Quando acontecem assassinatos brutais como esse de crianças na creche em Blumenau, uma das primeiras perguntas que se faz é: Dá para evitar ou reduzir a incidência dessas tragédias com uso de tecnologias? Um profissional da área de segurança e um empresário do setor de tecnologia ouvidos pela coluna avaliam que sim, mas é preciso melhorar a legislação. Além disso, outros cuidados básicos devem ser tomados para reduzir riscos.

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Investigação de ataque a creche em Blumenau se concentra em celulares e computadores

Para Eugênio Moretzsohn, consultor de inteligência e contrainteligência em segurança pública e ex-oficial de Inteligência do Exército Brasileiro,
a tecnologia sob a forma de softwares pode contribuir com a inteligência policial pelo acompanhamento das redes sociais, ambiente na qual é possível se perceber comportamentos dissonantes que indiquem posturas extremistas
e antissociais.
E a tecnologia de hardwares, segundo ele, pode contribuir com a contrainteligência no controle de acesso em ambientes que necessitem de medidas especiais de segurança por meio detectores de metais para pessoas, raio X para bolsas e mochilas, sensores para proteção de perímetro e sistemas de monitoramento por câmeras de vigilância.
– Porém, pouco conseguiremos sem a educação de segurança dos professores, servidores, colaboradores e comunidade escolar. Por meio da educação de segurança consegue-se disseminar a cultura de segurança, mentalidade de prevenção que precisamos desenvolver – recomenda Eugênio Moretzsohn.

Quem são as crianças mortas em ataque a creche de Blumenau

O empresário do setor de tecnologia José Fernando Xavier Faraco, cofundador e acionista da Dígitro, empresa de Florianópolis que desenvolve softwares para segurança pública, alerta que grande parte do perfil desses crimes são de pessoas que fazem uso de jogos de violência na internet.

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Segundo ele, essas pessoas também se comunicam em grupos pelas redes sociais ou até mesmo na Dark Web (redes de internet de difícil acesso para permanecer oculto) como forma de protagonismo perverso.

– São mesmo doenças sociopatas que encontraram na possibilidade do mundo digital uma nova fronteira de projeção do mal. Precisamos de legislação dura e liberdade de investigação nestes ambientes cibernéticos para que a prevenção tenha alguma chance – alerta o empresário.

Na opinião de Eugênio Moretzsohn, no dia a dia as pessoas precisam desenvolver mentalidade de segurança para se protegerem de criminosos e suas ações. Ele também recomenda medidas preventivas que incluem desde não “dar sopa” com o celular nas calçadas, até não se envolver em ilícitos, como o consumo de drogas ilícitas.

– Confiar nas autoridades, acionando o 190 quando perceberem fatos que lhes chamem a atenção e escolher, pelo voto, as melhores lideranças que escrevam leis melhores e gerenciem com eficiência os recursos para o aperfeiçoamento das forças de segurança – aconselha do especialista.

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