Um dos ícones da economia catarinense e brasileira, o empresário Antonio Koerich, de Florianópolis, presidente da rede de lojas Koerich, chegou aos 90 anos. À frente de uma empresa inovadora, com foco no atendimento de qualidade aos consumidores, ele mantém atenção ao presente e ao futuro, destacando filosofia de vida de que a empresa vem em primeiro lugar porque se ela vai bem, é a base para a família e tudo mais.

Continua depois da publicidade

No dia do aniversário, em 08 de abril, em entrevista exclusiva e descontraída ao NSC Total, o empresário falou sobre a trajetória da empresa da qual foi cofundador junto com o pai, Eugênio Raulino Koerich, e também sobre a vida. Falou sobre a evolução da rede de lojas, gestão familiar, contou segredos sobre o casamento longevo com a Dona Ony, que também aniversaria neste mês (em 18 de abril), o que gosta de fazer quando está de folga e como cuida da saúde, entre outras informações interessantes.

Veja fotos da trajetória empresarial e da vida de Antonio Koerich:

O Koerich, hoje, é uma companhia com 131 lojas físicas sediadas em 68 cidades de Santa Catarina. Atua principalmente com varejo de móveis e eletrodomésticos e conta com 1.800 colaboradores diretos.

A companhia é presidida pelo empresário Antonio Koerich e conta com os filhos Ronaldo e Sérgio; e os netos Eduardo e Rafael na diretoria. Ronaldo é vice-presidente; Sérgio, é diretor superintendente, Eduardo é diretor comercial e Rafael, diretor de tecnologia e gente. Saiba mais sobre a trajetória do empreendedor catarinense Antonio Koerich na entrevista a seguir:  

Continua depois da publicidade

O senhor chegou aos 90 anos, uma linda idade, e tem uma série de atividades na sua trajetória. A principal é ser o empresário Antônio Koerich. Como o senhor entrou nessa vida empresarial? Como foi a sua trajetória?
– Eu acho que as coisas vêm com naturalidade. Costumo dizer que a vida se ajusta às próprias necessidades. O ser humano, naturalmente, é carente; busca incessantemente progresso, desenvolvimento, saúde, alegria e disposição. Isso tudo é inerente à pessoa humana. Então, levo isso com muita naturalidade.

Se você me perguntar, eu recordo, inclusive, quando vejo determinadas situações. Costumo fazer muitas analogias. Uma analogia que faço, inclusive neste período de discórdia e violência, em que o homem parece querer brigar mais uma vez, é que ficamos entristecidos. Lembro-me, com muita clareza, do dia 9 de maio de 1945. Eu era um menino de nove anos. Nesse dia, terminou a Segunda Guerra Mundial. Então, vamos lembrando, rememorando.

E o que é completar 90 anos? É isso: uma história. Uma história dividida em capítulos. Ela não acontece de uma hora para outra. Vai se construindo, se equilibrando, se ajustando e, ao final, temos algo para contar. É isso que posso descrever ao completar 90 anos.

Hoje, o Koerich é uma empresa grande, uma das maiores varejistas do Brasil, com forte presença no Sul, especialmente em Santa Catarina. Como o senhor vê a empresa hoje? O que explica esse sucesso?
– A nossa empresa não é uma empresa grande; ela é uma grande empresa. E isso envolve um pouco de vaidade, não a vaidade egoísta, mas a vaidade da divisão, da aproximação, do entendimento e do ensinamento. Tenho alegria em dizer que a nossa empresa é uma empresa espelho.

Continua depois da publicidade

Não diria copiada, mas inspiradora, baseada em bons propósitos e bons princípios. São esses fatores que nos fazem dar continuidade ao trabalho, um trabalho que há de prosperar, evoluir, crescer, se desenvolver e, principalmente, trazer dignidade.

A empresa tem cerca de 70 anos. Qual foi o momento mais importante da história dela? E hoje é o melhor momento ou já houve outro?
– Uma das grandes decisões que tomamos foi, em 1993, realizar a cisão das empresas familiares. Antes, trabalhávamos todos de forma conjunta e harmoniosa. A partir dessa divisão, fiquei com as lojas. Desde então, procuramos, junto aos familiares, seguir novos caminhos e desenvolver outras atividades. Nossa história é bonita, uma história de sucesso, construída com muito trabalho, dedicação, ensinamento e amor próprio. Costumo dizer que, se pudesse escolher meus pais novamente, não teria dúvida. Seriam Eugênio Raulino e Zita Althoff, meus pais, que guardo com muita saudade e serenidade.

