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    Renda mínima e problemas de um governo em campanha

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    Por Estela Benetti
    30/09/2020 - 05h04 - Atualizada em: 30/09/2020 - 05h51
    Renda mínima e problemas de um governo em campanha
    Uso de verbas de precatórios e Fundeb para plano de renda mínima desagrada. Medida foi anunciada por Bolsonaro (C) (Foto: Alan Santos, PR)

    A pandemia permitiu colocar luz sobre o contingente de brasileiros pobres invisíveis: cerca de 38 milhões de pessoas. Mas a prioridade do presidente Jair Bolsonaro de se manter popular com a continuidade de pagamento de auxílio emergencial é um alerta de que o populismo pode aprofundar os problemas econômicos. Ao colocar em dúvida a disposição da equipe econômica de manter o ajuste fiscal, a proposta apresentada segunda-feira derrubou a bolsa, elevou o dólar e atraiu uma série de críticas.

    Economistas e analistas de contas públicas foram francos em alertar que eventual postergação do pagamento de precatórios significará elevar dívidas e furar o teto de gastos, o que caracteriza pedalada fiscal. Os precatórios resultam de decisões judiciais e consistem em dívidas a serem pagas, muitas das quais a pessoas pobres que aguardam os recuros há anos. Outro equívoco é o plano de usar parte da verba do Fundeb para o programa de renda mínima. Isso é negativo porque educação de qualidade é o grande gargalo do Brasil. Além de manter os recursos no fundo, o governo deveria liderar um esforço para que o país melhore o nível de educação.

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    Esse arranjo polêmico para viabilizar o programa que pretendem chamar de Renda Cidadã não surpreendeu. A proposta de reforma administrativa para setor público, apresentada no início deste mês, também atraiu série de críticas porque propôs mudanças somente para os novos servidores, sem alterar privilégios atuais. Isso apesar das pressões da sociedade para acabar com benesses caras como progressão automática de carreira e pagamentos de penduricalhos a quem recebe altos salários.

    A gestão do governo de Jair Bolsonaro tem apresentado tentativas de medidas sem os ajustes necessários para reduzir despesas públicas e melhorar os serviços aos cidadãos. Como o foco está na reeleição em 2022, muitas tentativas de mudanças se enquadram naquele ditado popular de querer fazer omelete sem quebrar ovos. 

    A falta de reformas ou aprovação de medidas ineficientes para conter despesas e melhorar os serviços públicos prejudicam os cidadãos, afastam investidores e empobrecem o país. 

    O fim da reeleição ajudaria a minimizar esse problema crônico no Brasil de os políticos trabalharem apenas para garantir mandato a próxima eleição.

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