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Entrevista

Tendências da tecnologia segundo o cofundador da Softplan 

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Estela
Por Estela Benetti
12/10/2019 - 05h30 - Atualizada em: 12/10/2019 - 20h44
(Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense)

Uma das maiores desenvolvedoras de Software do Brasil e empresa principal do Sapiens Parque, de Florianópolis, a Softplan foca investimentos em inovação e inteligência artificial para os setores público e privado. Fundada há 29 anos pelos empreendedores Carlos Augusto de Matos, Ilson Stabile e Moacir Marafon, ela conta com equipe de 1.900 colaboradores, dos quais 400 foram admitidos este ano.

Nesta entrevista, o cofundador e diretor Moacir Marafon fala de tendências mundiais em TI, apostas e soluções da empresa para os setores em que já atua – Justiça, governos e construção civil – e a outros como saúde e PPPs. 

Quais são as mais recentes grandes tendências do setor de tecnologia? 

É um desafio falar das grandes tendências. Uma delas é que a inteligência artificial, que deve movimentar R$ 2,2 bilhões no Brasil de 2019 a 2022 e pode crescer a uma taxa de 29% no período. Para o mundo, se diz que até em 2020, 70% dos negócios terão pelo menos um pedaço do processo digital. Até 2025,100% dos negócios terão parte feita de forma digital.

Outra questão é que 45% das tarefas atuais serão automatizadas num futuro próximo. Há ainda a estimativa de que US$ 8 bilhões serão economizados com o uso de chatbot até 2022 e que 90% dos dados que existem no mundo foram criados nos últimos dois anos, mas apenas 0,5% são processados.

O Gatner Group fala que os dados serão o petróleo do século XXI, mas eu vi uma palestra da Ginni Rometty, CEO da IBM em Stanford, em que ela falou: sim, os dados são o petróleo do século XXI, no entanto, só ganha dinheiro quem processa. Que o diga a Venezuela. Então, se eu quero automatizar tarefas, processar dados, tudo isso a inteligência artificial vai fazer parte.

O blockchain é o próximo da lista porque para segurança de dados é fundamental a tecnologia. Até 2022, estão previstos investimentos de US$ 1,4 bilhão, com crescimento de 64% até 2022 

Então, quanto o setor de tecnologia vai crescer? 

Se nós olharmos o Uber. É tecnologia ou é negócio com tecnologia? Se você olha o Magazine Luiza, é um negócio de varejou ou um market place que usa tecnologia. O Airbnb é tecnologia ou hospedagem. Hoje, tecnologia e negócio estão muito misturados. 

Em que a Softplan vai apostar nos próximos anos? 

A gente vai continuar apostando nas verticais que atuamos desde a fundação da empresa, há 29 anos, que são: transformação na Justiça com o uso de tecnologia, em governos cada vez mais digitais para serem mais eficientes e se conectarem com os cidadãos, e também na informatização moderna da indústria da construção civil onde a empresa praticamente nasceu. Também estamos fazendo novas apostas na iniciativa privada como a advocacia privada, em setores que gravitam em torno do governo como concessionárias e PPPs, e também na área da saúde privada. Essa é outra grande tendência.

Em 2000, a população brasileira era uma pirâmide, em 2030 será um losango e em 2050 será uma pirâmide invertida. É uma área que vai demandar muitos investimentos em saúde. Hoje, 30% do que se gasta na área não gera saúde. É um setor que precisa de inteligência de dados para atacar o desperdício. Então, nos próximos anos pretendemos usar as modernas tecnologias para nos manter na liderança em setores que já atuamos e expandir para outros. 

Se fala muito sobre as mudanças no perfil do emprego. Como vê esse cenário? 

A estatística da Future Work prevê que 45% das atividades atuais serão automatizadas. A inteligência artificial tende a substituir as atividades repetitivas. Aqui pode ter o impacto de emprego, mas outras demandas virão,basta olhar hoje as oportunidades no mundo da TI. Por exemplo, a Softplan é uma empresa com 1.900 funcionários, mas cerca de um terço tem formação em tecnologia.

As outras pessoas atuam em outras áreas, como marketing, comercial, gestão, suporte. Temos aqui engenheiros, advogados, médicos, professor de português, profissionais de marketing, jornalistas. São equipes multidisciplinares. Então, para criar automação é preciso de gente, mas demanda que as pessoas tenham formação mais elevada. 

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Que conselho conselho o senhor daria para quem está decidindo o que estudar para melhorar a empregabilidade? 

