Estudo sobre oportunidades futuras do setor de tecnologia de Santa Catarina nas próximas quatro décadas, o Efeito ACATE 2066, aponta que o setor tem potencial para chegar a faturamento de R$ 238,9 bilhões por ano em 2066 e ser um dos cinco maiores ecossistemas de tecnologia e inovação do mundo. Essa projeção foi encomendada pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) para marcar seus 40 anos e foi revelada no evento festivo do aniversário, a Feijoada Acate, neste sábado (11), no P12, em Jurerê Internacional.

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A Acate foi fundada em 1986 por 11 empreendedores que dividiam um aparelho de fax em Florianópolis, mas planejavam juntos desenvolver o ecossistema de tecnologia de Santa Catarina. Agora, 40 anos depois, o setor conta com faturamento anual de R$ 42,5 bilhões, emprega 100,4 mil pessoas e gera 7,75% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

As projeções que integram o Efeito ACATE 2066 – Do improvável ao inevitável, foram feitas pela empresa DASHCITY com apoio estatístico da Caravela Dados e Estatísticas, considerando o que foi conquistado até agora. Elas mostram que SC tem potencial e oportunidades para estar entre os cinco maiores ecossistemas de inovação do planeta.  

Veja imagens do evento de lançamento do estudo da Acate:

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Números robustos para o futuro

O faturamento anual previsto para 2066, de R$ 238,9 bilhões, será 4,8 vezes maior do que o estimado para 2026, em R$ 49,5 bilhões. A participação do setor de TI no PIB passará de 7,75% para 17,9% do PIB de SC. E o setor poderá chegar a 304 mil empregos diretos e 1,4 milhão de vagas indiretas nesse período.

Outro destaque do estudo é que poderão ser criados em SC 163 unicórnios, que são empresas com mais de US$ 1 bilhão de receita por ano. Para a associação, esse dado consiste num incentivo para desenvolver empresas globais desde o início das atividades das mesmas.

De acordo com o presidente da Acate, Diego Brites Ramos, o Efeito ACATE 2066 é uma projeção futura que pode não acontecer, mas também pode superar o que foi estimado. Isso porque não dá para dizer o que vai acontecer no futuro, mas esse é um setor com muito potencial no mundo.

Esse cenário futuro, para a Acate, é uma declaração de intenção coletiva, em que governo, universidades, empresas e investidores são convidados a se comprometer com uma trajetória que deve gerar um impacto acumulado de R$ 14 trilhões na economia estadual nos próximos 40 anos.

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– Quando olhamos para trás, vemos que o que parecia improvável se tornou realidade porque fomos capazes de construir juntos. O Efeito ACATE nasce desse mesmo espírito. Não é uma promessa de uma entidade, é um compromisso de um ecossistema inteiro. Santa Catarina tem as condições, a história e a cultura para ser uma referência mundial em inovação – afirma Diego Brites Ramos, presidente da Acate. (Veja o estudo completo neste link)

Talentos, IA e uma nova vertical


O vice-presidente de Talentos da Acate, Moacir Marafon, avalia que o estudo reforça o fato de que a disputa por profissionais qualificados será o principal desafio do setor nas próximas décadas. Esse desafio já está presente com o avanço acelerado do uso de inteligência artificial.

– O crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina só será sustentável se conseguirmos formar, atrair e reter talentos na mesma velocidade em que as empresas crescem. Não existe transformação digital sem pessoas preparadas para conduzi-la – destaca Moacir Marafon.

Para o presidente da Acate, Diego Brites Ramos, o crescimento do uso de inteligência artificial já está impactando as empresas de uma forma muito rápida.

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– Nós vamos criar na Acate, nessa nova gestão, uma diretoria só de inteligência artificial. O objetivo é ajudar as nossas empresas nessa transformação que a gente acredita que vai ser a maior da história da humanidade. Ela vai impactar também diretamente e profundamente modelos de negócios do setor de tecnologia – alerta Diego Brites.

Toda economia envolvida


Ainda segundo o estudo da DASHCITY com  apoio estatístico da Caravela Dados e Estatísticas, os efeitos do avanço da tecnologia e inovação não serão restritos ao setor, mas se multiplicarão na economia como um todo.

O estudo mostra que de cada real gerado pelo setor produz um efeito multiplicador de 2,40 na produção total da economia de Santa Catarina. Assim, até em 2066, o setor deve gerar R$ 1,1 trilhão em arrecadação fiscal direta e R$ 11,1 trilhões em renda para as famílias catarinenses.

Celebração dos 40 anos

A Feijoada Acate, neste sábado, foi um dos principais eventos de celebração dos 40 anos da entidade fundada em 01 de abril de 1986, que estão sendo comemorados durante todo o mês. Além do lançamento do estudo Efeito ACATE 2066, a entidade apresentou um novo vídeo institucional com a participação de lideranças do ecossistema.

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Entre os presentes no evento, estavam o prefeito de Florianópolis Topazio Neto, o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Inovação Edgard Usuy, que representou o governador Jorginho Mello, o senador Esperidião Amin, a ex-prefeita Angela Amin, o presidente da Fecomércio SC Hélio Dagnoni, o ex-presidente do BRDE, João Paulo Kleinübing e ex-presidentes da Acate como Rui Gonçalves, Daniel Leipnitz e Iomani Engelmann, além de outras lideranças e empresários do ecossistema.

Base nas oito ondas tecnológicas

De acordo com a Acate, a estratégia do ecossistema de SC é dividida em oito ciclos com cinco anos cada, seguindo tendências globais.  

  • Onda 1 (2026-2031) foca na massificação da inteligência artificial generativa com a meta de transformar o ecossistema de “maduro” para “acelerado”. O foco é criar a infraestrutura de dados, talentos e capital que sustentará as ondas seguintes.
  • Onda 2 (2031-2036) prevê o Salto Quântico e projeta Santa Catarina na liderança da computação quântica na América Latina
  • Onda 3 (2036-2041) centraliza-se na Convergência Bio-Digital, unindo tradição agroindustrial e tecnologia de ponta
  • Onda 4 (2014-2046) foca na Tecnologia de Consciência, em que a neurotecnologia deve redefinir a relação humano-máquina
  • Onda 5 (2046-2051) destaca a Economia Espacial, com projeção de microssatélites catarinenses monitorando agricultura, clima e oceanos
  • Onda 6 (2051-2056) deve falar de Tecnologia Pós-Escassez, com expectativa de posicionar o estado como modelo global de economia circular
  • Onda 7 (2056-2061) é chamada de Revolução da Longevidade, com projeção de que terapias genéticas adicionarão 15 anos de vida saudável à população, de modo geral
  • Onda 8 (2061-2066) foca em Inteligência Planetária, desenhada pela expectativa de criação de uma rede global de sensores, IA e humanos gerenciando recursos da Terra. É neste período que o setor de tecnologia de Santa Catarina espera estar entre os Top 5 ecossistemas de inovação do mundo