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Reviravolta

Loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau é aprovada por conselho sob protestos

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Por Evandro de Assis
28/07/2021 - 16h11 - Atualizada em: 28/07/2021 - 16h42
Havan conseguiu reverter tendência de rejeição à proposta
Havan conseguiu reverter tendência de rejeição à proposta (Foto: Reprodução)

O projeto de uma nova loja da Havan no Centro Histórico de Blumenau foi aprovada, sob protestos, pelo Conselho do Patrimônio Cultural Edificado (Cope) nesta quarta-feira (28). A decisão, por 12 votos a 3, representa uma reviravolta em comparação à última análise dos conselheiros, no fim de maio, quando críticas generalizadas levaram a empresa a retirar a proposta sob a promessa de reformulá-la. A maioria dos conselheiros também contrariou parecer técnico da Secretaria de Planejamento, que considerou o projeto inadequado para uma área sensível à memória da cidade.

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Durante o debate online, acompanhado por mais de 100 pessoas, o Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) renunciaram às cadeiras no Cope em protesto contra a forma como a proposta estava sendo encaminhada. O representante do IHB, Ramon Aguiar Benedett, mencionou mudanças na composição do conselho para a sessão desta quarta e a ausência de modificações no projeto reapresentado, conforme havia sido prometido pela Havan em maio.

— Trazer à tona o mesmo projeto que a gente já discutiu na outra vez é, no mínimo, desrespeitoso — disparou.

— Mudou o conselho e não mudou o projeto — constatou o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Herley Rycerz Junior. 

A tendência de aprovação do empreendimento nesta segunda tentativa havia sido adiantada pela coluna na terça-feira (27). Houve uma operação nos bastidores para virar votos de conselheiros, tanto os indicados por entidades quanto representantes da prefeitura. Antes da loja da Havan ser analisada, o presidente do Cope e secretário de Planejamento, Éder Boron, apresentou uma manifestação espontânea do 10º Batalhão de Polícia Militar defendendo a instalação da loja em nome da segurança pública. Segundo o documento, ela teria potencial de reduzir ocorrências policiais na região.

A posição da PM reforçou a argumentação central que a Havan trouxe aos conselheiros, focada no abandono de imóveis localizados no Centro Histórico. De acordo com a sustentação, feita na reunião pelo ex-prefeito e membro do Conselho de Administração da Havan Félix Theiss, o terreno abandonado entre a Rua das Palmeiras e a Rua Alwin Schrader seria mais nocivo ao patrimônio cultural da zona do que a réplica da Casa Branca. 

Félix disse que a Havan estudou 12 terrenos diferentes para uma nova loja da Havan em Blumenau, entre eles o antigo endereço da Casa Royal, na Rua 7 de Setembro, e o imóvel da Pittol, na Rua Nereu Ramos. Mas não conseguiu fechar negócio com os proprietários.

— A Havan não queria instalar uma loja num buraco de Blumenau, onde toda hora tem inundação. Porque não existem mais espaços grandes no Centro, a Havan teve de cogitar esse espaço no Centro Histórico — afirmou.

Segundo o representante da Havan, o teto do prédio será pintado de verde para reduzir o impacto à paisagem do entorno. E a entrada de veículos será via Rua Alwin Schrader, reduzindo a influência do empreendimento no trânsito.

A proposta 

A nova loja da Havan será a quinta da rede em Blumenau, a terceira no Centro. O prédio de dois pavimentos terá estacionamento com 180 vagas para carros, 100 para bicicletas e 63 para motos. A loja em si ocupará o segundo piso, com 6,5 mil metros quadrados de área construída.

A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) emitiram pareceres favoráveis à intervenção, com sugestões de alterações. A estátua da liberdade que a Havan costuma construir ao lado das lojas não foi permitida.

Por outro lado, órgãos como o Instituto Histórico de Blumenau (IHB), o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Núcleo Blumenau e o Conselho Municipal de Polícia Cultural já haviam se manifestado contra a construção, pedindo que a Havan reconsiderasse a arquitetura da obra.

Comentário

O resultado da votação polêmica gerará uma intervenção drástica no último sítio histórico da Blumenau Colônia, que só será definitivamente percebida após a obra pronta. Outro efeito colateral do processo, no entanto, já está evidente: houve um abalo à credibilidade institucional do Conselho do Patrimônio Cultural Edificado. Ambos os impactos à cidade são graves e difíceis de remediar no futuro.

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A votação

Votaram a favor: três conselheiros e suplentes que representavam a Secretaria de Planejamento, Secretaria de Educação, Intendência da Vila Itoupava, Secretaria de Cultura e Relações Internacionais, Secretaria de Turismo, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Associação das Micro e Pequenas Empresas (Ampe) e Sindicato da Habitação (Secovi).

Votaram contra: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e Furb.

Não votaram: Associação Empresarial de Blumenau (Acib) e Instituto Histórico de Blumenau (IHB).

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