O que o senhor destaca sobre os seus pais? O que mais marcou?
– Foram meus grandes inspiradores. Trabalhei com eles no armazém da família, na Colônia Santana. Minha mãe, às vezes, cuidava do armazém e me incentivava a ajudar, muitas vezes com uma balinha. Aquilo me cativou, me honrou e me deu dignidade. Isso fez com que, depois, desenvolvêssemos nossa trajetória.

Tive, inclusive, duas emancipações importantes na minha vida. Uma para que eu pudesse trabalhar e me tornar sócio da empresa da família, e outra, para casar. Casei antes dos 21 anos, por isso precisei ser emancipado duas vezes. Essas experiências trazem dignidade à família, criam vínculos e comprometimento. Hoje, sou uma pessoa comprometida com a vida.

Continua depois da publicidade

O senhor foi emancipado antes dos 18 anos?
Não. Na época, a maioridade era aos 21 anos. Fui emancipado antes disso, por volta dos 20 anos, para casar e também para me tornar sócio da empresa.

Houve algum momento muito difícil na empresa, que deixou o senhor mais preocupado?
– Sim. Um dos grandes desafios foi a construção do Beiramar Shopping. Foi um projeto que exigiu muito de nós e nos colocou diante de situações bastante desafiadoras. Às vezes, não tínhamos disponibilidade financeira suficiente, mas seguimos em frente. Foi um passo totalmente diferenciado e um dos maiores desafios da nossa trajetória.

Foi mais difícil do que a pandemia?
– Sim, com certeza. Em relação à pandemia, se alguém me perguntar sobre as consequências, posso dizer que não enfrentamos grandes dificuldades. As necessidades da empresa e da família, muitas vezes, são maiores do que os desgastes causados pela ansiedade. Prefiro dizer que foi mais uma etapa vencida. Cuidamos dos nossos a família e a família estendida que são os nossos colaboradores. A única grande preocupação foi com a vida. Felizmente, tivemos a vacina contra a Covid.

A pandemia impulsionou as vendas digitais? As pessoas passaram a comprar mais pela internet.
– Ajudou, sim, mas digo com sinceridade: ainda apostamos mais nas lojas físicas. Eu sou da loja física. O shopping é um ponto de encontro. Lembro que, quando construímos o Beiramar, a primeira pergunta era: qual a principal referência de um shopping? Localização. E a segunda? Também localização. Foi isso que garantiu o sucesso. Na época, estavam sendo construídos três shoppings: o Beiramar, o Itaguaçu e, posteriormente, o Iguatemi (hoje Villa Romana). Inicialmente, parecia que não haveria espaço para três shoppings na cidade. Mas o tempo mostrou que havia.

Continua depois da publicidade

Com toda essa sua experiência empresarial, que conselho o senhor daria para um jovem que está começando um negócio próprio? O que ele deve fazer para ter sucesso e bons resultados?
– Posso lhe dizer: perseverança. A pessoa deve perseverar. É quase uma questão de esperança, esperar, consolidar, seguir em frente, caminhar, construir, evoluir. Esses são propósitos de vida. Posso dizer, inclusive, hoje, aos 90 anos, que lembro quando tinha 21 anos, quando nos estabelecemos em Florianópolis. Fomos oferecer algo completamente diferenciado, conforto ao cliente.

Na época, o consumo das famílias era basicamente concentrado no Mercado Público. Nós viemos oferecer um fato novo, a possibilidade de comprar, principalmente carne e derivados, a qualquer hora do dia. Lembro também de duas grandes lideranças da cidade.

Em Florianópolis, havia divisões políticas entre UDN e PSD. E tínhamos dois irmãos que faço questão de mencionar: Rubens de Arruda Ramos, que frequentava nossa casa todos os sábados para escolher sua costela, e Jaime de Arruda Ramos. Um era ligado ao grupo de Aderbal, o outro ao de Irineu Bornhausen. Era uma Florianópolis que vimos crescer e se desenvolver com respeito, sem antagonismos, defendendo valores. Isso me traz saudade.

