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    Entrevista

    Thiago Nigro opina sobre infidelidade financeira

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    Por Estela Benetti
    14/07/2019 - 12h30 - Atualizada em: 14/07/2019 - 14h19
    Thiago Nigro e a companheira Camila Ferreira. Crédito: Estela Benetti/ NSC Comunicação
    Thiago Nigro e a companheira Camila Ferreira. Crédito: Estela Benetti/ NSC Comunicação

    Muitos brasileiros sonham em ficar ricos ou pelo menos ter uma independência financeira. Entre os educadores de finanças mais ouvidos no momento no país está o jovem Thiago Nigro, sócio proprietário do canal "O Primo Rico", que difunde informações pelas redes sociais, livros e palestras. Nigro, que atingiu independência financeira em apenas oito anos, foi uma das estrelas que falaram no Empreende Brazil Conference, no último dia 6, em Florianópolis e uma das que mais atenderam a pedidos de selfies.

    No palco, contou pela primeira vez com a participação da companheira Camila Ferreira, que destacou a importância de muita leitura para ter insights e investir cada vez melhor. Antes da palestra Nigro me concedeu entrevista, na qual contou um pouco da trajetória dele, falou sobre infidelidade financeira, como investe na bolsa e quem são seus ídolos no mercado de investimentos. Confira.

    O que as pessoas mais perguntam para você sobre finanças?

    Geralmente as dúvidas delas são: como eu faço para ganhar o primeiro milhão? Como eu faço para enriquecer? Como eu faço para investir meu dinheiro da melhor forma? As pessoas perguntam por fórmulas mágicas. Eu sempre respondo com muita transparência que não existe fórmula mágica. As pessoas que querem um atalho dificilmente vão chegar no objetivo delas. As pessoas querem resultado do dia para a noite, mas eu aprendi que tudo o que se ganha de um dia para a noite, também se perde da noite para o dia. Então eu sempre passo para as pessoas o que considero correto no enriquecimento. Ensino elas gastarem bem o dinheiro delas, a investirem melhor e a ganharem mais, mas sempre respeitando prazo porque nada grandioso acontece da noite para o dia. O meu sucesso, que veio da noite para o dia, demorou oito anos para acontecer. Eu plantei durante oito anos, eu nunca parei de plantar e continuo plantando, mas em algum momento você começa a colher. Eu tento passar para as pessoas esse tipo de mentalidade.

    Como foi a sua trajetória? Você é muito jovem para o mundo das finanças.

    Risos... Eu tenho 28 anos, vou fazer 29 agora. Mas eu tenho a consciência de que eu sou muito novo perto das pessoas que, financeiramente, atingiram uma liberdade como eu atingi. Só que eu acredito que o que me fez atingir essa liberdade foram alguns fatores. Primeiro, tive uma infância muito feliz, com muito amor da minha família, mas ao mesmo tempo com algumas privações financeiras que eu não gostaria mais de ter. Por exemplo: eu fui despejado do meu imóvel. Foi uma situação muito ruim, muito triste. Eu não queria mais passar por isso, queria ficar rico mas eu não sabia como.

    Quando começou a lidar com dinheiro?

    Quando eu fiz 18 anos, eu queria ficar rico. Meus pais me deram R$ 5 mil. Foi um privilégio! Eu tinha essa ansiedade de ficar rico. Não sabia o que fazer, peguei R$ 5 mil e investi na bolsa de valores. Só que essa minha ganância, minha falta de experiência no mercado me fez perder tudo em uma semana. Eu tinha vontade de ficar rico, mas não sabia como. Quando eu quebrei eu comecei a estudar, obtive várias certificações financeiras e decidi trabalhar no mercado financeiro. Aí eu comecei uma jornada, a trilhar degrau por degrau. Montei meu próprio negócio porque nenhum banco quis me contratar. Depois de sete anos e pouco eu vendi meu negócio e atingi minha liberdade financeira. Nessa jornada, conheci muitas pessoas com muito dinheiro e fui aprendendo um pouquinho com cada uma delas.

    Qual foi o negócio que você abriu?

    Eu tinha um escritório de assessoria de investimentos. Hoje, no Brasil, temos uma deficiência muito grande em educação financeira. É só você olhar para o mundo de investidores que têm dinheiro na caderneta de poupança, que é o pior investimento do Brasil, ainda assim é o mais popular. As pessoas investem lá. Quando eu tinha o meu escritório de investimentos, o meu papel era ensinar as pessoas que têm dinheiro na poupança e ajudar a investir melhor. Era um papel de educação. Fui aprendendo com o tempo.

    O que você recomenda para quem está começando a poupar?

    Em primeiro lugar, não seguir as regras que os educadores recomendam de poupar 10% do que ganha, 20% do que ganha. A regra é: poupe tudo o que der. Quanto mais você poupar mais rápido você vai atingir a sua independência financeira porque o dinheiro que você guarda hoje é muito mais importante do que o que poupar daqui a 10 anos. Porque o dinheiro que você guarda hoje terá muito mais tempo rendendo. Então a minha recomendação é, não deixe para investir o que sobra depois dos gastos, deixe para gastar o que sobra depois que investir. Sempre se pague primeiro. Se não vai acontecer igual a um amigo meu, que hoje é bilionário. Quando ele tinha 40 anos e um negócio bem sucedido a esposa chamou ele e disse: sabe quanto dinheiro a gente tem na conta? Não. Somente R$ 3 mil. Daí para a frente ele passou a se pagar primeiro. Hoje é bilionário, tem várias franquias no Brasil. Então, se pague primeiro.  

    Você trabalha com a sua esposa, a Camila Ferreira, que participará hoje da sua palestra. Ela também é educadora financeira?

    Ela não é uma educadora financeira. Ela é uma conselheira para mim. Ela foi a pessoa que, por exemplo, deu o primeiro rec na câmera dos vídeos que a gente gravou. Ela editou meus primeiros vídeos, me incentivou, me ajuda, me dá ideias e insights. Ela é imprescindível para o nosso negócio e, como convive comigo, acaba aprendendo, mas não é do mundo financeiro.

    Há pesquisas que apontam que a segunda maior causa de separação entre os casais é a infidelidade financeira. A primeira é a infidelidade clássica. No seu casamento é tudo transparente?

    A gente não é casado, mas ainda assim a gente tem um relacionamento muito aberto em relação às finanças. Acho que é uma perda de eficiência e um gasto de esforço muito grande esconder o que você tem. Na verdade, a gente trabalha em conjunto. Então ela sabe tudo o que eu tenho, a gente faz tudo em conjunto, a gente investe junto, eu explico para ela tudo o que estou fazendo. Isso é bom, a gente não tem problema de desalinhamento. Eu vejo muitos casais tendo problemas. Por exemplo: uma mulher tem muito dinheiro e o homem ganha pouco. Como vão fazer para escolher restaurante? Vão para um restaurante caro ou barato? Então é ruim ter esse tipo de problema. É bom ter um relacionamento financeiro aberto. Até você falou dessa estatística, o dinheiro é um tabu maior que o sexo no Brasil. Se as pessoas fossem mais transparentes, teriam melhores resultados, estariam mais alinhadas, com objetivos semelhantes. Se você não tiver objetivos semelhantes, você não olha para a mesma direção e, talvez, o relacionamento não vá para uma direção comum também.

    Falando em cenário brasileiro, o Banco Central deve reduzir a taxa de juros básica Selic mais uma vez. Qual é a recomendação que você dá para as pessoas?

    Acho que quem fica tentando olhar para o futuro através de uma bola de cristal está fadado a comer caco de vidro. Não estou tentando prever o futuro. O que eu faço é uma diversificação. Tenho uma estratégia de rebalanceamento de carteira. Tenho quatro classes de ativos nos meus investimentos e eu faço um rebalanceamento anual. Então, geralmente é natural que tem um ano que a bolsa de valores sobe muito, num outro ano ela cai, um ano o juro sobe, no outro cai. Então se você tiver uma carteira diversificada e um dinheiro em caixa para oportunidades, você não vai ter dificuldades. Se o mercado cair, você vai ganhar de um lado, perder de outro. Mas se tiver dinheiro em caixa, poderá aproveitar as oportunidades que aparecem.

    Quanto por cento da sua carteira de investimentos vai para ações em bolsa?

    No mínimo 25% da minha carteira.

    Você acha que para o seu perfil jovem esse percentual é bom?

    Acho que tem muito menos a ver com o perfil, e mais a ver com conhecimento. É como se a pessoa acabou de tirar a carteira de motorista e aí qual é o perfil dela? É conservador. Aí ela não pode andar na estrada? Pode, mas está começando agora. Quando você começa investir em ações, vê que não tem a ver com risco, tem a ver com conhecimento. Mas não recomendo as pessoas começarem a investir em ações sem conhecer. É um degrau de cada vez. Você começa, vai experimentando e aprendendo. No meu caso, eu tenho 25% de ações no Brasil e 25% de ações nos Estados Unidos. Então, 50% da minha carteira estão em renda variável.

    Quem são os seus ídolos no mundo das finanças?

    São Warren Buffett e Peter Lynch (estrelas em investimentos em ações nos EUA). No mundo dos negócios, falando em empreendedores do mercado financeiro, aí é o Guilherme Benchimol, empreendedor da XP Investimentos.  

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