As lembranças ainda estão fresquinhas… era uma sexta-feira, dia de jogo da Seleção na Copa do Mundo do Catar. Quartas de final. Muita esperança de seguir adiante no Mundial do Oriente Médio. O Brasil vinha de uma atuação encantadora contra a Coréia do Sul nas oitavas. A expectativa era chegar à semifinal. Nem passava pela cabeça a ideia real de uma eliminação.

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Como era um estádio novo pra nós na Copa, já que eu, Carlos Rauen e Mateus Castro não havíamos feito nenhuma cobertura de jogo no Education City, em Al Rayyan, fomos fazer uma espécie de reconhecimento do território no dia anterior.

O objetivo era conhecer o estádio e saber os caminhos, como a linha e a estação certas no metrô. Fizemos as entradas na programação da NSC TV, CBN Floripa e identificamos entradas e saídas corretas para evitar contratempos no dia seguinte, o dia do jogo. Apesar de tudo estar muito próximo e fácil entre Doha e as cidades vizinhas, as burocracias da FIFA poderiam nos atrapalhar.

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O pré-jogo

O jogo era no final da tarde, às 18hs, no horário local. No Brasil era ao meio-dia. O dia amanheceu com tempo bom, como sempre no Catar, mas havia um vento um pouco mais forte. Nada que fosse realmente incomodar. Na verdade, o sol é que estava queimando. Mas no horário do jogo já não haveria mais sol.

Confira galeria de fotos de arquivo pessoal da cobertura:

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Chegamos cedo ao estádio. Todas as entradas ao vivo seriam de lá. Não havia como não ser assim. Aos poucos os torcedores foram chegando. O ambiente era de festa entre as torcidas. Havia muita gente da Croácia, mas os Brasileiros eram em maior número. Já no pátio interno do estádio, os brasileiros tiravam onda dos croatas, com aquele ar de superioridade.

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Havia ainda um outro reconhecimento que precisava ser feito: onde era a sala de imprensa. Nesse estádio ela era isolada, num andar mais abaixo das arquibancadas do Education City. Dentro da sala de imprensa, quase não dava para ouvir nada. Fiz o Debate Diário direto da sala de imprensa, das 16hs às 17hs (10hs às 11hs no Brasil) e estava pronto para subir para as cadeiras do estádio.

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O jogo

Chegando à minha posição no estádio, que era uma posição de torcedor, vários novos amigos que fizemos no Catar estavam ao lado. Famílias do sul do estado e de Itajaí, que conhecemos lá. Estava bem localizado, numa das “curvas” do estádio, mas com uma visão ótima do campo – não sabia ainda que quase tudo iria acontecer na “minha trave”.

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O jogo começa bem enrolado. A Croácia dividia a posse de bola, não atacava, mas não deixava o Brasil criar conforto no jogo. O meio de campo croata dominava as ações da partida. O Brasil era melhor e chegava com mais perigo, mas o clima estava estranho.

O segundo tempo seguiu com o mesmo roteiro e a sensação era de que o gol não iria sair. A possibilidade de eliminação começou a assustar. Quando a disputa foi para a prorrogação, a torcida brasileira já não acreditava no que estava vendo. E os vermelhinhos quadriculados faziam festa e barulho, à direita e à esquerda – que coisa irritante! Já era uma vitória pra eles ter chegado à prorrogação e nós estávamos desesperados.

Os gols

Foi um lance especial num jogo amarrado. O gol de Neymar saiu na minha frente. Foi uma explosão de alegria, alívio, choro geral, encantamento e realização. O estádio, em maioria verde e amarelo, estava em festa. Ufaaa… vamos passar, mas que sufoco. Só que ainda viria a segunda parte da prorrogação – pra quê, né?

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Neymar comemora o gol do Brasil contra a Croácia (Foto: divulgação/ CBF)

A tensão foi voltando porque o tempo não passava. E a Croácia, enfim, havia resolvido jogar e atacar. E então veio aquela bola. Estava torcedor, mas sou comentarista afinal, e quando o Brasil perdeu aquela bola no ataque, lembro bem… abaixei a cabeça e pensei “alguém tira essa bola porque isso não vai dar certo”. Quando levantei a cabeça novamente para olhar pro campo, a Croácia dava o último toque para finalizar e fazer o empate.

Era a derrota ali. Claro que era. Viriam os pênaltis, mas o Brasil já estava derrotado. As cobranças de pênaltis só confirmaram essa sentença. Era a primeira vez que via o Brasil ser eliminado de uma Copa no estádio. Que sensação horrorosa.

Já escrevi e disse outras vezes que vivo a vida de quatro em quatro anos desde 1982, a primeira Copa que me lembro ver, ainda menino, a Copa da Espanha. Sou apaixonado por esse esporte e pelas Copas. A sensação da eliminação no estádio é arrasadora.

O pós-jogo

Desci as escadas em transe, como se o mundo tivesse acabado ali… mas o torcedor precisava sair e o profissional tinha que voltar rápido. Cheguei na sala de imprensa e ainda sob o impacto do resultado, gravei um comentário sobre a eliminação.

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A noite ainda ia ser longa, com muitas entradas ao vivo para fazer. A tristeza tinha que ser deixada de lado. Ficamos no estádio trabalhando até a última entrada, que foi no NSC Notícias, às 19hs no Brasil, que já era madrugada (1h) em Al Rayyan.

Não foi fácil. Mas a gentileza local deu conta da decepção que era assimilar que o Brasil estava fora da Copa. Ainda tínhamos uma semana inteira pela frente e muita cobertura legal e histórica por fazer.  

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