O senhor também presidiu a CDL de Florianópolis, que hoje tem à frente o seu  neto Eduardo. O que o senhor destaca da sua gestão?
– Quero destacar uma grande realização. Estive na presidência da CDL em 1977 e 1978 e, junto com o prefeito da cidade, realizamos o calçamento da Rua Felipe Schmidt. O prefeito era o Esperidião Amin. Na época, a via era aberta ao trânsito e passou a ser um calçadão durante a nossa gestão. Foi uma das grandes obras daquele período. Isso há 50 anos. Se eu tivesse que apontar um dos grandes destaques da minha gestão na entidade, seria esse. E hoje eu me sinto realizado com o que o Dudu vem realizando à frente da entidade.

Continua depois da publicidade

Segredo do casamento longevo

O senhor está completando 90 anos neste 08 de abril, e sua esposa, dona Ony, também fará 90 anos dia 18 deste mês. Vocês têm um casamento longevo, de cerca de 70 anos. Qual é o segredo dessa harmonia?
– Tolerância. Essa é a palavra. Eu diria isso para qualquer casal. No meu gabinete, tenho fotos da minha esposa. Em casa, também. Tenho fotos dela jovem e atuais. Costumo dizer o seguinte: para manter o relacionamento, procuro não brigar com a minha mulher. Quando ela briga comigo, eu vou conversar com a foto dela jovem.

Converso com aquela jovem e digo: “Aquela mulher que está lá quer brigar comigo, mas você, quando era jovem, era diferente”. É uma forma carinhosa de lidar com a situação. Alguns podem achar estranho, mas é a minha forma de viver. Eu até converso com objetos do dia a dia, é uma filosofia de vida leve. Eu não digo a ela que vou falar com a foto, mas ela já sabe. E esse ensinamento eu faço questão de compartilhar com todos. É a nossa chave do sucesso.

Vivemos um momento com muita violência, inclusive entre casais. Seu exemplo pode inspirar outras pessoas.
– Não há necessidade de briga ou violência. Eu fico muito triste com casos de feminicídio. O homem não pode se achar todo-poderoso. É preciso respeito, dignidade, amor ao próximo. A vida é tão boa. Costumo dizer que sou um homem de princípios simples.

Todos os dias, gostaria que o tempo parasse, quero viver mais, aproveitar mais. Minha esposa fica assistindo televisão, e eu vou para minha sala de música, jogo paciência, escuto música e aproveito o tempo. Às vezes olho para o relógio e penso: “Quero que o tempo ande devagar, quero viver mais”.

Continua depois da publicidade

Ainda falando em família, eu gostaria de perguntar sobre um fato marcante na sua vida pessoal e para a sua família foi a perda das duas filhas no acidente aéreo de 1980, em Florianópolis, a Jane e a Rosemary. O senhor pode falar um pouco sobre isso?

– Foi um momento muito difícil, que fomos superando. Até buscamos informação espiritual para saber se elas estavam bem. Nós temos diversas mensagens psicografadas pelos médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco. Mais uma vez, foi a situação da necessidade. A necessidade te provoca seguir em frente. E a necessidade nos fez isso. Tudo é pequeno diante da grandeza da perda.

Hoje, quase diariamente, quando venho aqui no KAD (Koerich Administração e Distribuição) eu desço, fico no terceiro piso e vou naturalmente no lado do armazém e percorro 300 metros. Devido a perda das minhas meninas, eu visualizava de vez em quando uma longa estrada com aquelas faixas intermitentes. Pensava que um dia eu gostaria de encontrá-las. É a saudade. O poeta já dizia que a dor que mais dói é a saudade.

Vocês são um exemplo de como a fé ajuda a ir em frente. E o que o senhor gosta de fazer quando está de folga, descansando? Gosta de música?
– Gosto de fazer a própria música. Não gosto muito de ficar parado em casa, porque a tendência é acabar dormindo. Sou um grande ouvinte de rádio, não abandono o rádio de jeito nenhum. Escuto notícias há muitos anos.

Continua depois da publicidade

Desde a criação da CBN, me habituei a acompanhá-la. Antes disso, ouvia a Rádio Eldorado de São Paulo e também a antiga Pan-Americana, que depois virou Jovem Pan. Sou uma pessoa muito ligada à informação.

Aqui no Centro Administrativo do Koerich, tenho uma sala de repouso, com cama e um rádio de cabeceira. Todos os dias me deito e fico escutando notícias, normalmente entre uma e duas da tarde. Quando chego em casa, a primeira coisa que faço é ligar o rádio. Até de madrugada, estou ouvindo novamente.

