Religiosas de Santa Catarina estão dando os primeiros passos para resgatar uma tradição secular. Monjas da congregação trapista, reconhecida pela fabricação de cervejas artesanais de alta qualidade, planejam ter produção própria em Santa Catarina. Nesta semana, duas irmãs do mosteiro trapista Nossa Senhora da Boa Vista, de Rio Negrinho, participam de uma formação técnica na Escola Superior de Cerveja e Malte, em Blumenau. O objetivo final é vender cerveja para ajudar a manter as atividades do mosteiro.

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Cerveja é coisa séria para a Ordem Trapista. A congregação católica está relacionada à fabricação da bebida há séculos na Europa, especialmente na Bélgica. Os métodos artesanais são tão rigorosos que existe até um selo, da Associação Trapista Internacional, para identificar os produtos da congregação. Existem 14 cervejas trapistas que detêm o selo no mundo. Na maioria dos casos, são os monges homens que conduzem a produção.

A comunidade Boa Vista já produz chocolates e geleias para manter as atividades em Rio Negrinho e também em outras unidades da congregação. A construção do mosteiro, inaugurado em 2010, teve o apoio de comunidades trapistas belgas envolvidas na produção de cerveja.

Foi a partir do contato com os europeus que surgiu a ideia de desenvolver em Santa Catarina uma cerveja trapista. A convite da Escola, as irmãs Zulema Jacquelin Jofre Palma e Raquel Watzko estão aprofundando o conhecimento técnico sobre a bebida. Elas já haviam participado de um curso à distância. A instituição de Blumenau também doou equipamentos para o projeto.

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— Quero que, quando provarem a nossa cerveja, as pessoas se conectem também com uma visão mais leve e feliz do que significa a nossa vocação religiosa, porque nós somos muito felizes vivendo desta forma — diz a irmã Raquel.

Monjas de Rio Negrinho ganharam curso e equipamentos
Monjas de Rio Negrinho ganharam curso e equipamentos (Foto: Divulgação)

Mosteiro trapista

A história do mosteiro das Irmãs Trapistas de Nossa Senhora da Boa Vista é fruto dos movimentos da comunidade chilena de Nossa Senhora de Quilvo, que tinha o desejo de ampliar a atuação, e da comunidade Novo Mundo no Brasil, casa masculina trapista que desejava ter uma unidade para mulheres. As irmãs em Santa Catarina vivem do próprio trabalho. Elas vendem geleias e chocolates pela internet. Antes da pandemia, o mosteiro funcionava também como hospedaria.

Ainda não existe previsão para o início da produção de cervejas.

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