Dois desafios da construção civil aceleram a industrialização do setor, isto é, a produção de partes de obras fora do prédio, o que é chamado off-site ou pré-fabricado. Os desafios são a reforma tributária, que incentiva a produção off-site ao reduzir a tributação se houver fornecedor, e a falta de trabalhadores para atuar nas obras. O alerta sobre essa tendência é feito pelo empresário Rui Gonçalves, fundador da AltoQI, empresa de Florianópolis que é uma das líderes no segmento de softwares para projetos de construção civil.   

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– A industrialização da obra sempre foi um desejo. Mas sem projetos bem-feitos, digitais e prontos, como é que se industrializa algo? Industrializar significa produzir off-site e montar na obra – explica Rui Gonçalves.

Veja mais imagens sobre a empresa AltoQI, que faz softwares para construção:

A elaboração de projetos com precisão técnica para serem compostos por partes pré-fabricadas requer software. A AltoQI tem se destacado nesse segmento no Brasil e no exterior com plataforma BIM (Building Information Modeling), que funciona como uma infraestrutura produtiva. É um software que possibilita a arquitetos, engenheiros e fornecedores trabalharem sobre um mesmo modelo digital. Assim, reduzem discordâncias e facilitam as obras.

– O BIM criou um padrão para todo mundo fazer os projetos no mesmo padrão e todos eles se encaixarem. É como se criássemos uma linguagem comum. Se todos falam BIM, os diversos projetistas se entendem – destaca Rui Gonçalves.

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Na avaliação do empresário, as obras de construção civil vão ficar cada vez mais parecidas com montadoras do setor automotivo. Os fabricantes de carros investem alto numa plataforma que produzirá um milhão de unidades. Eles criam linha de montagem e os fabricantes interagem nela. A obra de construção vai ser assim, disse ele. Esse modelo vai substituir trabalhadores que fazem de tudo um pouco para um especialista.

Carga tributária menor

A digitalização de projetos e industrialização off-site devem ter aceleração também em função da reforma tributária, já entrando em vigor. O novo modelo tributário, que será implantado até 2033, conta com a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que não serão comulativos.

Com a reforma, serviços terceirizados e sistemas industrializados vão gerar créditos tributários para empresas e essas poderão adquirir.

– Se eu terceirizar e comprar o serviço embarcado, eu consigo abater do imposto. Se eu tiver mão de obra própria na obra, eu não abato. Folha de pagamento não abate – explica o fundador da AltoQI.

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Então, a expectativa é de que a reforma tributária vai provocar uma aceleração da pré-industrialização da construção civil no Brasil. Isso porque os empresários vão procurar pagar menos impostos para ter melhores resultados.

Essa maior produção off-site também ajuda a enfrentar o problema da falta de mão de obra ao setor. Rui Gonçalves cita a pesquisa Sondagem da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) segundo a qual 82% das empresas do setor enfrentaram dificuldades para contratar trabalhadores para preencher suas vagas em 2025. Esse foi o maior percentual desde 2012.

O setor da construção civil é um dos maiores empregadores no Brasil, com mais de 3 milhões de contratações formais, segundo dados do Ministério do Trabalho. A falta de trabalhadores qualificados é maior em funções mais técnicas, especializadas.

Além da produção fora da obra, outro avanço importante é a digitalização de processos, na qual entra a AltoQI como fornecedora de tecnologia. Rui Gonçalves destaca o avanço da inteligência artificial junto com a digitalização de projetos e de outras etapas. Ele ressalta que a tecnologia ajuda engenheiros e técnicos na tomada de decisão, restando mais tempo para fazer a gestão de pessoas e contatos com lideranças.

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Com 36 anos de atuação e sede em Florianópolis, estado de Santa Catarina, a AltoQI é líder nacional em softwares para digitalização de obras de construção civil com base no sistema BIM. Além do mercado nacional, seus softwares são usados em mais de 15 países, situados nas Américas ou na África.