O senhor também gosta muito de viajar?
Viajava bastante. E dirigir também é algo de que gosto muito.

O senhor ainda dirige?
Dirijo, sim. Estou, inclusive, revalidando minha carteira de motorista. Hoje, dirijo mais no trajeto da minha casa até o trabalho. Confesso uma coisa: vocês comentavam sobre a alegria de viver em Florianópolis, e eu desfruto disso todos os dias. Acordo de manhã, olho para o lado e vejo minha esposa ali comigo.

Depois me levanto, preparo meu café e, em poucos minutos, estou dirigindo pela Beira-Mar. Quem não gostaria de estar na Beira-Mar Norte? É um sonho, um encantamento. Tenho esse privilégio. Logo adiante, vejo a ponte e, ao fundo, a silhueta do Cambirela. É como uma aquarela. Você sai da Beira-Mar e enxerga toda essa paisagem.

Continua depois da publicidade

 O senhor falava aqui sobre a vista da sua sala, no KAD. O que é melhor ali: o nascer ou o pôr do sol?
O nascer do sol. Ele vem iluminando tudo de forma muito bonita. E, no fim da tarde, quando a luz incide sobre a água, tudo fica iluminado. Dá para ver a paisagem inteira, é muito bonito. São coisas que dão sentido à vida.

O senhor faz alguma atividade física para manter a saúde?
– Faço pilates às terças e quintas-feiras. Mas confesso que, às vezes, falto um pouco.

E como é a sua alimentação para manter essa qualidade de vida aos 90 anos?
– Arroz com feijão, de forma equilibrada, sem exageros. Tenho um hábito que sei que não é o ideal: antes de dormir, sempre como alguma coisa. Uma fruta. Às vezes uma laranja, às vezes manga. Costumamos dormir por volta da uma da manhã e acordo por volta das sete e meia.

Uma empresa que apoia o social

Outra marca da sua trajetória é a participação comunitária. O senhor apoia entidades sociais. Como funciona isso?
– Disponibilizo uma verba mensal para apoio social, uma verba considerável. Procuramos fazer essa distribuição ao longo do tempo.

Continua depois da publicidade

Não gosto de algo rígido ou totalmente programado. Vamos atendendo diferentes demandas conforme surgem. Temos uma estrutura que organiza isso. Minha equipe cuida da distribuição de cestas básicas e de outras formas de apoio social.

Sua empresa também apoia o Carnaval, o esporte, praças. Vocês participam da adoção de praças públicas, né?
– Sim, nós temos, inclusive, a Praça XV, desde 2010. No varejo, a principal é a Praça XV. Mas há outros exemplos, como em Biguaçu, onde o Koerich adotou uma praça e a transformou na primeira praça adaptada para pessoas com deficiência.

Os brinquedos são acessíveis para crianças com deficiência, permitindo a inclusão. Uma das praças em que mais investimos foi justamente essa de Biguaçu. O piso em petit pavé estava muito danificado e fizemos toda a reestruturação. Talvez fosse mais prático ter substituído por outro material, mas optamos por manter.

O senhor segue como presidente da empresa Koerich?

– Sou diretor-presidente, e tenho meus filhos e netos na gestão. Temos uma gestão profissional na empresa.Temos hoje três gerações na gestão: eu, com 90 anos; meus filhos, na faixa dos 60; e os netos. Aos poucos, quero ir me afastando, isso faz parte da vida. 

Continua depois da publicidade

Hoje, por exemplo, temos um evento e não participei da organização (a festa de aniversário do casal Antonio e Ony). Apenas estarei presente com minha esposa. Isso mostra que há coordenação e continuidade. No lado social, também acompanho mais à distância. Quero saber se os recursos foram bem aplicados. Gosto muito de apoiar hospitais, maternidades e o hospital infantil.

Ou seja, o senhor sempre busca ajudar conforme as necessidades.
– Exatamente. De acordo com as carências, vamos contribuindo. Também procuro acompanhar ações como a coleta de sangue no Hemosc. Às vezes cobro da equipe para verificar se estamos contribuindo.

O senhor incentiva a equipe a doar sangue?
Sim, muitos estão cadastrados. Eu mesmo já fui doador por muito tempo. Em determinado momento, fui impedido de doar e só depois entendi: já havia passado da idade permitida (risos) (É possível doar sangue até aos 70 anos).

