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    Pandemia de Covid-19

    Falta clareza aos dados de ocupação de UTIs para coronavírus em Blumenau

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    Evandro
    Por Evandro de Assis
    11/07/2020 - 07h20
    Santa Isabel tinha 18 pacientes de Covid-19 internados em UTIs na sexta-feira
    Santa Isabel tinha 18 pacientes de Covid-19 internados em UTIs na sexta-feira (Foto: Patrick Rodrigues)

    Falta clareza aos dados sobre ocupação de leitos de UTI em Blumenau nesta pandemia de coronavírus. O número de 63 lugares reservados para atender casos graves de Covid-19 na cidade, divulgado há semanas pela prefeitura, tem inconsistências que prejudicam a análise da situação e projetam um cenário incompatível com a ameaça de lockdown em Blumenau.

    Conforme o boletim epidemiológico de sexta-feira (10), 66,7% desses leitos estão ocupados por 42 pacientes. A situação de Blumenau seria muito melhor que as de Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú, onde mais de 90% das UTIs estão ocupadas. 

    O problema é que a conta da prefeitura inclui cinco leitos pediátricos, pouco demandados nesta crise, 16 que não atendem pelo SUS e outros cinco que nem instalados foram.

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    Para a Secretaria Municipal de Saúde, há 25 leitos preferenciais para Covid-19 no Hospital Santo Antônio, 28 no Santa Isabel e 10 no Santa Catarina. Veja como esses números encontram a realidade em cada um deles.

    Santo Antônio lotado

    Para a direção do Hospital Santo Antônio, o número de leitos reservados para Covid era de 15, e não 25 até sexta-feira. E todos estavam preenchidos. Na UTI Geral, que também tem 15 leitos, sobram apenas três ou quatro vagas, a depender do dia. Não é possível internar pacientes com coronavírus nessa ala, devido ao risco de contaminar os demais.

    Dos 10 leitos faltantes, cinco são pediátricos — há raros casos graves de Covid-19 entre os pequenos. Os outros cinco serão instalados nos próximos dias, mas estão na conta há semanas como se já estivessem funcionando. Na verdade, somente na sexta o Santo Antônio validou o reforço. Ele será adicionado aos outros cinco lugares abertos com os respiradores da WEG enviados pelo estado. As obras físicas serão pagas pela prefeitura.

    UTI do Santo Antônio lotou nesta semana
    UTI do Santo Antônio lotou nesta semana
    (Foto: )

    Santa Isabel incompleto

    No Santa Isabel, a conta é mais complexa. O hospital tinha 24 UTIs SUS antes da pandemia, mais seis para convênios. Em seguida, conseguiu habilitar 16 com o governo estadual. No fim de junho, prometeu criar outros 10, com apoio da prefeitura e os respiradores do Estado. Seriam 56 leitos no total.

    Só que os equipamentos necessários para os 16 primeiros ainda não foram entregues. Enquanto isso, segundo o diretor técnico Marcos Sandrini de Toni, foram abertos oito leitos extras no setor de hemodinâmica, onde ocorrem procedimentos de cateterismo, usando equipamentos de outras alas do hospital. Então há 38, mas só 32 atendem pelo SUS.

    Com 18 pacientes de coronavírus internados na sexta, sobravam 14 leitos para todas as demais enfermidades. Sob o risco de faltar lugar, algumas pessoas que não têm Covid-19 foram levadas para a UTI Coronariana. Na rotina do Santa Isabel, o número de 28 leitos reservados para Covid é ignorado. Tudo depende da evolução dos casos.

    Conversei com profissionais que trabalham ou já trabalharam nas UTIs do hospital. Eles disseram que, numa hecatombe, é possível transformar qualquer tipo de leito em UTI. Basta ter os equipamentos. A questão é em que condições se dará o atendimento se houver 56 leitos ativos, mais que o dobro de março.

    Faltam enfermeiros

    No fim de junho, o Santa Isabel anunciou contratações para técnicos de enfermagem e enfermeiros. Ao todo serão 42, que precisarão ser treinados e integrados. Eles vão preencher espaços novos e também substituir profissionais afastados (por Covid-19 e outras doenças). A evolução rápida das internações põe em dúvida a realização em tempo hábil dessa ampliação repentina. De Toni reconhece que não será operação fácil. E pede colaboração à população para que não seja necessário:

    — Quando falamos em leitos de UTI, estamos discutindo a consequência, e não a causa. A causa é o comportamento das pessoas, que estão fazendo festa, churrascada e baile funk como se nada estivesse acontecendo — critica.

    Nos corredores do Santa Isabel, fala-se em 90% de ocupação nas UTIs. De Toni diz que a ocupação momentânea até pode ser alta, mas que o hospital tem condições de abrir leitos novos conforme a pandemia exigir.

    Hospital Santa Catarina

    O Hospital Santa Catarina possui 20 leitos de UTI — 10 deles reservados para Covid-19, segundo a prefeitura. Nenhum atende SUS. A assessoria de comunicação da instituição não informou quantos estão ocupados e disse que questões sobre Covid-19 deveriam ser repassadas à Secretaria Municipal de Saúde. 

    Aliás, essa orientação foi dada a todos os hospitais, centralizando as respostas no município. 

    Pressão

    Na segunda-feira, gestores de hospitais solicitaram ao prefeito Mário Hildebrandt novas medidas que reduzam a circulação de pessoas em Blumenau. Houve manifestações enfáticas sobre o risco de lotação. A prefeitura respondeu com a promessa de aperto na fiscalização contra festas e aglomerações. Representantes da Secretaria de Saúde visitaram hospitais mais de uma vez esta semana em busca de informações sobre novos leitos.

    A falta de clareza nos números tem causado ansiedade entre profissionais de saúde. Ao menos três médicos foram às redes sociais nesta semana para denunciar que as UTIs de Blumenau estão lotadas, ao contrário do que sugere o percentual do município.

    O clima nos hospitais em nada combina com 66,7% de ocupação.

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