O seu próximo automóvel ou furgão será movido a energia elétrica ou terá motor a combustão? Esta pergunta deixou de ser futurista e entrou para a realidade de milhares de pessoas, especialmente dos países mais ricos. Em Paris, por exemplo, em 2023 não entrarão mais veículos movidos a diesel. Além dos franceses, Reino Unido, Alemanha, Japão, Dinamarca, Noruega, Suécia e o Estado da Califórnia (EUA) decidiram banir carros à combustão até 2040 ou antes.
Continua depois da publicidade
A mobilidade elétrica foi tema ontem à noite de painel no 9º Seminário Energia + Limpa, na sede da Federação das Indústrias de SC, em Florianópolis, numa iniciativa do Instituto Ideal. Os debatedores foram com o coordenador de Projetos Veículos Elétricos para a América Latina da montadora Renault, Luiz Fernando de Oliveira, e a diretora da Eletra, empresa de SP produtora de ônibus e trólebus elétricos, Iêda Maria Oliveira.
Em entrevista à coluna antes do evento, Luiz Oliveira informou que no final do ano passado rodavam no mundo 3 milhões de automóveis elétricos, sendo que 1 milhão foram emplacados ano passado, acréscimo de 50% em um ano. Desse total, 50% foram na China, país que pretende liderar essa tecnologia e tem grandes problemas de poluição.
A Renault integra aliança automotiva com as japonesas Nissan e Mitsubishi, presidida pelo brasileiro Carlos Ghosn. No ano passado, as três empresas venderam no mundo 559 mil carros elétricos de um total próximo de 11 milhões de unidades. Atualmente, a Renault conta com quatro modelos elétricos ZOE, Tuizy e Kangoo vendidos no Brasil e o Master somente na Europa. A Nissan atua com o Leaf no país e tem o NV200 também na Europa e Ásia. A Mitsubishi tem um SUV híbrido, o Outlander.
Segundo Luiz Oliveira, no Brasil, os consumidores gostariam de adquirir mais automóveis elétricos, mas o preço ainda está muito alto. Hoje, o IPI desse tipo de carro está em 25%.
Continua depois da publicidade
– Dentro do novo programa automotivo 2030, há o projeto para baixar o IPI dos veículos elétricos para 7% – afirma o executivo, ao observar que em outros países há incentivos para esse segmento.
Segundo ele, por enquanto, as empresas são as principais compradoras de veículos elétricos no Brasil. A expectativa é de que o interesse cresça entre os consumidores em geral, e os preços caiam. Vale reforçar aos governos que os veículos elétricos reduzem custos com saúde porque não poluem o ar, o que provoca milhares de mortes por ano. Quem tem usina solar em casa, pode abastecer o carro sem custo a mais na conta de luz.
Doze lançamentos até 2022
Atualmente, a aliança Renault, Nissan e Mitsubishi lidera a oferta de veículos elétricos no Brasil, mas não quer ficar para trás nos próximos anos. Por isso, até 2022 vai lançar mais 12 modelos de elétricos, informa o coordenador de Projetos Veículos Elétricos para a América Latina da Renault, Luiz Fernando de Oliveira (D). Ontem, ele se deslocou de Curitiba até Florianópolis com um dos modelos atuais, o ZOE (foto). Foi recebido pelo presidente do Instituto Ideal, Mauro Passos (E).
Gasolina por R$ 8,4?
Diante da gravidade dos impactos da greve dos caminhoneiros, ou melhor, de algumas empresas de transportes, o governo brasileiro vai cortar verbas na área social para subsidiar o diesel. Na Noruega, o preço da gasolina é o dobro do valor cobrado no Brasil, informa o presidente do Instituto Ideal, Mauro Passos. O motivo? Inibir o uso do carro à combustão e incentivar bicicleta e veículos elétricos.
Continua depois da publicidade
Na avaliação de Passos, a decisão de subsidiar o diesel no Brasil, agora, foi um grande erro. Além disso, ele critica o resultado do acordo:
– Foi o único caso do mundo em que grevistas ganharam mais do que pediram.
UFSC inaugura posto solar
A Universidade Federal de Santa Catarina, por meio da equipe Ampera Racing UFSC, em parceria com a montadora BMW, Araxá Energia Solar, Fotovoltaica UFSC e Centro Tecnológico, inauguro o Eletroposto Car Port Ampera CTC. Trata-se de um posto solar, ou estação Carport Solar, com o objetivo de desenvolver pesquisas na área de energia solar e fazer carregamento de veículos elétricos. Situado em frente ao CTC, a estação foi projetada pelo Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar – Fotovoltaica UFSC, do departamento de Engenharia Civil, que é pioneiro no uso de energia solar.
A BMW doou um carregador de veículos elétricos e a construção do posto foi feita pela Araxá Solar. A usina gera 5KW\h de energia elétrica por dia, que reverte em crédito para a conta de luz da instituição.
