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    Cenário do coronavírus em Blumenau alerta para segunda onda pior do que a primeira

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    Por Evandro de Assis
    19/11/2020 - 10h26 - Atualizada em: 19/11/2020 - 14h55
    Blumenau detecta 300 novos casos por dia, de acordo com a média móvel
    Blumenau detecta 300 novos casos por dia, de acordo com a média móvel (Foto: Patrick Rodrigues)

    Basta olhar os dados. A segunda onda da Covid-19 em Blumenau acelerou como da primeira vez. Tudo aponta para um dezembro terrível. Se nada for feito, pior do que foi julho.

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    Chegamos à atual situação porque Estado e município fizeram pouco para controlar a transmissão do vírus durante o período de reabertura. Só se testa quem procura uma unidade de saúde porque acredita estar doente. Não há política para rastrear os contatos dos casos positivos, testá-los e isolá-los. Do Ministério da Saúde, infelizmente, não se espera nada.

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    Enquanto isso, o debate estéril sobre fechar ou não fechar atividades ocupa as mentes e transfere responsabilidades. Pior para as famílias de quem padecerá nas próximas semanas. Não será pouca gente.

    Confira cinco razões para intensificar os cuidados e cobrar maior responsabilidade das autoridades neste fim de ano.

    1 - Há mais casos com quase o mesmo número de testes.

    O número de testes de novembro (564 por dia) é levemente superior ao de julho (548). Essa diferença não é suficiente para explicar a disparada. A cada 10 pacientes testados, quatro dão positivo, o maior índice da pandemia.

    A média móvel diária de casos novos superou 300 pela primeira vez. Nesta quarta-feira (18), 479 pacientes foram diagnosticados, um recorde.

    Em apenas 11 dias, essa média aumentou em 100 casos. Lembre-se: a cada centena de casos, morre uma pessoa. Agora imagine onde estaremos no fim do mês.

    2 - Há mais jovens e menos idosos infectados.

    Entre 1º de outubro e 10 de novembro, 10,7% dos casos positivos eram idosos, menos que o índice geral da pandemia (11,7%). Pessoas de até 39 anos eram 57,8%, mais que os 55,2% no cômputo total.

    Parece pouca diferença, mas o diretor-técnico do Hospital Santa Isabel, Marcos Sandrini de Toni, afirma que a juventude dos doentes nesta fase da pandemia funcionou como fator de alívio para o sistema hospitalar. O problema é que, com o nível de contágio tão acelerado, o vírus chegará aos vulneráveis cedo ou tarde. E em grande número.

    > Coronavírus em Blumenau: quase metade das pessoas internadas em UTIs morreram

    O que se pode esperar para os próximos dias é um aumento repentino no número de internações. Já começou, aliás. Havia 24 leitos de UTI ocupados por doentes de Covid-19 na sexta-feira (13) passada. Nesta quarta (18), já eram 34.

    3 - Não há margem de segurança nas UTIs dos hospitais.

    Os leitos de UTI geral estão quase sempre lotados. Isso era comum antes da pandemia, mas não em junho-julho, no primeiro pico. Naquela época, a redução na circulação de pessoas havia derrubado o número de acidentes, traumas e internações para cirurgias eletivas.

    Segundo De Toni, isso é preocupante porque, se a necessidade de leitos para Covid-19 crescer demais, podem faltar profissionais para atender a todos.

    Um outro ponto de atenção é a falsa sensação de segurança expressa pelo número de UTIs disponíveis divulgado pelo município. Na conta de 94 lugares há os chamados "leitos de guerra", que são unidades a serem improvisadas em quartos de enfermaria — que precisariam estar desocupados. Além disso, parte dos leitos extras para Covid-19 em Blumenau perdeu a habilitação do Ministério da Saúde, porque acabou o prazo acordado. Eventuais internações podem não ser pagas pelo governo federal.

    A Secretaria de Estado da Saúde informou aos hospitais de Blumenau que arcará com as despesas, se necessário. Enquanto isso, há uma tentativa de habilitar novamente os leitos.

    4 - A população relaxou.

    Basta olhar ao redor. Há mais blumenauenses vivendo como se não houvesse uma pandemia. O cansaço com as medidas preventivas gera relaxamento e a liberação de praticamente todas as atividades, incluindo festas noturnas, transmite sensação de normalidade.

    A força-tarefa que fiscalizava o cumprimento de medidas foi desmobilizada. Festas e churrascos nos fins de semana deixaram de ser alvo das autoridades.

    5 - O clima político contaminou a gestão da pandemia.

    Na situação do prefeito Mário Hildebrandt (Podemos), medidas restritivas poderiam arruinar a campanha eleitoral justamente na reta final. Elas são impopulares e, em julho, provocaram enorme pressão contra o governo municipal.

    Para a governadora Daniela Reinerh (sem partido), restringir a circulação de pessoas significaria romper com o bolsonarismo. Não se deve esperar dela uma mudança de postura.

    Então estamos assim: até o segundo turno, no dia 29 de novembro, ou o retorno de Carlos Moisés (PSL) ao governo, provavelmente no início de dezembro, nada muda. Se é que muda depois.

    Razões para otimismo

    Há fatores que os números ainda não dão conta de explicar. Por exemplo, médicos e enfermeiros intensivistas têm mais experiência e conhecimento sobre a doença desta vez, o que pode ajudar a reduzir a letalidade. Não estão faltando medicamentos e nem equipamentos de proteção, como chegou a ocorrer no primeiro semestre.

    A descentralização dos testes, incluindo os ambulatórios gerais, ajuda a encontrar os doentes mais cedo. E o número de profissionais de saúde contaminados é menor desta vez. Centenas já tiveram contato com o vírus.

    Tudo isso pode ajudar, mas fará menor diferença num quadro de explosão no número de pacientes graves. E é este cenário que Blumenau está construindo para as próximas semanas.

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