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    O que testes rápidos podem (e não podem) fazer contra a Covid-19

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    Evandro
    Por Evandro de Assis
    16/06/2020 - 12h37 - Atualizada em: 16/06/2020 - 12h41
    Cada tipo de teste tem uma finalidade diferente
    Cada tipo de teste tem uma finalidade diferente

    A coluna sobres testes rápidos de Covid-19 publicada pelo Santa na segunda-feira (15) gerou intenso debate sobre o estudo do governo norte-americano que não indica esse tipo de exame para diagnóstico. Mas o essencial acabou ficando fora de foco: o que testes sorológicos podem (e não podem) oferecer no combate ao novo coronavírus?

    Testes, rápidos ou do tipo RT-PCR (indicado para diagnóstico seguro de Covid-19 no início do sintomas), são ferramentas essenciais para o esforço de combate ao novo coronavírus. Quanto a isso não há discussão. Blumenau adquiriu exames úteis e necessários. A aplicação que faz dos testes rápidos é que gera dúvidas à luz do que dizem autoridades internacionais e também brasileiras.

    O prefeito Mário Hildebrandt disse à coluna que tem confiança na estratégia municipal. Para ele, o estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, que repercutiu no Jornal Nacional do último sábado, não pode ser encarado como verdade única. Segundo a autoridade norte-americana, as chances de erro de diagnóstico são altas.

    O prefeito ainda sustenta que outras cidades, como Joinville e Florianópolis, fazem uso de testes sorológicos no combate ao novo coronavírus. De fato, fazem. Mas com variações importantes.

    Florianópolis usa o teste sorológico para apoiar diagnóstico em pacientes avaliados anteriormente por um médico. Em caso positivo, ficam em quarentena.

    Joinville adquiriu testes rápidos para um estudo de prevalência da doença na população, uso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo CDC. Ontem à tarde, a prefeitura da cidade decidiu aplicar o exame também em moradores de residências que tiveram pacientes já diagnosticados - neste caso, sim, a exemplo do que se faz por aqui.

    Blumenau vai além desses dois exemplos. Testa grupos de profissionais indistintamente para verificar se estão aptos a atender ao público, entre eles cobradores e motoristas de ônibus, profissionais de saúde, servidores de áreas específicas e cuidadores de idosos. Em caso positivo, são afastados do trabalho e submetidos a avaliação clínica.

    Para fazer essa peneira, as limitações do teste são evidentes e podem ser um risco.

    Respaldo técnico

    Se nos Estados Unidos o CDC é claro sobre o que as autoridades devem fazer com testes rápidos, no Brasil, governadores e prefeitos têm menor respaldo técnico por parte do Ministério da Saúde. A nota mais clara partiu do Conselho Nacional de Saúde (CNS) no dia 30 de abril, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberar a venda desse tipo de exame em farmácias do país.

    O CNS avaliza a combinação teste rápido + avaliação clínica, procedimento que Blumenau adotou, e ainda sugere novos exames laboratoriais para apoiar o diagnóstico. A nota técnica é didática ao dizer que: 1) "o teste rápido não possui finalidade confirmatória de diagnóstico de Covid-19, sendo apenas auxiliar neste diagnóstico"; 2) "um resultado negativo não exclui a possibilidade da pessoa estar infectada, ao mesmo tempo em que um resultado positivo não deve ser usado como uma evidência absoluta de infecção".

    Como conclui o texto, "é muito importante que os resultados positivos de testes rápidos não sejam interpretados como uma imunidade que justifique o relaxamento das medidas de isolamento social".

    Em Blumenau, conforme o boletim municipal sobre a pandemia divulgado na noite de segunda-feira, "a retomada do transporte coletivo levou em conta a testagem de todos os trabalhadores da BluMob, garantindo mais segurança para os usuários".

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