Quase 300 profissionais que atuam no setor elétrico, tanto no Operador Nacional do Sistema, o ONS, quanto de empresas geradoras e distribuidoras de energia participam desde esta terça-feira do Seminário Nacional de Operadores de Sistemas e de Instalações Elétricas, no Slaviero Hotel, na praia dos Ingleses, em Florianópolis. Eles discutem tecnologias digitais ao setor e outros temas de interesse futuro. Em entrevista para a coluna, Ylani Freitas, gerente do Centro Nacional de Operações e do Centro de Operações Norte e Centro-Oeste – ambos em Brasília – falou sobre como são evitados apagões e sobre o crescimento das gerações eólica e solar no pais.
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Qual é a importância desse seminário de operadores de sistemas elétricos?
Este evento ocorre a cada dois anos e congrega os operadores do sistema elétrico. As salas de controle de energia funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, de forma ininterrupta. O operador trabalha em regime de turno. Os operadores não se conhecem, não sabem que tecnologias estão sendo desenvolvidas, como cada um trabalha. Esse evento propicia esse compartilhamento de informações e aproxima os profissionais do ONS com os das empresas do setor energético.
Quando foi o último apagão e como o sistema trabalha para evitar?
A gente nunca teve um apagão no Brasil inteiro. A gente tem desligamentos que, às vezes, envolvem grandes regiões do país. O último que tivemos foi em 21 de março de 2018 que envolveu a Região Nordeste. De uma forma geral, o sistema hoje está bastante robusto. Há uma série de situações que ocorrem no dia a dia que são desligamentos de linhas, uma perda de uma usina, mas por toda a coordenação, o planejamento, a gente consegue evitar que isso cause falta de luz para os consumidores. O sistema é montado para que resista a essas situações e garanta energia mesmo assim.
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Como o sistema interligado funciona para evitar apagões?
O sistema opera numa configuração N-1 de segurança. Então, na perda de um elemento eu tenho um outro que suporta essa perda. Eles funcionam de forma paralela. A metade da carga está num elemento e a metade no outro. Se há perda de um, o outro assume, sem prejuízo para o sistema. Em alguns pontos mais críticos, é duplo ou triplo. A gente trabalha para atender os consumidores sem ter problemas.
E em relação a outros países, como o Brasil está no quesito segurança energética?
É difícil comparar, mas está bem. O Brasil tem uma base de geração hidráulica muito grande. Hoje, está muito ascendente a oferta de energia renovável.
Se fala que o nosso sistema é o mais “verde” do mundo. Por que?
O nosso sistema gera energia limpa porque não emite poluição na geração hidráulica. Mas é lógico: uma hidrelétrica tem que ter um lago que gerou impacto ambiental. Isso precisa ser ponderado. Até nisso o Brasil está mudando. As últimas grandes usinas têm sido feitas com reservatórios menores para reduzir esses impactos.
Qual é a participação da geração eólica e solar no total da oferta de energia no Brasil?
A geração eólica tem respondido por 6% do total do consumo do país. Se a gente pegar o sistema Nordeste, há momentos de alta geração. Ontem (23/09) tivemos um recorde de geração eólica no Nordeste de 9.700 MW. E no mesmo dia, tivemos um recorde nacional de geração eólica com 11.200 MW. A capacidade de geração total de Itaipu é 14 MW. O cuidado que devemos ter é que a eólica tem grande variabilidade. Não é energia firme. Então, temos que ter no nosso sistema uma reserva para fazer frente a variações. E nisso o Brasil é privilegiado porque a geração hidrelétrica supre isso. Uma usina hidrelétrica precisa seguir funcionando, mas posso reduzir o mínimo e, com isso, guardar água para outro momento. As hidráulicas funcionam como uma grande bateria. A gente gera eólica e tem a água para usar quando não tem vento.
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E a geração solar como está evoluindo?
Está em crescimento no país. Hoje tem uma participação inferior a 1%. Quando a gente fala do sistema interligado, estamos falando de grandes usinas solares. Não temos a monitoração das unidades solares no teto das casas. Essa é geração distribuída e não temos como reunir essas informações. As usinas solares começam a gerar as 6h da manhã e desligam às 18h.
Como está a geração no país? As bandeiras tarifárias seguirão?
A gente busca um equilíbrio. Como estamos vivendo um período de baixa hidraulicidade, vamos ter que seguir gerando térmica em complementação, por isso a bandeira será mais cara. O período de chuvas começa em novembro.