Escolha pela gestão familiar

Qual a mensagem que o senhor gostaria de transmitir aos 90 anos?
– Tenho um princípio como filosofia de vida: a empresa vem em primeiro lugar. Pode parecer estranho, mas se a empresa for sólida, ética e responsável, ela sustenta a família. Se não houver uma empresa saudável, com moral e resultados, não há base para todo o resto.

Continua depois da publicidade

E a empresa precisa dar lucro, claro…
– Precisa dar resultado, sim. Mas hoje, além do lucro, o objetivo é a estabilidade, a continuidade e a preservação da empresa. E tenho a certeza de que já estamos preparados para o centenário do Koerich. Eu não vou estar aqui, mas em sombra de dúvidas, meus filhos, netos e bisnetos estarão para celebrar esse marco.

O Koerich é uma empresa com gestão familiar. Vai seguir assim ou vai profissionalizar?
Precisamos ter cuidado com isso. Estou transferindo valores para os filhos, mas mantendo a empresa familiar. Ainda sou o acionista majoritário.

Pretendemos seguir nesse modelo. Defendo isso como uma tese. Temos acordos entre os acionistas. Tenho dois filhos, bem alinhados, e netos já atuando na empresa. Nosso objetivo é a continuidade da família no negócio. Sempre digo: não briguem. A harmonia é essencial para preservar tudo o que foi construído. O insucesso de uma empresa familiar está, justamente, na incompatibilidade, nas brigas.

O senhor tem afirmado que a empresa está chegando aos 71 anos, mas já está planejada para o centenário. O senhor tem orgulho disso, de saber que, se não for na liderança dos seus filhos, será com a dos netos. Como imagina isso?

Continua depois da publicidade

– Os meninos já têm consciência disso. Posso dizer, inclusive, o seguinte: antes que eles viessem até mim, fui até eles. Passei (quarta-feira, dia do aniversário) pela TI, pelo CAP, pelo terceiro andar, pelo segundo andar. Sabe o que fiz? Cheguei lá cantando parabéns. Todo mundo cantou comigo. De uma forma diferente. Abri o ambiente, todos cantaram comigo, me cumprimentaram e eu segui.

Quase sempre tem algum grupo maior fazendo oferta para compra de empresas. O senhor tem recebido muitas dessas ofertas? Qual tem sido a resposta?

– Acredito que, se não recebi muitas ofertas, é porque já sabem que é inegociável. Inegociável. Vender o Koerich é inegociável. Procuramos sempre, e quando uso “eu”, refiro-me a nós, frequentemente reúno meus filhos e netos. Trocamos ideias, debatemos.

O Koerich tem conselho de administração? Como tomam decisões?
– Temos a gestão. Quanto a um conselho formal, reunimos os gestores. Costumo dizer que isso funciona como uma verdadeira democracia, não no discurso, mas na prática. É uma democracia participativa, sem ingerência indevida, com nosso corpo de gestores.

Continua depois da publicidade

Nós nos reunimos todos. Se você vier aqui no dia 1º de cada mês, às 11h, realizamos a reunião de balanço, com a apresentação aberta dos resultados. Nossos princípios são fundamentados nisso. MPP: primeiro, marca; segundo, parceria; terceiro, pessoas. Defendo, de forma incontestável, a marca em primeiro lugar.

Defendo mais a marca do que a própria família. Quando defendo a marca, estou defendendo a empresa e, consequentemente, a família. Estou preservando, dando dignidade, garantindo o uso adequado dos recursos e permitindo a realização de boas iniciativas. Se a empresa tem recursos, ela dá condições. Assim, preservamos a família. Por isso defendo o MPP: marca, parceria e pessoas. Outra coisa que defendo com convicção é: quero ser mais, fazer melhor e ter menos.

Eu soube que o senhor tem uma frase especial para a empresa Koerich?

– Criamos essa frase: “Quanto mais conheço a minha empresa, mais me apaixono por ela”. Está inserida dentro do próprio mercado. “Quanto mais conheço a minha família, mais me apaixono por ela”.

Quando vocês começaram a empresa, o senhor imaginava que chegaria a esse tamanho?

– É uma surpresa. Eu acho que são conquistas. Evoluir sempre, insistir, persistir. Desistir jamais. Insista. Persevere. Construa. 

Continua depois da publicidade