundo o presidente, é um problema pontual porque os bancos parceiros não conseguiram adaptar suas tecnologias para utilizar a nova taxa de juros de longo prazo, a TLP. Isso será resolvido em dois ou três meses. Ele sinalizou também para os líderes empresariais presentes que além dos financiamentos, o BNDES pode ser parceiro de investimentos com o BNDESPar.
Rabello, que é doutor em economia pela Universidade de Chicago e foi um dos fundadores do Movimento Brasil Eficiente, junto com o empresário catarinense Carlos Rodolfo Schneider, vai deixar o cargo até o dia 7 de abril porque será candidato à presidência da República pelo Partido Social Cristão (PSC). Questionado sobre propostas ao país, disse que não poderia falar disso enquanto presidente do BNDES.
Questionado sobre as projeções das indústrias para retomar investimentos, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, citou entrave político.
Continua depois da publicidade
— O problema do investimento está muito relacionado com expectativas. O país vive um ambiente de incerteza com relação à política. É claro que o empresário não deixa de investir em atualização tecnológica, mas para novos projetos de ampliação da produção ele aguarda o desfecho das eleições deste ano – explicou Côrte.
Na reunião, o primeiro vice-presidente da Fiesc, Mario Cezar Aguiar, fez uma apresentação sobre as carências catarinenses em logística e projetos. A entidade entregou documento a Rabello com informações completas sobre isso. A federação falou também sobre os projetos de inovação nos institutos e laboratórios de inovação do Senai e Sesi, que somam mais de R$ 700 milhões em andamento.
Leia outras publicações de Estela Benetti
Veja também:
