A Associação Empresarial de Joinville (Acij), entidade de 115 anos que representa a maior economia de Santa Catarina – maior Produto Interno Bruto (PIB) – acaba de trocar de liderança. O novo presidente é André Daher, que sucede a Guilherme Bertani, que encerrou ciclo de dois anos de gestão. Na posse festiva de segunda-feira (29), com mais de 800 pessoas e lideranças de todo o estado no Joinville Square Garden, o novo presidente falou de prioridades não só para a cidade, mas também para a região. As mais importantes são a construção da Via Mar para ter uma alternativa além da BR-101 e a estadualização do Hospital Municipal São José.

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Entre os presentes, estavam o governador Jorginho Mello, a prefeita de Joinville Rejane Gambin e lideranças empresariais do estado. Mais uma vez, a Acij, por meio do seu presidente, fez cobranças pela solução de problemas enfrentados há décadas.

Industrial e advogado, André Daher afirmou que uma das suas prioridades à frente da Acij será valorizar os associados. A seguir, leia a entrevista exclusiva do empresário ao NSC Total.

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– O senhor está assumindo a associação que representa a maior economia do estado, a de Joinville. Na sua opinião, qual é a importância do associativismo para a cidade?

– Vejo isso da seguinte forma: acredito que o associativismo faz parte do desenvolvimento porque ninguém constrói nada sozinho. Uma empresa, um profissional autônomo ou alguém que atua individualmente não consegue atingir todo o seu potencial sem o apoio do associativismo, seja nas contratações, nos modelos de gestão, na questão tributária ou na capacitação. O associativismo sempre contribui para a convergência desses fatores e impulsiona o crescimento empresarial.

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Esse associativismo também inclui a relação com a Facisc e outras entidades para fortalecer a representatividade estadual?
– Com certeza. Um dos principais pontos da nossa gestão, e eu já fui diretor da Facisc, é manter a associação empresarial próxima da sua federação. Estar alinhado às pautas da Facisc e da Fiesc é fundamental para alcançarmos resultados. Dou um exemplo: temas que são votados em Brasília, como a jornada 6×1 e a Reforma Tributária. Precisamos do apoio das federações para defender os interesses empresariais e buscar as melhores decisões no Congresso Nacional.

O que o associado da Acij pode esperar da sua gestão?
– Temos a meta de ampliar o número de associados. Mas, antes disso, queremos conversar com eles. A principal bandeira da nossa gestão é ouvir o associado para entender o que ele espera da Acij e o que a Acij pretende construir junto com ele, tornando-o cada vez mais pertencente à entidade. A partir daí, conseguiremos crescer com mais consistência, porque haverá uma convergência clara entre o que a empresa deseja e o que a associação busca oferecer.

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Quais são os principais serviços que a Acij oferece aos associados?
– Temos muitos benefícios. Oferecemos um sistema de crédito baseado na Boa Vista, que auxilia na avaliação de inadimplência e concessão de crédito, em um serviço semelhante ao Serasa. Também contamos com o Util Card, com cartões de benefícios, o Cartão BIM, oportunidades de capacitação e cursos de gestão e vivência empresarial, que funcionam quase como uma extensão de pós-graduação. São vários benefícios que conseguimos alinhar e oferecer aos associados. Ainda assim, acredito que podemos avançar muito mais. Teremos uma equipe dedicada exclusivamente a desenvolver novas soluções para os associados.

Que cursos a Acij oferece? Tem parceria com a Fundação Dom Cabral?
– Ainda não temos uma parceria como essa (a Fundação Dom Cabral), mas o tema apareceu bastante nas conversas com os associados. Para montar o planejamento da gestão, ouvimos muitos empresários. Percebemos que governança é um assunto muito desejado por eles, e a Fundação Dom Cabral é um dos exemplos citados. Os cursos atuais fazem parte do programa de gestão e vivência empresarial, voltado principalmente para quem não teve uma formação específica em gestão. É um curso de extensão com duração aproximada de um ano, desenvolvido não só pela Acij, mas também por outras entidades empresariais do Estado.

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Quais são os principais pleitos da Acij junto ao governo do Estado?
– Um dos principais é a nova rodovia estadual paralela à BR-101, a Via Mar, lançada recentemente em Itajaí. Ela ajudará a desafogar o trânsito e reduzir acidentes. Outro pleito fundamental é a estadualização do Hospital Municipal São José. O hospital atende Joinville e cerca de 100 municípios da região, mas o custo fica majoritariamente com a cidade. Reconhecemos a contribuição já dada pelo governador Jorginho Mello, mas esperamos que esse apoio seja ampliado e mantido nas próximas gestões. O Hospital São José concentra grande parte dos atendimentos de emergência e especialidades, como AVC. Por isso, precisamos de mais recursos e de uma solução estruturante para garantir o atendimento regional que Joinville já presta para todo o Estado.

