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Missa interrompida em Botuverá gera crise entre igreja católica e fiscais da Covid-19

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Por Evandro de Assis
03/12/2020 - 16h46 - Atualizada em: 03/12/2020 - 18h58
Autoridades não concordaram com a celebração da missa no salão paroquial
Autoridades não concordaram com a celebração da missa no salão paroquial (Foto: Reprodução)

A interrupção de uma missa em que adolescentes recebiam o sacramento da crisma, em Botuverá, no Médio Vale do Itajaí, no fim de semana passado, gerou uma crise entre igreja católica e fiscalização da Covid-19. Policiais militares, um agente da vigilância epidemiológica e a secretária de Saúde do município — que viria a pedir demissão por causa do episódio — foram à paróquia São José, no sábado (28) à noite, e solicitaram que a cerimônia fosse encerrada. 

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Em situação gravíssima para a transmissão do coronavírus no mapa de risco de Santa Catarina, Botuverá tem autorização para missas e cultos religiosos com restrição de público, mas não para eventos sociais. No caso específico, o problema foi o local da celebração: o salão paroquial.

O assunto gerou reação do arcebispo de Florianópolis, Wilson Tadeu Jönck, e virou cavalo de batalha para quem não concorda com restrições sociais estabelecidas por autoridades devido à pandemia. Quem celebrava a missa era o próprio arcebispo Jönck.

Três dias depois, na terça-feira (1º), em nota, o arcebispo garantiu que as diretrizes de prevenção à Covid-19 foram obedecidas e classificou a ação como perseguição contra cristãos. “Pessoalmente, a parte que mais me feriu foi a ordem de interromper a santa missa. E foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu”, escreveu.

A prefeitura de Botuverá enviou à coluna cópia de um ofício assinado pelo pároco Paulo Vanderlei Riffel, na manhã de sábado (28), em que ele foi comunicado da impossibilidade de promover a crisma. Segundo o município, ele também teria sido avisado verbalmente, quinta e sexta-feira, de que Secretaria de Estado da Saúde e Ministério Público não autorizaram a cerimônia nos moldes desejados. Em ofício, nesta quarta-feira (2), a Vigilância Epidemiológica do Estado reafirmou a orientação devido à classificação do Médio Vale como gravíssimo no mapa de risco do coronavírus.

No centro da discórdia está o local da celebração. Com a limitação de público em 30% da capacidade, não seria possível receber os mais de 80 crismandos acompanhados de familiares. Então, optou-se pelo salão paroquial, mais amplo. As autoridades de saúde foram contra e orientaram a igreja a dividir os adolescentes em turmas, o que não foi atendido.

"Reiteramos nosso compromisso com a comunidade católica, salientando que em nenhum momento a administração municipal se posicionou contrária a realização do evento e sim com a forma e modalidade em que se pretendia realizar, reafirmando que nos termos da legislação vigente o evento seria possível (capacidade da igreja e parcelamento dos crismandos)", diz o comunicado da prefeitura.

> Veja o mapa da evolução do vírus em Santa Catarina.

Redes sociais

Na foto da celebração que circula em redes sociais, é possível ver os adolescentes e padrinhos sentados em cadeiras separadas. Ao fundo, familiares acompanhavam a crisma. 

Sites e perfis em redes sociais que costumam atacar restrições contra a Covid-19 engajaram-se no caso. Devido a ofensas e ameaças em série recebidas de diversos estados brasileiros, a secretária Márcia Cansian pediu exoneração do cargo.

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