nsc

publicidade

Estela

Evento

“Recomendo ser autodidata, baixar os aplicativos e usar” diz diretor do Instituto de Auditores

Compartilhe

Por Estela Benetti
17/09/2019 - 09h45 - Atualizada em: 17/09/2019 - 13h23
Paulo Gomes palestrou em evento (Crédito: Lucas Ninno, divulgação)

O uso de inteligência artificial nos processos de auditorias de empresas públicas e privadas é uma tendência inevitável e cada vez mais necessária. Essa é a convicção difundida no 39º Congresso Brasileiro de Auditoria Interna (Conbrai 2019), que acontece no Centrosul, em Florianópolis. Participam aproximadamente 900 auditores fiscais de todas as regiões do país para ouvir cerca de 30 palestrantes do Brasil e exterior.

Para o diretor-geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil, Paulo Gomes (foto), a atividade de auditoria é essencial para zelar pela aplicação da ética, combater fraudes, corrupção e, assim melhorar as condições de empresas e instituições. O americano Larry Harryton alertou que 47% das empresas hoje usam tecnologias não confiáveis e uma pesquisa da Tata Consultancy junto a 835 executivos globais apurou que para 85% o uso de inteligência artificial é essencial para a competitividade.

- Como a gente decidiu enfatizar a importância da tecnologia na auditoria, decidimos trazer o evento para Florianópolis onde se respira tecnologia – disse Paulo Gomes.

Sobre o avanço do uso da inteligência artificial na atividade, o diretor-geral do IIA Brasil falou que nem todo mundo tem facilidade de se adaptar ao novo. Ele conta que nos anos de 1980, quando fez graduação em contabilidade no Rio de Janeiro e decidiu seguir a carreira de auditor, viu que precisava entender mais de tecnologia, por isso cursou um MBA na área. Hoje, ele sugere ao profissional ter o conhecimento específico para a área e aprender a usar as tecnologias, sem se opor às mesmas. Até recomenda ser autodidata.

- Eu percebi um dado preocupante: colegas de auditoria avessos a tecnologia serem demitidos. Hoje, além do perfil analítico específico da área, a empresa, na hora de contratar, pede experiência em tecnologia, de alguma ferramenta. Não é preciso fazer   faculdade também em tecnologia. Eu recomendo ser autodidata, ter coragem de baixar os aplicativos e começar a usar, a estudar. Eu comecei a fazer auditoria com caneta e hoje tenho 220 aplicativos no celular. Não consigo mais escrever. O mundo está na palma da minha mão, no celular – afirmou o diretor do IIA.

Ele conta que há poucos dias, quando viajava no interior dos Estados Unidos, foi a um restaurante com atendimento digital. Teve disponível um tablete para fazer o pedido e após fazer a refeição informou que encerrou a conta e pagou com o cartão de crédito sem a interferência direta de uma pessoa. Então concluiu que o auditor atual não precisa saber linguagem de programação, mas deve conhecer o fluxo dos ambientes empresariais tecnológicos para investigar e auditar. Isso porque pode haver fraudes, desvios.

- O fraudador sempre pensa na frente. As ferramentas que existem hoje nas empresas permitem ver fraudes imediatamente – observou ele.

Combate à corrupção

Na avaliação de Paulo Gomes, que foi auditor do sistema Furnas e hoje atua como consultor, empresas de todos os portes, tanto públicas quanto privadas, deveriam ser auditadas sempre. Isso evitaria erros, fraudes e corrupção. Para ele, a punição é o melhor método para conter quem tem intenção de fraudar. Se a pessoa pensa que vai ser presa mais adiante, evita a corrupção. O Brasil teve um avanço histórico contra a corrupção a partir de 2013, com a nova lei da delação premiada.

- A Lava-Jato foi um avanço. Eu posso falar do meu Estado (o Rio). Sinto até vergonha. Foram cinco governadores presos. Isso é o início. Agora, não foi só o Rio de Janeiro. São quase todos porque o sistema de arrecadação de dinheiro de campanha, com benefícios indevidos, pode acontecer em mais de 5 mil municípios do Brasil. Tivemos um juiz com coragem em Curitiba, que é o Sérgio Moro. Outro juiz com coragem no Rio de Janeiro, o Marcelo Bretas. E os juízes dos outros Estados não poderiam seguir o mesmo exemplo? – questionou.

Quando se compara o país frente a outros mais rigorosos no cumprimento de leis, normas de compliance, se observa que há muito por fazer ainda. Conforme o diretor do IIA, a situação é tão grave no Brasil em termos de corrupção que se cria leis e decretos para legalizar a ilegalidade e beneficiar quem está cometendo erros.

Questionado sobre como chegar a controles maiores para coibir a corrupção a exemplo de países como o Canadá e Reino Unido, Paulo Gomes afirmou é preciso começar pela educação infantil, envolvendo todos.

- Já tivermos um avanço no Brasil com alguns ganhos, prisão de fraudadores. Já se sabe que a origem da corrupção começa nos municípios. Eu diria que o começo deveria ser fortalecendo a ética na educação das crianças. Você tem muito código de conduta para categorias profissionais, mas é necessário começar na infância. Acho que para mudar o país é preciso começar lá na base, no município. É preciso ter professores éticos que ensinam isso para as crianças e fazer reuniões também com os pais para essa família ter comportamento ético – enfatizou Paulo Gomes.

Deixe seu comentário:

Estela Benetti

Estela Benetti

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

estela.benetti@somosnsc.com.br

publicidade

publicidade

Mais colunistas

publicidade

publicidade