Como o senhor está vendo o atual cenário econômico do Brasil? Os juros altos preocupam muito?
– Os juros elevados têm um prazo limitado para produzir algum efeito econômico positivo. Em algum momento, os bancos também terão dificuldade para sustentar esse cenário. Essa situação não é boa para os financiamentos, não favorece a cotação do dólar e tampouco ajuda no controle da inflação. Hoje, tanto os juros quanto a inflação estão elevados, e isso aumenta muito o custo final dos produtos. Como consequência, o incentivo ao empreendedorismo e à inovação acaba encontrando barreiras. O Brasil precisa avançar nas reformas e reduzir o chamado “Custo Brasil”, para que tenhamos mais competitividade e viabilidade para empreender.

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A expectativa de mudança da jornada 6×1 para 5×2 preocupa muito o setor empresarial de Joinville?
– Sim, preocupa. Acredito que todos os empresários desejam o bem-estar dos seus colaboradores. Ninguém será contra reduzir a jornada se isso for realmente positivo para os trabalhadores. O problema é que ainda não conhecemos todos os detalhes do projeto de lei.

Até agora, discutiu-se principalmente a PEC que altera a essência da jornada, mas ainda não estão claros os impactos sobre a folha de pagamento e sobre o custo final dos produtos. Portanto, podemos e devemos discutir a redução da jornada, mas somente após estudos aprofundados. Se os estudos demonstrarem benefícios reais, acredito que os empresários apoiarão a mudança.

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O senhor considera que esse tema deveria ser tratado em um período pós-eleitoral?
– Com certeza. É um tema muito sensível e está sendo discutido com muita pressa. Uma aprovação precipitada pode gerar erros que comprometam atividades econômicas e talvez nem tragam os benefícios esperados aos trabalhadores.

Por exemplo, alguém pode usar o tempo livre para assumir um segundo emprego, o que enfraqueceria o argumento de combate ao burnout e de melhoria da qualidade de vida. Por isso, é importante estudar profundamente o tema antes de construir um projeto de lei equilibrado.

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A Reforma Tributária também preocupa as empresas? Muitas ainda não têm softwares e informações suficientes.
– Até agora, a Reforma Tributária unificou tributos e criou um novo imposto, mas ainda não trouxe uma percepção clara de redução da carga tributária. Pelo contrário, há preocupação de que ela aumente. Além disso, o projeto aprovado permite que estados criem outros tributos, o que gera ainda mais incerteza. As empresas ainda não estão preparadas e precisam de mais informações. Acredito que haverá muita judicialização, o que pode atrasar a implementação da reforma nas empresas e no cotidiano dos cidadãos.

Essa judicialização ocorreria por aumento de carga tributária?
– Não apenas por isso. Pode haver conflito entre leis e questionamentos de constitucionalidade. Alguns setores podem entender que determinadas mudanças pioraram o sistema anterior e recorrer à Justiça. Também podem surgir discussões sobre possível bitributação. Esses temas estão sendo estudados pelas federações empresariais para que, se necessário, sejam levadas propostas de correção.

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Acij e prefeitura trabalham em sintonia. Que decisões discutem em conjunto?
-Temos uma relação muito boa. Realizamos reuniões periódicas e levamos ao governo os temas que queremos discutir. Dependendo do assunto, segurança, saúde, infraestrutura ou meio ambiente, os secretários participam para apresentar resultados e explicar dificuldades.

Joinville é uma cidade fortemente exportadora e tem enfrentado problemas como o tarifaço e a ameaça de novas taxações nos Estados Unidos. Como isso tem impactado as empresas?

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No ano passado, percebemos impactos não apenas pelas medidas efetivamente adotadas, mas também pelas especulações do mercado. Temos muitas empresas multinacionais instaladas na nossa região.

Quando foi anunciado o tarifaço, por exemplo, uma empresa chegou a demitir cerca de 400 funcionários por conta das perspectivas do mercado externo. Ou seja, apenas a expectativa de mudanças já produz efeitos importantes.

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Por isso, a forma como os governos dialogam também é muito relevante. A maneira de conduzir a relação com os Estados Unidos, por exemplo, pode gerar consequências para as empresas brasileiras.

Precisamos saber dialogar para que medidas desse tipo, que não afetam apenas o Brasil, não acabem trazendo prejuízos para os nossos cidadãos.

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Quero reforçar que nossa principal bandeira será valorizar cada vez mais o associado. Esse será o foco da nossa gestão.

Hoje, a Acij tem cerca de 2 mil associados. A entidade pretende aumentar esse número?

– Prefiro não assumir um compromisso com números neste momento. Primeiro, vamos dedicar um período para fazer um amplo diagnóstico e entender por que chegamos ao atual número de associados.

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Somente depois desse processo poderemos estabelecer metas concretas. Se, no meio do ano que vem, eu tiver a oportunidade de apresentar um balanço da gestão, acredito que conseguirei trazer números mais consistentes e realistas.