Eu diria, que, em qualquer atividade que a pessoa vai desenvolver, que ela considere a tecnologia como uma alavanca para sua profissão. Se for médico, deve considerar que vai conviver com o apoio da automação e da inteligência artificial até em cirurgias. Se for um jornalista, vai saber que tem um aparato tecnológico para ajudar. São coisas diferentes a atividade de um engenheiro da computação e de um jornalista que usa tecnologia para se comunicar, que usa dados. Independente da carreira, é fundamental incluir ciência de dados, saber conceitos básicos de estatísticas e analisar dados. 

O que a Softplan está fazendo de inovador em cada área? 

Nas nossas soluções, cada vez mais estamos incluindo inteligência artificial para que ajude o usuário ser mais assertivo e eficiente naquilo que faz. Na área da Justiça, temos Inteligência artificial para que o juiz possa dar uma sentença mais assertiva com base em jurisprudência, na legislação. Um advogado pode fazer petições mais assertivas com base em estatísticas. Na área da construção civil, lançamos um produto chamado Sienge Go para pequenas e médias empresas do setor. Embutimos dentro dele inteligência artificial para que o usuário fale com o aplicativo. É uma assistente digital (premiada pela IBM mundial).

Na área de governo, oferecemos interação por meio de chatbot (conversa automatizada com o cidadão). E na área de saúde, pretendemos analisar para empresas e operadoras de saúde onde há gastos fora do padrão recomendado pela OMS. Isso preservando a identidade das pessoas. O objetivo é maior eficiência. 

A Softplan já oferece soluções para a área de saúde? 

Estamos investindo em soluções para a área de saúde suplementar. É uma área nova que entramos. Temos os primeiros clientes, que são operadoras de saúde e empresas para ajudar na eficiência dos investimentos das suas populações em saúde, para que os investimentos gerem mais saúde, prevenção e cuidados a quem precisa. O objetivo também é reunir dados para ajudar a população, com eficiência, com base nas suas necessidades. Assisti a uma palestra em Stanford sobre o tema, na qual um especialista informou que o desperdício nos EUA na área de saúde é de 25% a 30%. No Brasil é semelhante. 

Como estão o crescimento da equipe da empresa e os investimentos? 

Neste ano eu até fiquei apavorado. Apenas em 2019, de janeiro a setembro, contratamos mais de 400 pessoas. Em média, temos de 70 a 100 vagas abertas. Em termos de investimentos, prefiro não falar em estrutura física. Uma coisa importante é que nos últimos três anos investimos na ordem de R$ 70 milhões em inovação, melhoria de portfólio e em novos projetos.   

Como vocês investem em startups? 

Acreditamos que, primeiro, é preciso ter uma cultura interna de inovação. Se você traz startup e open innovation e não tem uma cultura interna, o pessoal de fora vai falar para as paredes. Mas também sabemos que ninguém consegue fazer tudo sozinho. Temos uma interação muito forte com o ecossistema de inovação. Participamos de Hackathons, de grandes eventos de inovação e também investimos em startups.

Temos alguns cases de startups internalizadas. Com as startups que fazem sentido para a nossa estratégia, fazemos conexão e investimos nelas. A gente tem o cuidado para não comprá-las para que o empreendedor continue com brilho nos olhos. Temos aqui na empresa algumas startups em que os fundadores estão à frente dos negócios. 

O que diferencia startup e empresa, na sua avaliação? 

As startups são muito rápidas, mudam rápido e têm sangue nos olhos. Mas o que a empresa estabelecida tem que pode oferecer para elas? Mercado e estabilidade. Se der errado, precisar buscar outro caminho, a empresa estabelecida tem mais facilidade para fazer isso do que os fundadores. Além disso, tem processo. Quando uma startup começa a ganhar centenas de clientes, tem que ter processo.

E empresa estabelecida tem. Por exemplo, estamos buscando startup para atender pequenos clientes do setor público. Temos uma na empresa, a 1Doc, que está fazendo um trabalho incrível com prefeituras. Um dos novos clientes deles é a prefeitura de Aracaju. Outra startup faz monitoramento de pacientes crônicos. Se um paciente é monitorado, pode ter uma saúde mais em equilíbrio. Nas áreas de Justiça e construção civil também estamos conectados a startups. 

Quais são presenças da Softplan no mercado que mais projetam a empresa? 

Os nossos sistemas se destacam pela abrangência. Mais de 3.000 construtoras são informatizadas por uma solução nossa. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que usa solução da nossa empresa, é o maior do mundo com justiça digital. Em gestão pública, a empresa tem um sistemas para promover a gestão digital, por exemplo, para o Estado a tecnologia que viabiliza o governo sem papel. A prefeitura de Florianópolis também usa nossa solução. Temos solução que ajuda na gestão dos projetos financiados pelo Banco Mundial e Banco Interamericano para governos. Se a gente não oferece tecnologias ao setor público, o cidadão acaba enfrentando muitas filas.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

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