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Rumos da política e riscos para a economia são discutidos na Expogestão

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Por Estela Benetti
10/05/2018 - 04h45 - Atualizada em: 10/05/2018 - 04h44
(André Kopsch, divulgação )

Enquanto grupos empresariais de excelência se sobressaem em qualquer cenário graças à liderança em inovação, o grande contingente de empresas do país está à mercê das turbulências da política e suas indefinições.

No seminário executivo Economia, Finanças & Negócios, na manhã desta quarta-feira (9), na Expogestão, o professor da Fundação Dom Cabral Carlos Alberto Primo Braga, a economista da Tendências Consultoria Denise de Pasqual e o cientista político da Tendências Rafael Cortez falaram de cenários para a economia diante das indefinições da sucessão presidencial. E os presidentes da Tigre, Otto von Sothen, e da Embraco, Luiz Felipe Dau revelaram como as companhias estão focando as necessidades do mercado para diversificar negócios e crescer com tecnologias de ponta.

Primo Braga alertou que sem as reformas estruturais o Brasil não voltará a crescer. 

— Nós estamos numa trajetória de expansão da dívida pública de forma insustentável. Se nada for feito (das reformas), em três ou quatro anos teremos uma crise seríssima com retorno da inflação ou um aumento significativo de juros, que é o que está acontecendo na Argentina devido a dívida externa – disse Braga. 

Para Cortez, a indefinição política pode gerar instabilidade até a eleição. Por enquanto, não há um nome que sinalize uma alternativa crível do ponto de vista político.  

— Do ponto de vista econômico, um cenário que não passa por recuperação fiscal não tem condições de proporcionar estabilidade ao país. O setor produtivo está esperando o processo político. Se um presidente qualquer for eleito e disser que não vai fazer uma reforma da Previdência, que vai adotar outra estratégia econômica, a percepção de risco irá para um patamar muito mais elevado – disse Cortez, para quem os candidatos deverão falar mais abertamente sobre reformas na campanha. 

Enquanto a indefinição política continua, a Tigre, por exemplo, mantém a estratégia de investir em pesquisa e desenvolvimento e avança nas unidades no exterior. 

— Grande parte do crescimento virá do mercado externo. Na Tigre, por exemplo, 40% da receita é gerada fora do país – revelou Sothen. 

Na Embraco, a metade da receita vem da atuação no exterior, informou Dau ao destacar que a liderança em inovação tem garantido à empresa o maior faturamento mundial do seu setor. No ano passado, a Embraco cresceu 4%.  Foi essa liderança que motivou a aquisição da empresa pela japonesa Nidec, há cerca de duas semanas.

Além de ajustar o cenário econômico com as reformas, o professor Braga afirmou que o Brasil precisa elevar a produtividade. 

 

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Embaixador da China vislumbra um "caminho de progresso" na relação com o Brasil  Economia nas regiões  A economista Denise de Pasqual, da Tendências Consultoria, afirmou que nesta fase de retomada lenta do crescimento econômico as empresas com atuação no mercado nacional devem prestar atenção para as regiões do país porque elas têm registrado crescimento diferente. O Centro-Oeste, por exemplo, cresceu mais porque sua economia é forte no agronegócio. Vários Estados estão crescendo mais, entre os quais, Santa Catarina e Amazonas. A expectativa da consultoria para o PIB deste ano é de alta de 2,8% no país. Ela também afirmou que cada setor têm uma dinâmica própria. A classe A foi a que mais perdeu renda na crise, mas está retomando com rapidez. Na foto, a partir da direita, durante o seminário de Economia,  o professor Carlos Alberto Primo Braga, o cientista político Rafael Cortez, o presidente da Embraco Luiz Felipe Dau, o presidente da Tigre Otto von Sothen e a economista Denise de Pasqual. 

 

Diversificação 

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(Foto: )

As perdas de energia são um problema preocupante para a economia brasileira, na avaliação do diretor Comercial e de Inovação da Engie Brasil Energia, Gabriel Mann dos Santos. Ele falou na Expogestão, ontem, que o Brasil perde, por ano, 10% da energia potencial, que soma 47 mil megawatts/hora. Segundo ele, a Engie, além da liderança em geração, está diversificando atividades. Entrou em transmissão e também tem negócios como iluminação de cidades, tecnologias para cidades inteligentes e microgeração solar. 

 

Unisul e Anima negociam Entre as universidades comunitárias do Estado com dificuldades financeiras, a Unisul, talvez, seja a que enfrenta crise mais grave. Está endividada e atrasando salários. Para sair dessa crise e voltar a crescer, negocia uma parceria com o Grupo Anima Educação, que assumiria a gestão administrativa e financeira enquanto a Fundação Unisul seguiria com a gestão da educação. O interesse da Anima está ligado à qualidade do ensino. O curso de Medicina da Unisul Pedra Branca é o melhor do Estado segundo o MEC. E o da Unisul Tubarão é o segundo melhor. O da UFSC ficou em terceiro. 

Razões da crise A crise da Unisul, que tem 30 mil alunos em diversas cidades, começou quando o presidente Lula exigiu que as instituições comunitárias entregassem à Receita Federal o Imposto de Renda dos seus colaboradores, que antes era investido nas universidades. Piorou com a recessão e ficou muito grave agora, com o buraco do nono ano do ensino fundamental adotado na gestão de Dilma Rousseff. Como os alunos passaram a ter nove anos no fundamental, o país ficou um ano sem novos vestibulandos. Por isso, a Unisul, ao invés de receber quase 7 mil novos alunos, teve somente cerca de 2,5 mil ingressos. Vale comparar: enquanto a UFSC recebe R$ 1,2 bilhão por ano da União para atender 30 mil alunos, a Unisul tem orçamento de apenas R$ 300 mil e a Univali, também em dificuldades, de R$ 400 mil. As universidades comunitárias são fortes pilares do desenvolvimento econômico de SC e precisam de socorro. 

 

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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