Uma alternativa de lazer ao ar livre, com número limitado de pessoas, é a Vindima de Altitude, na Serra catarinense, que acontece em São Joaquim, Bom Retiro, Urubici, Urupema e Campo Belo do Sul. O evento vai até o final de março, especialmente aos fins de semana, com visitas às vinícolas. Algumas oferecem piquenique, como a Leone Di Venezia, Monte Agudo, Suzin e Thera. A maioria tem visitação com degustação de vinhos e espumantes. Há, também, opções de almoços e jantares harmonizados.

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Mas quem prefere adquirir vinhos e espumantes da região num só lugar, pode visitar a Casa do Vinho de São Joaquim. O empresário Vilson Borges acaba de inaugurar a modernização da loja que oferece vinhos da região e de outros lugares do mundo.

Por que os vinhos de altitude custam mais

É frequente o consumidor perguntar as razões pelas quais um vinho de altitude, elaborado na Serra catarinense, custa mais do que importados de grandes vinícolas da América Latina ou Europa. Uma das razões e a mais importante para o consumidor, explica o vitivinicultor Ernani Garcia, é a produção artesanal, que usa somente bagos (ou grãos) saudáveis de uvas. O que não é saudável ou não é uva é retirado do processo produtivo em duas etapas.

Vinhedos
Vitivinicultor Ernani Garcia fala da qualidade dos vinhos (Foto: Foto:Estela Benetti)

A primeira etapa ocorre ainda nas videiras. Profissionais tiram cachos podres e folhas para que fiquem fora do processo produtivo. Depois, quando a uva é colhida, ela passa por outra seleção em que são retirados caules e mais bagos fora das conformidades. Assim, somente a fruta saudável segue para a elaboração de vinhos e espumantes. Nas grandes vinícolas, a a colheita feita por máquinas, tudo vai para a produção e depois é feita uma correção com outros produtos.

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Ernani Garcia, que também é médico oftalmologista e pecuarista, tem a vinícola no município de Campo Belo do Sul. Conta com um espaço para receber visitantes, uma capela e os vinhedos. Atualmente, elabora 16 rótulos e emprega diretamente 20 pessoas.

Ele explica que além da produção artesanal, no preço final do vinho pesam outros custos como rolhas e barricas importadas da Europa, garrafas e outros itens, além da carga tributária de 54% sobre o setor.

Por enquanto, ele diz que o negócio não se paga. É preciso usar recursos das outras atividades para custear a vitivinicultura. A expectativa é de que, gradativamente, o consumidor brasileiro opte pela aquisição desses produtos de alta qualidade feitos no Brasil e, assim, o negócio do vinho de altitude pelo menos deixe de dar prejuízo.