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    Apagão logístico

    Quanto pesam as perdas econômicas e ambientais com a BR-101 engarrafada

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    Por Estela Benetti
    21/09/2020 - 19h11 - Atualizada em: 22/09/2020 - 00h25
    Trecho da BR-101 engarrafado
    Trecho da BR-101 engarrafado (Foto: Gabriel Lain, Diário Catarinense, BD)

    O Brasil é um país caro para o brasileiro. Um dos motivos é a péssima logística de transporte rodoviário que eleva o preço do frete, dos produtos e a poluição atmosférica. Para percorrer cerca de 298 quilômetros entre Criciúma e Navegantes, pela BR-101, o custo total do transporte sobe, em média, 30%, considerando impactos de diversas despesas maiores causadas pelos engarrafamentos, aponta pesquisa inédita feita pela Federação das Empresas de Transporte e Logística do Estado (Fetrancesc). Recursos tecnológicos, novas obras e gestão eficiente resolveriam esses entraves.

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    O levantamento, feito em parceria com a Faepsul/Unisul, em monitoramentos iniciados em novembro do ano passado, mostrou que esse percurso, que normalmente seria percorrido em cinco horas, exige nove horas ou mais. Nos trechos onde os caminhões têm que trafegar a 40 quilômetros por hora, ocorre aumento de 93,55% do custo da remuneração de motoristas, alta de 9,16% de custo operacional e eleva em 11,32% os impactos ambientais na atmosfera. 

    No trajeto, 45 quilômetros são percorridos a apenas 26,5 quilômetros por hora, e em 57 quilômetros a velocidade média fica em 40 quilômetros por hora. O estudo apontou ainda que quanto é preciso fazer essa última velocidade, o custo financeiro total cresce 170% e o custo de oportunidade (o que se ganharia usando o recurso em outra atividade ou investimento) é de – 8 vezes.

    - Do acréscimo de 30% nos custos de logística, 13% são repassados ao consumidor final – alerta o presidente da Fetrancesc, Ari Rabaiolli, ao destacar que o objetivo do estudo foi mostrar o impacto do custo da logística não só ao setor de transporte, mas para toda a sociedade. Para ele, a solução principal está na conclusão do contorno viário na Grande Florianópolis e na construção de mais um contorno entre Barra Velha e Itapema. Além disso, a integração de transporte coletivo urbano e dos vários modais de logística do Estado ajudaria a reduzir essas perdas porque reduziria o número de veículos nas rodovias.

    O apagão logístico retratado na pesquisa da Fetrancesc resulta de uma série de erros de gestão pública. Faltou uma concessão eficiente da BR-101 que fizesse as obras necessárias no prazo previsto, também o transporte coletivo integrado e a integração de modais de transporte de cargas. Uma alternativa temporária, enquanto não sai o novo sistema de transporte coletivo integrado da Grande Florianópolis, poderia ser uma integração virtual do transporte público. Mas isso não tem sido cosiderado pelos gestores públicos. O estudo mostra o quanto pesa a logística ruim num estado que, se tivesse um sistema melhor de trânsito, geraria mais renda, empregos e recursos tributários para o país.

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