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Santa Catarina estreia na Nasdaq com a Vitru Educação; outros IPOs poderão vir

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Por Estela Benetti
18/09/2020 - 13h58 - Atualizada em: 18/09/2020 - 14h34
Imagens da Vitro no painel gigante da Nasdaq, na
Painel gigante da Nasdaq, na Time Square, em Nova York, mostra a imagem de Pedro Graça, CEO da Uniasselvi (Foto: Vitru, Divulgação)

A expectativa do mundo empresarial de Santa Catarina era de que a estreia de uma empresa do Estado na Nasdaq, uma das bolsas de valores dos Estados Unidos com atuação global, seria na área de tecnologia, até há pouco dominante por lá. Mas, discretamente, a Vitru Educação, controladora da universidade Uniasselvi, de Indaial, com foco em graduação a distância, avançou. A empresa apresentou seu pedido de oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) nesta sexta-feira, com expectativa de captação mais tímida do que pretendia em função das condições de mercado. Projetava mais de US$ 300 milhões, mas reduziu oferta e prevê menos de US$ 100 milhões em função de efeitos da pandemia.

Dona da Uniasselvi abre capital na Nasdaq, bolsa de valores dos Estados Unidos

Essa decisão da Vitru, controlada por fundos de investimentos, é um marco histórico para a economia do Estado. Ela chega na Nasdaq antes da Neoway, multinacional de tecnologia também com sede em Florianópolis que é líder latino-americana em Big Data e há alguns anos estuda entrar na Nasdaq. Pretendia ingressar ano passado, mas postergou.

O ingresso da Vitru é mais uma prova de que o mercado internacional vê grande potencial nos negócios de educação privada no Brasil. Isso porque será a quarta empresa do setor do país listada na instituição em pouco tempo. A primeira foi a Arco Educação, de São Paulo, que atua com ensino infantil, básico e médio de alto padrão, que captou US$ 194 milhões em 2018.

Depois, a Afya, de Minas Gerais, focada em ensino de medicina, captou US$ 300 milhões ano passado. E em julho deste ano, a Vasta Educação, de São Paulo, controladora da Cogna Educação, captou quase US$ 406 milhões. São as empresas que controlam a Kroton e outras universidades privadas do país, com atuação também em ensino digital e de idiomas. 

A pandemia vai ajudar o negócio de EaD da universidade catarinense que vai à bolsa e de outras instituições que oferecem essa modalidade porque forçou muitas pessoas a estudarem em home office, mesmo as que tinham resistência a essa alternativa. Assim, mais pessoas, agora, estão convencidas de que podem fazer bons cursos a distância.

O ingresso da Vitru na bolsa americana da Time Square vai motivar outras empresas de SC de diversos setores a fazer o mesmo. Isso porque a Nasdaq deixou de ser apenas focada em tecnologia e atualmente conta com mais empresas do setor de saúde. Por ser global, facilita a captação de maiores cifras para investimentos e projeta marcas que são escaláveis internacionalmente. Outro atrativo é o fato de ser bem mais barata do que a Bolsa de Nova York, a NYSE, onde são vendidos ADRS da WEG, BRF, JBS e outras brasileiras. A intenção da Nasdaq é atrair dezenas de empresas brasileiras. Uma brasileira que teve estreia badalada recentemente por lá foi a XP Investimentos, que captou US$ 2 bilhões. Quais serão as próximas a ser habilitar?

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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