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Copa América no Brasil casa futebol a qualquer preço com o país da Covid-19

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Por Evandro de Assis
31/05/2021 - 11h41
Competição deveria ocorrer em 2020 na Argentina e Colômbia
Competição deveria ocorrer em 2020 na Argentina e Colômbia (Foto: Juan Barreto, AFP)

Está confirmado o casamento entre o futebol a qualquer preço da Copa América 2021 e o Brasil, país onde a Covid-19 parece ser bem-vinda. A 12 dias do início do torneio, a Conmebol encontrou quem aceitasse receber delegações estrangeiras em meio a filas por leitos de UTI e alto contágio pelo coronavírus. Haja minuto de silêncio para compensar tamanha insensibilidade.

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A mudança de última hora do país-sede ocorre porque não havia condições de levar os jogos entre seleções à Colômbia, país que sofre com instabilidade política e protestos violentos, e à Argentina, imersa em mais uma onda da Covid-19. No domingo (30), ao comunicar que os argentinos não receberiam a Copa América, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) citou “circunstâncias presentes”. Nem uma palavra sobre a doença transmissível pelo ar — que já havia causado o adiamento do torneio em 2020.

Estarão reunidas em cidades brasileiras delegações integradas por pessoas que trabalham em clubes espalhados pela América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia. Gente que passará por aeroportos, embarcará em aviões e chegará ao país às vésperas da estreia em campo. Ao mesmo país que faz quase nada para bloquear as variantes do coronavírus no transporte internacional de passageiros, onde o governo federal promove o contágio e a vacinação não engrena.

Antes de tudo, a Copa América no Brasil desrespeita as famílias de mais de 460 mil vítimas da Covid-19. Mas também agride um dos principais ativos culturais do país, o futebol, e transmite ao mundo a sensação de que por essas bandas aceita-se tudo. Quem deseja fazer turismo num lugar assim?

Por último, a realização da Copa América no Brasil tem tudo para acrescentar mais tensão ao ambiente político nacional. Jogos entre seleções estrangeiras são um prato cheio para grupos que pretendem dar visibilidade internacional a suas pautas — vide a escalada de junho de 2013, às vésperas da Copa das Confederações. Com bolsonaristas e antibolsonaristas já aglomerando-se nas ruas, um torneio impopular tende a virar para-raio de ressentimentos — e de conflitos.

Vai ver seja por isso que o governo federal interessou-se.

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