Com a previsão de impactos fortes do fenômeno climático El Niño este ano, com enchentes no Sul do Brasil, a Celesc, concessionária de energia de Santa Catarina, informa que elaborou plano de contingência de referência nacional para enfrentar eventuais problemas resultantes do clima. Em encontro com a imprensa nesta segunda-feira (15), o presidente da empresa, Edson Moritz, o diretor de Operações Elói Hoffelder, a diretora de Gestão de Energia e Regulação, Pilar Sabino, e técnicos fizeram apresentação das medidas previstas.

Continua depois da publicidade

O planejamento inclui desde a escalação de equipes regionais para ficarem de prontidão conforme as previsões climáticas por regiões, até transformadores e geradores de reserva e um acordo com a companhia de energia do Paraná, a Copel, para ajuda em caso de um grande evento climático extremo, que deixe grande parte do estado sem energia elétrica.

Esse trabalho, como das outras vezes, será desenvolvido sempre com apoio da Defesa Civil do Estado e em parceria com equipes dos municípios. A empresa conta com 16 regionais e 139 bases operacionais para atender 267 municípios, onde é fornecedora de energia. Os demais são atendidos por cooperativas regionais.  

O presidente da Celesc, Edson Moritz (C) com o diretor de Operações e Serviços da empresa, Elói Hoffelder, e a diretora de Gestão de Energia e Regulação, Pilar Sabino (Foto: Estela Benetti)

A diretoria da Celesc destaca que a empresa é uma das mais preparadas do Brasil para eventos climáticos. Isso porque tem feito investimentos permanentes em tecnologias e priorizado redes mais resistentes, com cabos protegidos.

Entre os diferenciais de redes da empresa estão sistemas inteligentes que fazem religamento automático em caso de queda de energia.

Continua depois da publicidade

A Celesc tem priorizado o uso de cabos protegidos que não desligam quando são atingidos por alguns objetos. A norma nacional para uma nova linha de transmissão é capacidade para enfrentar ventos de até 110 quilômetros por hora, mas a empresa tem feito linhas capazes de suportar ventos de 150 quilômetros por hora.

No caso de queda de rede, a Celesc passou a usar drones com sensor de temperatura para identificar problemas. Isso permite religamentos mais rápidos. Ela acaba de investir mais de R$ 1 milhão em frota de drones, tanto para inspeção visual quanto termográfica. Essa inspeção termográfica sinaliza falhas que vão acontecer no futuro e, assim, é possível fazer manutenção preventiva.

E para melhorar a comunicação das equipes, a Celesc acaba de contratar internet via satélite da Starlink, para onde não há sinal de celular. Assim, 100% das equipes estarão conectadas via celular.

Mais de 500 equipes de trabalho

Nas 139 bases operacionais a Celesc tem 510 equipes de trabalho. Dessas, 340 são para serviços leves, para primeiro atendimento. Tem mais de 40 equipes para trabalhos pesados que incluem colocar rochas ou instalar transformadores e as demais para diversos trabalhos, que incluem o comercial.

Continua depois da publicidade

De acordo com o presidente Edson Moritz, a Celesc vem se preparando para enfrentar eventos climáticos mais severos e mais frequentes. Ele diz que esse preparo já está no plano liderado pelo governador Jorginho Mello do maior ciclo de investimentos da companhia, de mais de R$ 4,5 bilhões em quatro anos até o fim de 2026. A integração com os demais órgãos e prefeituras torna o plano de contingência mais eficiente, destaca Moritz.

A Celesc, entre as grandes companhias de energia, é a que dá respostas mais rápidas para o restabelecimento de energia. Nas faltas mais simples, a luz volta numa média de três horas. Mas quando é um problema severo, de queda de uma rede, a recuperação ocorre em pouco mais de dois dias. Esse conhecimento ajuda no caso de eventos climáticos maiores. Mas existem situações em que não é possível religar a energia rápido, que são os casos de alagamentos de cidades. Aí, é preciso esperar as águas baixarem.