Quarenta catarinenses morrem por dia de Covid-19 neste início de dezembro. Começa a faltar estrutura para terapia intensiva no hospitais. São 33 mil casos ativos, patamar inédito na pandemia. Com o Estado pintado de vermelho sangue, governador e prefeitos reuniram-se para combinar uma reação. Qual seja, cobrir com esparadrapo uma hemorragia grave.

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É risível o que foi anunciado nesta quarta-feira (2). Um desrespeito com doentes, vítimas e familiares. Um escândalo.

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A expressão “toque de recolher” impressiona. Provavelmente está no pacote governamental para isso. Pode até ajudar a controlar reuniões e baladas nas madrugadas, mas é pouco. Quase nada. É como se o Sars-Cov-2 descansasse durante o dia e só contagiasse no terceiro turno.

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Sejamos francos, caro leitor. Todo mundo sabe que o coronavírus adora um escritório com o ar-condicionado ligado, um restaurante com dezenas de pessoas sem máscara conversando em voz alta, um templo cheio de fiéis cantando em coro, um ônibus por onde passam centenas de pessoas num mesmo dia.

Nossos governantes agora ensaiam solenidade com a dor alheia porque pouco fizeram para frear a segunda onda depois das restrições de julho e agosto. Testaram pouco e esperaram passivamente os doentes voltarem às unidades de saúde, sem rastrear contatos. Enquanto a Covid-19 sorrateiramente espalhava-se, quem agora anuncia toque de recolher ocupava-se da campanha eleitoral ou do processo de impeachment.

Diga-se com todas as letras: são cínicas as medidas anunciadas. Aliás, cinismo é pouco para quem decidiu incluir num pacote de restrições a redundante ampliação do horário do comércio no mês do Natal. No próximo pacote devem exigir que a festa de Ano-Novo não aconteça antes da meia-noite do dia 31.

É desalentador. Semana passada escrevi que nossas comunidades ignoram a matemática e por isso condenam à morte pessoas que não precisavam infectar-se. Chamaram o texto de alarmista, semeador de pânico. Você por acaso conhece alguém que está em pânico? A sensação é de que, fossem 40, 100 ou 400 mortes por dia, o torpor social seria o mesmo. É por isso que quem nos lidera sente-se tão à vontade para prestidigitar medidas restritivas. Funciona.

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Só tem um problema. Quem cola esparadrapo sobre um ferimento grave acaba sujando as mãos de sangue.

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